Unifor lança exposição e livro em homenagem aos 300 anos de Fortaleza: ‘Múltiplos olhares’

Mostra fica em cartaz ao longo de todo o ano.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 17:09)
Na imagem, fotografia em plano médio de uma galeria de arte ou exposição fotográfica. Em primeiro plano, à direita, destaca-se uma obra retangular fixada em uma parede branca. A fotografia na obra apresenta uma composição surrealista: a parte superior mostra uma cidade costeira e uma ponte invertidas (de cabeça para baixo), com um homem saltando no ar em direção ao que seria o céu, mas que ocupa a maior parte inferior da imagem em um tom azul límpido com poucas nuvens. Abaixo do quadro, há uma pequena etiqueta de identificação com o nome Gustavo Pellizzon. Ao fundo, à esquerda e levemente desfocadas, duas mulheres observam outras obras expostas. Uma delas está de costas, veste uma regata branca e saia preta, segurando um guarda-chuva fechado. O ambiente é bem iluminado, com paredes brancas e um teto alto, sugerindo um espaço cultural moderno.
Legenda: Trinta e sete registros de 18 fotógrafos integram a mostra disponível no hall da biblioteca da Unifor.
Foto: Thiago Gadelha.

Do Mercado dos Peixes à Ponte Velha, passando pela Barra do Ceará, o cemitério São João Batista e até as primeiras estruturas do Complexo Yolanda e Edson Queiroz, na avenida Washington Soares. Estas e mais dezenas de imagens agora estão disponíveis para contemplação em exposição lançada nesta terça-feira (14), na Universidade de Fortaleza.

“Fortaleza 300 anos – Unifor: a Cidade que Forma a Cidade” reúne 37 registros nos quais a capital cearense é protagonista absoluta. Pudera: no ano em que a metrópole celebra três séculos de existência, pareceu natural convocar artistas de diferentes visões para formar um amplo panorama imagético, repleto de forças, presenças e significados. 

A iniciativa é da Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária (Virex) da Unifor, por meio da Divisão de Arte e Cultura.

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“Temos um lema na Unifor de promover exposições com fotografias impressas para a valorização dessa modalidade de fotografia. Isso é muito importante porque o aluno que vive no celular, o tempo todo curtindo fotos digitais, entende que ver uma foto em tamanho maior, impressa, traz outra experiência”, explica Jari Vieira, professor de fotografia da Unifor e curador da exposição – disponível no hall da biblioteca da universidade. 

Na imagem, uma fotografia de plano médio, tirada de um ângulo superior, mostra duas mulheres de costas observando uma fotografia em uma exposição de arte. A mulher à esquerda tem cabelos pretos e cacheados e veste uma regata branca; a mulher à direita tem o cabelo castanho preso em um coque e veste uma blusa preta com risca de giz. Elas olham para uma fotografia horizontal de uma paisagem urbana aérea, montada em um painel branco vertical. No centro do painel, abaixo da foto, há um logotipo preto pequeno. Ao redor, o ambiente da galeria é amplo, com piso de azulejos claros e iluminação de trilhos no teto. Ao fundo, outras pessoas circulam pela exposição, e grandes janelas de vidro mostram uma área externa arborizada e clara. O clima é de um evento cultural movimentado.
Legenda: Os registros são todos impressos e ficarão disponíveis ao longo de todo o ano.
Foto: Thiago Gadelha.

Ao todo, ele selecionou 18 fotógrafos para o momento e, ao optar pelo registro impresso, de fato pode conferir aos visitantes oportunidade ímpar de imersão estética. De repente, estamos praticamente ao lado do cantor Ednardo contemplando a extensão do Theatro José de Alencar; do outro, observamos o Mercado Central, a Catedral e o Forte de Nossa Senhora da Assunção sob perspectiva privilegiada: de cima.

“Procuramos valorizar a produção de alunos e profissionais que já passaram pela casa. Foi um trabalho prazeroso, mas muito difícil, tendo em vista a proposta de representar 300 anos de Fortaleza em algumas imagens. Essa cidade é feita de múltiplos olhares. A cada nova pessoa que aperta o botão e guarda aquele momento, é produzido um novo olhar sobre a Capital. Essa exposição, então, é uma pequena mostra do que pode ser”.

Na imagem, uma fotografia de plano médio mostra um grupo de oito pessoas — seis homens e duas mulheres — posando sorridentes em um ambiente de galeria de arte. Eles estão dispostos lado a lado à frente de um painel azul vibrante que contém textos institucionais sobre a
Legenda: Três fotógrafos do Diário do Nordeste participam da exposição, ao lado de vários outros artistas.
Foto: Divulgação.

O editor de fotografia do Diário do Nordeste, Gustavo Pelizzon, e os fotógrafos Fabiane de Paula e Thiago Gadelha estão entre os profissionais com registros expostos na mostra. Além desse material em imagens, o e-book “Fortaleza em 300 palavras”, com crônicas sobre a Cidade, foi lançado nesta terça, iniciativa do curso de Jornalismo da Unifor.

Todas as Fortalezas

Pequena, mas muito vigorosa. Ao representar a Comunidade das Quadras, ou São Vicente de Paulo, no bairro Aldeota, o fotógrafo Jooão ficou feliz em ver o próprio trabalho exposto na mostra, sobretudo porque a imagem foi realizada por meio de celular, há 10 anos.

“Começar a fotografar de forma analógica e participar de uma exposição com um registro virtual é muito importante pra mim. E também mostrar um pouco dessa Fortaleza que eu vejo, com a beleza de uma Fortaleza sincera – da roupa quarando no varal, do meio da rua, das coisas acontecendo... Pra mim, essa é a real beleza da cidade”.

Na imagem, fotografia de plano médio em ambiente de galeria. À esquerda, um homem de pele clara, óculos de armação tartaruga, barba curta e cabelos castanhos levemente grisalhos, olha para a câmera com um sorriso discreto. Ele veste um moletom branco com capuz, que traz no centro uma grande estampa amarela do ícone
Legenda: O fotógrafo Jooão registrou a Comunidade das Quadras, na Aldeota.
Foto: Thiago Gadelha.

O publicitário Humberto Lopes – nascido no Pará, mas radicado em Fortaleza – é outro a festejar a presença no projeto. Em 2023, ao visitar alguém em um dos prédios na avenida Beira-Mar, percebeu uma fresta generosa pela qual era possível ver parte do mar da Cidade. Não deu outra: sacou a câmera, apertou o botão e fez nascer o encanto. 

O que mais me encanta em Fortaleza é a acessibilidade. Mesmo sendo uma capital, ela permite acesso ao mar, à serra, ao sertão... É uma diversidade de ambientes que me dá acessibilidade de alcance. Na foto que fiz, você consegue ver que é se trata de um ambiente urbano, mas que oferta acesso à natureza: esta é Fortaleza”.

Na imagem, fotografia de plano médio em ângulo levemente de baixo para cima. À esquerda, um homem de pele clara, cabelos curtos castanhos e barba rala sorri para a câmera com os braços cruzados. Ele veste uma camiseta branca de gola redonda e usa um relógio digital preto no pulso esquerdo. À direita, em destaque, há uma obra fotográfica montada em um painel branco. A fotografia é vertical e possui uma moldura ou grafismo em preto com linhas horizontais vazadas, criando o efeito de
Legenda: Humberto Lopes representou parte do mar de Fortaleza enquadrado entre prédios.
Foto: Thiago Gadelha.

Presente na mesa de lançamento da exposição e do e-book, o jornalista e memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, destacou as diferentes geografias e marcos históricos da metrópole de Alencar, reforçando o componente plural dela.

“Fortaleza hoje tem mais de 2,5 milhões de habitantes. Na época em que nasci, só tinha 150 mil. Apesar de ser uma grande cidade, comemorar a história dela é olhar para a Arquitetura, as Artes, para prédios que um dia já foram uma coisa e hoje são outra”, refletiu. 

Levar o nome da cidade e festejá-la

Fato é que, ao cravar Fortaleza no próprio nome da instituição, a Unifor pretende lançar ainda mais visões sobre a cidade neste ano comemorativo. É o que adianta a vice-reitora de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor, Adriana Helena.

“O conceito das nossas atividades em comemoração aos 300 anos de Fortaleza parte da perspectiva de pensar a Universidade como esse lugar que forma pessoas; e essas pessoas formam a cidade há 53 anos a partir da Unifor. Isso nos tocou: como vamos contar um pouco de nossa parcela nessa história? É assim que nasce a exposição, o e-book e outros projetos em alusão à data”, detalha.

Na imagem, fotografia em plano aberto de um auditório lotado durante um evento acadêmico ou institucional. A imagem é capturada de uma perspectiva elevada, mostrando as fileiras de poltronas pretas ocupadas por uma plateia diversificada, vista majoritariamente de costas. À esquerda, no palco, uma mulher de cabelos loiros e óculos, vestindo uma blusa amarela e calça preta, fala ao microfone em um púlpito de madeira. A parede atrás dela é revestida por uma textura vermelha vibrante. Ao centro do palco, há painéis verticais azuis com o logotipo
Legenda: Lançamento da exposição e do e-book no auditório da Biblioteca da Unifor.
Foto: Thiago Gadelha.

Imagem mostra a primeira-dama de Fortaleza, Cristiane Sales Leitão, durante evento realizado na Unifor sobre lançamento de exposição e de livro em homenagem aos 300 anos de Fortaleza.
Legenda: Da esquerda para a direita: o curador da exposição, Jari Vieira; a vice-reitora de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor, Adriana Helena; a primeira-dama de Fortaleza, Cristiane Sales; o reitor da Unifor, Randal Pompeu; e outros colaboradores da exposição.
Foto: Ares Soares.

“É o que Edson Queiroz pensou quando inaugurou a Universidade de Fortaleza em 1973: levar desenvolvimento econômico, social e cultural para a cidade. Para que os fortalezenses não precisem mais sair daqui e ir para fora estudar, mas que possamos adquirir e produzir conhecimento aqui. O que a Unifor entrega para Fortaleza nestes 300 anos é o que Academia entrega: produção de conhecimento, inovação e contribuição social”.

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