Casos de Covid estão em queda há 4 semanas no Ceará; saiba quando foi o pico da 4ª onda

Mais de 2 mil pessoas testaram positivo na última semana de julho – 61% a menos do que na semana anterior

Escrito por Theyse Viana, theyse.viana@svm.com.br

Ceará
Queda de casos de Covid no Ceará
Legenda: Medida básica de proteção, como uso de máscaras, deve ser mantida em alguns ambientes
Foto: Thiago Gadelha

Neste terceiro ano de pandemia, o Ceará vivenciou a 4ª onda de Covid, entre maio e junho. A quantidade de novos casos, porém, está em queda há 4 semanas seguidas. Só entre as duas últimas semanas de julho, a redução foi de 61% nas notificações.

A quarta onda começou a se erguer na segunda quinzena de maio, e já no fim de junho atingiu o pico. Dados do Integra SUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), mostram que entre 26 de junho e 2 de julho, 29.876 pessoas testaram positivo – mais de 4 mil por dia. Foi a semana com maior registro da 4ª onda.

As mortes por Covid, que vinham numa média de 3 por semana, chegaram à marca de 44 vidas perdidas em 7 dias.

Em Fortaleza, o padrão se repetiu: na semana de transição entre junho e julho, a cidade atingiu o pico de 5.289 casos de Covid confirmados em 7 dias.

Já na primeira semana de julho, entre os dias 3 e 9, os casos já começaram a cair, e seguem numa curva de redução, como confirmou a Secretaria de Saúde de Fortaleza (SMS), em nota. 

O infectologista Keny Colares analisa que “a quarta onda foi mais curta de tempo, seguindo o padrão da terceira”. Ambas, ele frisa, foram causadas pela variante Ômicron – mas a 4ª teve incidência mais forte de uma sub variante, também com grande transmissibilidade.

“Se pegarmos as 4 ondas, o número de casos de cada uma delas caiu progressivamente, mostrando que todos as medidas de prevenção, a vacinação, melhoria das redes de assistência e diagnóstico fazem com que a doença esteja mais controlada”, pontua.

Quem foi mais afetado pela 4ª onda

Se for posta uma lupa sobre os casos da quarta onda de Covid no Ceará, os idosos de 80 anos ou mais lideram os diagnósticos, seguidos por cearenses de 30 a 40 anos. Segundo o médico Keny Colares, “o adoecimento foi geral, mas as complicações foram concentradas”.

“Casos mais graves, internamentos e óbitos foram mais concentrados nos idosos e nas pessoas com comorbidades. Das 4 ondas, foi a menor curva de óbitos, mas teve uma quantidade importante”, lamenta.

O pior já passou, mas temos que manter os cuidados. A onda reduzir não significa que o problema foi resolvido. 
Keny Colares
Médico infectologista

Como será a Covid daqui em diante

Desde março de 2020, quando o coronavírus desembarcou no Ceará, as medidas preventivas são repetidas à exaustão – e devem ser até hoje, como alerta Keny. “Aqueles cuidados que já mantemos devem ser reforçados, especialmente em ambientes mais fechados e com aglomeração.”

O pesquisador afirma que a ciência tem observado com atenção um aumento recente dos casos no Japão e na Coreia, que pode repercutir no mundo. “Não se sabe se é uma nova variante ou nova onda, talvez seja essa nossa onda que chegou atrasada pra eles”, pontua.

De todo modo, o médico frisa que “é impossível prever se vai surgir uma nova variante com capacidade de causar problemas a nível mundial, embora o vírus continue mudando”. Depois da ômicron, ele destaca, isso ainda não aconteceu.

“Se isso se mantiver, a tendência é de que haja ondas cada vez menores e que a nossa relação com a Covid se aproxime da que temos com outros vírus, como da gripe. Mas se surgir uma nova variante, não temos como ponderar nada”, finaliza.