Após paralisação dos médicos em UPAs neste sábado (25), atendimentos em Fortaleza são retomados

Profissionais relatam demissões, redução de pagamentos e pressão por produtividade.

Escrito por
Letícia do Vale leticia.dovale@svm.com.br
Esta imagem mostra a fachada de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h), identificada por uma placa com o nome “Unidade de Pronto Atendimento” em destaque na cor verde. A estrutura é cercada por grades brancas, e há uma calçada pavimentada à frente. No canto direito da imagem, uma pessoa caminha pela calçada, usando boné, máscara, camiseta sem mangas e bermuda. O céu está parcialmente nublado e há árvores pequenas no entorno da unidade.
Legenda: Presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Dr. Edmar Fernandes, relata momentos de tensão durante o dia.
Foto: Fabiane de Paula

Após a paralisação dos médicos neste sábado (25) nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza nos bairros Vila Velha, Cristo Redentor e Bom Jardim, os atendimentos foram retomados ainda na noite do mesmo dia.

A informação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Médicos, Dr. Edmar Fernandes.

O motivo da greve seria a redução do número de médicos plantonistas nas unidades (de seis para cinco profissionais), a desconsideração do plantão de sexta-feira à noite como adicional de final de semana e a coação e pressão por produtividade.

Segundo o Sindicato, isso inclui a divulgação da quantidade de atendimentos médicos em grupos no WhatsApp.

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De acordo com a entidade, na última quarta-feira (22), foi enviado um ofício à Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), para a diretoria da Viva Rio, responsável pela gestão das unidades de saúde, e para a direção das UPAs Cristo Redentor, Vila Velha e Bom Jardim informando acerca da paralisação.

“A gente tinha entrado em contato com a Prefeitura e com a empresa e aí eles insistiram. Por isso que teve a paralisação. Se já é difícil atender com o número de médicos atualmente, imagine quando você reduzir”, ressalta Edmar. 

Para ele, o problema vai além da categoria médica e atinge, principalmente, a população. 

“Eu, pessoalmente, fui às UPAs e estava lotado de pacientes. Mesmo com todas as denúncias, da falta de condições, ela (Via Rio) preferiu tirar o médico do atendimento", observa.

Ele afirmou que, na visão dele, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem se tornado cada vez mais privatizado, já que prefeituras e o Governo do Estado vêm contratando empresas para gerir as unidades de saúde de Fortaleza e de outros municípios.

Segundo ele, essas empresas priorizariam o lucro, o que acabaria impactando a quantidade de profissionais em atuação. 

Durante a paralisação, o Sindicato informou que seria mantido o contingente mínimo de 30% dos profissionais para atender aos casos de urgência e emergência. 

Greve é suspensa após pressão, dizem médicos

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, a decisão de suspender a paralisação veio durante assembleia no final do dia de hoje, após vários médicos relatarem ameaças de demissão e coerção por parte de profissionais da Prefeitura e da empresa Viva Rio.  

“Foram momentos muito tensos durante o dia, e, obviamente, a população também sendo prejudicada. Os médicos gostam de atender, então, era um sofrimento muito grande também, porque muitos falam: "Poxa, cara, eu tô vendo a população precisando"”, destaca. 

Questionada sobre o ocorrido, a Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS) informou que, até o momento da publicação desta matéria, “nenhuma denúncia foi protocolada na ouvidoria da SMS”, e que aguarda mais informações para apurar os casos. 

A pasta também declarou, em nota, que “o atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros Vila Velha,Cristo Redentor e Bom Jardim segue normal neste sábado (25/10), com a presença de médicos e equipes multidisciplinares".

"A Organização Social Viva Rio, responsável pelo gerenciamento das unidades, foi notificada pela SMS para garantir o atendimento à população em caso de movimento grevista. O órgão esclarece ainda que não há  dívidas pendentes com a Organização Social Viva Rio. O último pagamento, no valor de cerca de R$ 6 milhões, foi realizado em 14/10”, informou. 

A empresa Viva Rio também foi procurada, mas ainda não retornou até a publicação desta matéria. Em caso de novas informações, este texto será atualizado. 

 

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