Unifor lança exposição e livro em homenagem aos 300 anos de Fortaleza: ‘Múltiplos olhares’
Mostra fica em cartaz ao longo de todo o ano.
Do Mercado dos Peixes à Ponte Velha, passando pela Barra do Ceará, o cemitério São João Batista e até as primeiras estruturas do Complexo Yolanda e Edson Queiroz, na avenida Washington Soares. Estas e mais dezenas de imagens agora estão disponíveis para contemplação em exposição lançada nesta terça-feira (14), na Universidade de Fortaleza.
“Fortaleza 300 anos – Unifor: a Cidade que Forma a Cidade” reúne 37 registros nos quais a capital cearense é protagonista absoluta. Pudera: no ano em que a metrópole celebra três séculos de existência, pareceu natural convocar artistas de diferentes visões para formar um amplo panorama imagético, repleto de forças, presenças e significados.
A iniciativa é da Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária (Virex) da Unifor, por meio da Divisão de Arte e Cultura.
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“Temos um lema na Unifor de promover exposições com fotografias impressas para a valorização dessa modalidade de fotografia. Isso é muito importante porque o aluno que vive no celular, o tempo todo curtindo fotos digitais, entende que ver uma foto em tamanho maior, impressa, traz outra experiência”, explica Jari Vieira, professor de fotografia da Unifor e curador da exposição – disponível no hall da biblioteca da universidade.
Ao todo, ele selecionou 18 fotógrafos para o momento e, ao optar pelo registro impresso, de fato pode conferir aos visitantes oportunidade ímpar de imersão estética. De repente, estamos praticamente ao lado do cantor Ednardo contemplando a extensão do Theatro José de Alencar; do outro, observamos o Mercado Central, a Catedral e o Forte de Nossa Senhora da Assunção sob perspectiva privilegiada: de cima.
“Procuramos valorizar a produção de alunos e profissionais que já passaram pela casa. Foi um trabalho prazeroso, mas muito difícil, tendo em vista a proposta de representar 300 anos de Fortaleza em algumas imagens. Essa cidade é feita de múltiplos olhares. A cada nova pessoa que aperta o botão e guarda aquele momento, é produzido um novo olhar sobre a Capital. Essa exposição, então, é uma pequena mostra do que pode ser”.
O editor de fotografia do Diário do Nordeste, Gustavo Pelizzon, e os fotógrafos Fabiane de Paula e Thiago Gadelha estão entre os profissionais com registros expostos na mostra. Além desse material em imagens, o e-book “Fortaleza em 300 palavras”, com crônicas sobre a Cidade, foi lançado nesta terça, iniciativa do curso de Jornalismo da Unifor.
Todas as Fortalezas
Pequena, mas muito vigorosa. Ao representar a Comunidade das Quadras, ou São Vicente de Paulo, no bairro Aldeota, o fotógrafo Jooão ficou feliz em ver o próprio trabalho exposto na mostra, sobretudo porque a imagem foi realizada por meio de celular, há 10 anos.
“Começar a fotografar de forma analógica e participar de uma exposição com um registro virtual é muito importante pra mim. E também mostrar um pouco dessa Fortaleza que eu vejo, com a beleza de uma Fortaleza sincera – da roupa quarando no varal, do meio da rua, das coisas acontecendo... Pra mim, essa é a real beleza da cidade”.
O publicitário Humberto Lopes – nascido no Pará, mas radicado em Fortaleza – é outro a festejar a presença no projeto. Em 2023, ao visitar alguém em um dos prédios na avenida Beira-Mar, percebeu uma fresta generosa pela qual era possível ver parte do mar da Cidade. Não deu outra: sacou a câmera, apertou o botão e fez nascer o encanto.
“O que mais me encanta em Fortaleza é a acessibilidade. Mesmo sendo uma capital, ela permite acesso ao mar, à serra, ao sertão... É uma diversidade de ambientes que me dá acessibilidade de alcance. Na foto que fiz, você consegue ver que é se trata de um ambiente urbano, mas que oferta acesso à natureza: esta é Fortaleza”.
Presente na mesa de lançamento da exposição e do e-book, o jornalista e memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, destacou as diferentes geografias e marcos históricos da metrópole de Alencar, reforçando o componente plural dela.
“Fortaleza hoje tem mais de 2,5 milhões de habitantes. Na época em que nasci, só tinha 150 mil. Apesar de ser uma grande cidade, comemorar a história dela é olhar para a Arquitetura, as Artes, para prédios que um dia já foram uma coisa e hoje são outra”, refletiu.
Levar o nome da cidade e festejá-la
Fato é que, ao cravar Fortaleza no próprio nome da instituição, a Unifor pretende lançar ainda mais visões sobre a cidade neste ano comemorativo. É o que adianta a vice-reitora de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor, Adriana Helena.
“O conceito das nossas atividades em comemoração aos 300 anos de Fortaleza parte da perspectiva de pensar a Universidade como esse lugar que forma pessoas; e essas pessoas formam a cidade há 53 anos a partir da Unifor. Isso nos tocou: como vamos contar um pouco de nossa parcela nessa história? É assim que nasce a exposição, o e-book e outros projetos em alusão à data”, detalha.
“É o que Edson Queiroz pensou quando inaugurou a Universidade de Fortaleza em 1973: levar desenvolvimento econômico, social e cultural para a cidade. Para que os fortalezenses não precisem mais sair daqui e ir para fora estudar, mas que possamos adquirir e produzir conhecimento aqui. O que a Unifor entrega para Fortaleza nestes 300 anos é o que Academia entrega: produção de conhecimento, inovação e contribuição social”.