Mais de 123 mil idosos não receberam dose de reforço da vacina contra a Covid no Ceará

Cerca de 32 mil sequer retornaram para receber a segunda dose do imunizante; Sesa anunciou hoje que 4ª dose já pode ser aplicada nas cidades que tiverem estoque

Escrito por Lucas Falconery, lucas.falconery@svm.com.br

Ceará
Vacina
Legenda: Acesso dificultado às plataformas digitais pode estar relacionado ao problema
Foto: Fabiane de Paula

Enquanto o Ministério da Saúde já orientou a aplicação da 4ª dose da vacina contra Covid em pessoas acima de 80 anos, nesta quarta-feira (23), e alguns estados já iniciaram a nova etapa, uma parte considerável dos idosos no Ceará não retornou para tomar nem a segunda (D2) nem a dose de reforço do imunizante.   

A todo, pelo menos 32.133 pessoas acima de 60 anos, com a primeira dose, não voltaram para receber a D2 e 123.525 indivíduos, com as duas doses, faltaram ao reforço. A vacinação com todas a doses recomendadas protege contra casos graves e mortes pela doença.

Após recomendação do Ministério da Saúde sobre a quarta dose, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou, por meio de nota, nesta quinta-feira (24), que as cidades que tiverem reserva de doses podem iniciar a aplicação. 

O cenário na ausência aos pontos de imunização é mais preocupante entre quem tem mais de 75 anos, porque um grupo de 52.670 não voltou para receber a terceira etapa da imunização. Os dados são do Vacinômetro da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), levantados pelo Diário do Nordeste, e atualizados nesta segunda-feira (21).

Na sequência, 41.205 idosos de 65 a 69 também estão sem o reforço. Outros 20.999 idosos entre 60 e 64 anos estão atrasados na fila para completar o esquema vacinal. Por fim, 8.651 pessoas de 70 a 74 anos faltaram ao agendamento do reforço vacinal.

Em todas as faixas etárias, o número de idosos com a primeira dose da vacina supera a meta inicial da Sesa, porque as estatísticas populacionais seguem desatualizadas pela falta do Censo. Porém, a queda do comparecimento para a segunda dose e o reforço vacinal cai progressivamente entre o público.

O cenário preocupa à medida que os mais velhos, normalmente, apresentam menor defesa natural do corpo e lidam com doenças associadas, como diabetes e hipertensão. Essa somatória acentua a vulnerabilidade dos idosos.

Em geral, a dificuldade de idosos com as ferramentas digitais compromete o processo para receber as vacinas, como analisou Lígia Kerr, epidemiologista e professora na Universidade Federal do Ceará (UFC) em entrevista ao Sistema Verdes Mares.

“A causa principal da maior vulnerabilidade dos idosos se dá pela queda da imunidade com a idade. Isso se faz mais presente quando você tem associada outras questões sociais”, frisou.

Imunização
Legenda: Imunização protege contra formas graves e mortes em decorrência da Covid
Foto: Fabiane de Paula

Os idosos concentram o número de mortes por Covid desde o início da pandemia e isso alerta para a necessidade de manter o esquema vacinal completo.

“É importantíssimo para os idosos que eles façam esse esquema completo, porque quando não estão vacinados não estão protegidos. A maior parte dos casos graves hoje ocorrem nas pessoas não vacinadas”, completou a epidemiologista.

Quarta dose da vacina

O Ministério da Saúde recomendou, nesta quarta-feira (23), a aplicação da 4ª dose da vacina contra Covid-19 para os idosos acima de 80 anos. Portanto, esse grupo deve recebeber o segundo reforço após quatro meses desde a última dose. A orientação é de seja aplicada, preferencialmente, a Pfizer.

Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte já deram início à aplicação da quarta dose da vacina contra a Covid em idosos. 

“A Sesa e os 184 municípios cearenses pactuaram, em reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), seguir as recomendações do Ministério da Saúde”, informou a Pasta à reportagem. Assim, apenas os pacientes imunossuprimidos com três doses recebidas há 4 meses ou mais recebiam a nova dose.

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