Famílias indígenas ficam desalojadas após Rio Ceará invadir casas em Caucaia
Chuvas intensas dos últimos dias elevaram o nível do curso d’água, que invadiu residências em zona de risco.
Cerca de 30 famílias do povo indígena tapeba ficaram desalojadas no bairro Tabapuazinho, em Caucaia, após terem as casas invadidas pelas águas do Rio Ceará, que subiram após as intensas chuvas registradas na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) nos últimos dias. Os afetados estariam abrigados com parentes ou na escola da comunidade da Aldeia da Ponte.
A liderança da etnia, o advogado Weibe Tapeba, detalha que o ápice da situação ocorreu no último domingo (19), quando choveu mais de 115 milímetros no município. O acumulado foi o terceiro maior do Estado na data, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), e acabou elevando o nível do corpo fluvial.
“É um cenário de bastante fragilidade e vulnerabilidade, pois são casas situadas em uma região baixa e, quando o rio sobe um pouco, a água já invade as residências”, explica o representante, acrescentando que o problema se repetiria anualmente durante a quadra chuvosa.
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Desde o fim de semana, com a redução do alagamento, algumas pessoas teriam retornado às residências, mas algumas seguiriam desalojadas, abrigando-se com familiares ou na Escola Indígena Tapeba da Ponte, localizada na região.
Para auxiliar o grupo, a Defesa Civil do Ceará teria doado emergencialmente 100 cestas básicas, 50 redes e 50 colchonetes nessa segunda-feira (20). “Se criou uma rede de solidariedade do bem para ajudar a comunidade, mas a situação realmente é de muita fragilidade”, destaca Weibe Tabeba.
Além das cerca de 30 famílias, outros moradores que vivem na região, composta majoritariamente por pescadores e marisqueiros, também estariam enfrentando problemas devido à cheia. A situação motivou uma manifestação da comunidade, que bloqueou a BR-222 nessa segunda.
Em nota ao Diário do Nordeste, a Defesa Civil de Caucaia informou que, "apesar dos alagamentos, não houve registro de pessoas desabrigadas, apenas prejuízos materiais". Enquanto desalojados saem de casa temporariamente, desabrigados perdem a moradia ou não podem retornar para a residência.
"A Prefeitura se colocou à disposição da população e atuou de forma preventiva, deixando escolas preparadas para acolher famílias, caso fosse necessário", completa o comunicado.
A reportagem solicitou mais informações sobre o caso ao Município e à Defesa Civil do Estado e aguarda retorno.
Acordo prevê construção de casas fora da zona de risco
Weibe sugere que a solução para o problema persistente seria a remoção permanente dos habitantes das zonas de risco. Ele ressalta ainda a existência de um acordo, firmado há 10 anos entre a União, Estado e Município, que previa a construção de mais de 100 casas para as famílias afetadas pelos alagamentos. Contudo, até o presente momento, não foi implementado.
Esse termo de acordo foi homologado judicialmente e estabelece o compromisso do Estado de construir, do zero, essa comunidade para retirar as famílias das margens do rio e levá-las para uma área elevada do território."
Nos próximos dias, estão previstas reuniões envolvendo as lideranças do povo tapeba com representantes do Ceará e de Caucaia, entre eles o governador Elmano de Freitas (PT), para tratar da situação da comunidade, além do cumprimento do acordo.