Prefeitura instala câmera no Orós para transmitir sangramento do açude ao vivo; veja onde acompanhar

A expectativa é de que o açude sangre nos próximos dias. População pode acompanhar imagens do reservatório, que é o segundo maior do Ceará.

Escrito por
Thatiany Nascimento thatiany.nascimento@svm.com.br
(Atualizado às 19:33)

Um grande volume de água acumulado no Açude Orós, na cidade de mesmo nome, em plena paisagem semiárida do Ceará, transbordando de tão cheio e passando pelo sangradouro. O cenário ainda não aconteceu neste ano. Mas falta pouco para que o segundo maior açude do Estado chegue a 100% da capacidade — e a expectativa só cresce para os próximos dias. Por isso, a Prefeitura de Orós instalou uma câmera para monitorar e transmitir em tempo real o grande feito.

O equipamento foi instalado na última semana próximo ao sangradouro e transmite as imagens, via internet, para que o fenômeno possa ser testemunhado pelos milhares de cearenses — e por admiradores nos mais diversos cantos do mundo. 

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Assista à transmissão ao vivo do açude prestes a sangrar:

Nesta terça-feira (14), conforme o monitoramento do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), acompanhado pela Prefeitura de Orós, o açude atingiu 99,58% do volume, faltando apenas 4 centímetros para alcançar a cota de sangria. 

Já o Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) informa que o Açude Orós está com 88,93% da capacidade total. Essa divergência será pauta de uma reunião entre os dois órgãos nesta semana. O objetivo é que a metodologia de monitoramento do volume seja alinhada. 

Na prática, além de garantir um espetáculo com o extravasamento de água, o bom volume de água do Orós assegura, dentre outras funções, a perenização do Rio Jaguaribe; a irrigação do Médio e Baixo Jaguaribe; e o abastecimento humano em diversos territórios cearenses, incluindo, este ano, a Região Metropolitana de Fortaleza. 

Segundo o secretário municipal de Turismo de Orós, Eduardo Barbosa, a ideia da transmissão das imagens do sangradouro é permitir “que a população acompanhe, em tempo real e 24 horas por dia, a situação do açude”. As imagens são exibidas no canal oficial da Prefeitura no YouTube. 

Sangramento do açude

Nos territórios do semiárido, a sangria dos açudes é um momento que marca uma cultura de celebração, já que a abundância de água, relacionada também ao aporte das chuvas, garante uma certa segurança hídrica para o momento e para os próximos períodos. 

Além disso, para cidades como Orós, alcançar a capacidade máxima do reservatório é momento de incremento também das atividades econômicas, já que visitantes são atraídos ao local.

No Ceará, em 2025, o Orós voltou a sangrar após passar 14 anos sem atingir o volume máximo, e a expectativa para este ano segue positiva. O momento é marcado pela alegria e entusiasmo tanto da população local, como dos visitantes que se dirigem ao reservatório para aproveitar a paisagem e as atividades de lazer. 

Histórico do Orós

Até 2002, o Orós foi o maior reservatório do Ceará, perdendo o posto quando o Castanhão, que tem capacidade de acumular 6,7 bilhões m³ de água, foi construído. No histórico recente do Orós, após ter vertido em 2011, o reservatório passou a ter o volume reduzido de forma gradual ano a ano. 

No ciclo de seca que afetou o Estado entre 2012 e 2018 (e em alguns lugares até 2020), o Orós chegou a ficar, em 2020, com apenas 4,73% do volume. Depois disso, teve início um ciclo de recuperação, até voltar a sangrar em 2025.

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