Guia completo: como funciona a Teoria de Resposta ao Item (TRI) do Enem

Professor explica por que a nota do exame depende mais da coerência nas respostas do que do número total de acertos.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Foto de candidatos do enem em sala de aula fazendo a prova.
Legenda: A Teoria de Resposta ao Item define as notas das provas objetivas do Enem.
Foto: José Cruz/Agência Brasil.

A Teoria de Resposta ao Item (TRI) é o modelo estatístico que define as notas das provas objetivas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e é o principal motivo pelo qual dois candidatos com o mesmo número de acertos podem obter pontuações bem diferentes.

De acordo com Bruno Maia, professor das turmas de pré-vestibular e dos cursos preparatórios para o IME e o ITA do colégio Ari de Sá Cavalcante, a TRI mede o nível real de proficiência do aluno, e não apenas quantas questões ele acertou.

“Enquanto a correção tradicional soma pontos iguais para cada item, a TRI analisa o padrão de coerência das respostas: se o aluno acerta as fáceis, tem resultado mediano nas médias e erra as difíceis, o sistema entende que há consistência cognitiva, logo, a nota sobe. Mas se ele acerta uma difícil e erra várias fáceis, o modelo entende que houve chute ou acaso, e a nota ponderada cai. A TRI avalia proficiência real, não apenas pontuação bruta”, explica.

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Por que alunos com o mesmo número de acertos têm notas diferentes

Segundo Bruno, o perfil dos acertos pesa mais que a quantidade total. “Dois alunos que acertam 30 questões podem ter níveis de coerência diferentes: se um acerta as fáceis e médias de forma consistente, nota alta. Se outro acerta aleatoriamente, incluindo difíceis e errando fáceis, nota menor. A TRI entende que o segundo candidato não domina o conteúdo de forma progressiva, apenas acertou por sorte. Por isso, acertar de forma lógica e progressiva vale mais do que apenas aumentar o número de acertos". 

A coerência é o ponto central da teoria, reforça o professor. “O modelo calcula a probabilidade de cada acerto ser compatível com o nível de proficiência que o aluno demonstra nas demais respostas. Em termos simples: se o aluno demonstra domínio crescente (acerta fáceis, algumas médias e tenta as difíceis), a coerência é alta. Se o aluno acerta uma questão difícil, mas erra várias simples do mesmo tema, a coerência é baixa e o sistema reduz o peso daquela questão. A TRI penaliza o acaso e recompensa o raciocínio consistente". 

Como o Enem define o nível de dificuldade de cada questão

Cada item da prova é classificado de forma técnica antes de ser aplicado. Bruno explica que cada questão do Enem é pré-testada em aplicações anteriores.

"Com base no desempenho nacional, o INEP define três parâmetros estatísticos para cada item: dificuldade, que indica o nível de conhecimento necessário; discriminação, que mede o quanto a questão diferencia alunos com níveis diferentes de domínio; e acerto casual, que estima a probabilidade de um chute resultar em acerto. Durante a correção, a TRI cruza esses parâmetros com o padrão de respostas do candidato e calcula sua proficiência real em uma escala contínua (geralmente de 0 a 1000). Assim, o que vale não é quantas acertou, mas a qualidade e a coerência dos acertos em relação à dificuldade das questões". 

Estratégias para “jogar a favor” da TRI

Para conquistar uma nota mais alta dentro do modelo da TRI, o aluno precisa construir coerência cognitiva. O professor lista as principais estratégias:

  1. Dominar o básico primeiro. A TRI recompensa quem acerta as fáceis. Priorize questões de base e leitura atenta, são as que garantem coerência.
  2. Simular sob tempo controlado. Cansaço e pressa geram erros bobos em questões fáceis, o maior inimigo da nota.
  3. Treinar raciocínio progressivo. Resolver simulados com gradiente de dificuldade. Acostume-se a identificar o nível de cada questão e ajustar sua estratégia.
  4. Evitar o chute aleatório. No Enem, um acerto por acaso não eleva a nota se o padrão geral for incoerente.
  5. Manter regularidade emocional. Erros em itens fáceis por nervosismo quebram o padrão esperado da TRI. Treine sob pressão, simule ambiente de prova, controle respiração e tempo.

Enem 2025

As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro em quase todo o país, com exceção das cidades de Belém, Ananindeua e Marituba (PA), onde ocorrerão em 30 de novembro e 7 de dezembro, por conta da COP30.

No primeiro dia, os participantes farão a redação e as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias. No segundo dia, será a vez das provas de ciências da natureza e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias, com 45 questões por área.

O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil, sendo utilizado nos processos seletivos do Sisu, Prouni e Fies.

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