Rio ressurge em gruta de Ubajara após fortes chuvas
Água pode estar formando novas galerias, diz pesquisadora.
O ressurgimento de um rio na chamada “sala do índio”, uma das galerias da principal gruta de Ubajara, a cerca de 322 km de Fortaleza, voltou a surpreender moradores e visitantes desde domingo (26). A água retornou ao local após as fortes chuvas que atingiram a Serra da Ibiapaba. O fenômeno ocorre dentro do Parque Nacional de Ubajara.
De acordo com Nataly Silva, condutora de trilhas credenciada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o comportamento do rio é considerado incomum e ainda não totalmente compreendido por especialistas. Ela chegou a fazer imagens das águas na terça-feira (28) dentro da gruta.
Veja também
“Esse rio da gruta, ele é realmente um mistério, tá? As nascentes dela são dentro da gruta, totalmente subterrâneas. E essa água, ela deságua em um sumidouro, que é um buraco bem pequeno onde ela vai embora. A água, quando entra, está formando novas galerias, mas ainda está em estudo para saber para onde que ela tá indo. A gente não tem certeza ainda de onde ela vem nem para onde ela vai”, explicou.
Segundo Nataly, o fenômeno está diretamente ligado à intensidade das chuvas. “Como o período chuvoso estava fraco aqui para nossa região, esse rio não tinha mais aparecido da forma que apareceu agora esse final de semana, né? Como a intensidade da chuva aqui foi muito forte, ele apareceu, só que já baixou de novo”, disse.
Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), de 1º a 29 de abril, o município de Ubajara recebeu 424,8 mm de chuva.
Nataly também destacou que o comportamento do fluxo mudou nos últimos anos.
“Esse rio depende muito da intensidade da chuva aqui na região, então quando chove muito esse rio sobe bastante, porém hoje ele não fica parado por muito tempo no mesmo lugar, ele já vai saindo muito rápido, né? Então a gente acredita inclusive que esse sumidor está muito maior. Porque antigamente a água passava 15 dias, 20 dias e hoje ele não passa nem três dias já vai sai novamente", explicou a condutora de trilhas.
Água não pode ser consumida
Apesar do visual impressionante, a água não é própria para consumo nem para banho. A orientação é reforçada por questões químicas e sanitárias.
“Essa água não pode ser consumida, ela não é potável, porque quando a água da chuva entra em contato com o gás carbônico que vem da atmosfera, ela tem uma reação química com o carbonato de cálcio que tem no calcário e ela forma uma água ácida. Tem um grande teor de acidez, então por isso que ela não é potável, não pode ser consumida e nem também é possível banho”, alertou Nataly.
Ela ainda acrescenta riscos relacionados ao ambiente subterrâneo: “Até porque a gente não tem assim controle da água lá e a gruta é um ambiente totalmente subterrâneo, onde tem fungos e bactérias. Então, a gente não recomenda que as pessoas tomem banho. Falamos apenas que elas tirem fotos".
A reportagem entrou em contato com o ICMBio para entender como o órgão faz o acompanhamento da água que surge na gruta. A reportagem ainda aguarda posicionamento.