Descubra 11 livros para celebrar a cultura nacional no Dia da Literatura Brasileira

A data 1º de maio foi escolhida para homenagear o nascimento de José de Alencar, considerado "pai da literatura brasileira".

Escrito por Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
01 de Maio de 2026 - 09:40
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Legenda: Obras abordam temáticas como busca pelo lugar no mundo, conflitos familiares e formas de explorar as paisagens.
Foto: Divulgação/Editora Record, Companhia das Letras e 34.

O Dia da Literatura Brasileira é celebrado nesta sexta-feira, 1º de maio, e busca relembrar a importância do incentivo à leitura e do acesso ao livro.

A data foi escolhida como uma forma de homenagear o nascimento do escritor cearense José de Alencar, considerado por muitos o "pai da literatura brasileira".

Em comemoração, o Diário do Nordeste organizou uma lista com 11 livros para celebrar a diversidade da produção nacional contemporânea.

As obras selecionadas possuem diferentes estilos, tendo romances, poesias e reportagens. Além disso, trabalham temas como memória, identidade, sexualidade e gênero.

"Um defeito de cor", por exemplo, é um livro que levantou diversas reflexões sobre a transformação social brasileira e o processo de escravização no Brasil. 

Lista dos 11 livros para Dia da Literatura Brasileira

  • Sul, de Veronica Stigger;
  • Ressuscitar mamutes, de Silvana Tavano;
  • Os imortais, da Paulliny Tort;
  • Cor de Defunto, de Cami di Malta;
  • Assim na terra como abaixo da terra, da Ana Paula Maia;
  • Vida Sortida, de Bernardo Ceccantini;
  • É quase como voltar pra casa, de Janaina Abilio;
  • A Linguagem dos Desastres, de Fabiane Guimarães;
  • Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex;
  • Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves;
  • Recapitulações, de Maria Valéria Rezende.

Sul, de Veronica Stigger

Veronica é professora dos cursos de pós-graduação em História da Arte e Fotografia da FAAP, em São Paulo.
Legenda: Veronica é professora dos cursos de pós-graduação em História da Arte e Fotografia da FAAP, em São Paulo.
Foto: Divulgação/Editora 34.

Não há livro ruim de Veronica Stigger. Em suas experimentações, sempre há algo que fica da leitura, por mais que por vezes possa parecer desafiador ao leitor desatento. A obra "Sul" reúne três textos: o conto "2035", a peça teatral "Mancha" e o poema "O coração dos homens".

Os gêneros distintos abordam temas como a perda da inocência e os desafios de crescer. No futuro distópico ou em diálogos absurdos, Veronica constrói seu livro e prende os leitores na narrativa. 

Ressuscitar mamutes, de Silvana Tavano

Neste livro, Silvana discute a perspectiva de
Legenda: Neste livro, Silvana discute a perspectiva de "ressuscitar passados, inventar futuros".
Foto: Divulgação/Editora Autêntica.

Não foi por acaso que "Ressuscitar mamutes", de Silvana Tavano, venceu o prêmio Oceanos 2025. A obra também foi finalista do prêmio São Paulo e Semifinalista do prêmio Jabuti 2025.

Nesse livro, a autora cruzou o tempo e a memória para construir uma narrativa sobre saudade, arrependimento e laços familiares. Uma mulher madura narra a história, mas precisa enfrentar conflitos e tensões envolvendo figuras familiares, principalmente o pai. 

Os imortais, de Paulliny Tort

Em
Legenda: Em "Os Imortais", a escritora narra a trajetória de um clã de neandertais em um cenário hostil.
Foto: Divulgação/Fósforo Editora.

Com "Os imortais", Paulliny Tort experimenta uma escrita diferente. Seu romance se assemelha a uma epopeia, acompanhando um clã de neandertais em um cenário hostil. As figuras centrais são conhecidas como Homem, Mulher e Velha.

O grupo atravessa territórios buscando sobreviver, mas logo incorporam uma criança sapiens ao clã. Como uma fábula da origem da humanidade, a obra é uma investigação das relações elementares entre os humanos. 

Cor de Defunto, de Cami di Malta

Cami di Malta é uma escritora cearense que tem
Legenda: Cami di Malta é uma escritora cearense que tem "Cor de Defunto" como livro de estreia.
Foto: Divulgação/Editora Autêntica.

Livro de estreia de Cami di Malta, "Cor de Defunto" acompanha a protagonista Lilá, que enfrenta o luto após a morte da mãe. Essa mulher, carregada de tristezas, trabalha em uma funerária maquiando os mortos.

Ela se sente morta, sem vida e, ao longo dos capítulos, os leitores acompanham a tentativa dela de encontrar sentido na vida. É uma escrita que prende, sendo recorrentes os comentários de leitores citarem que a leitura ocorreu de forma fluída e rápida. 

Assim na terra como abaixo da terra, de Ana Paula Maia

Romance narra o cotidiano de uma colônia penal isolada, contando com uma narrativa envolvente.
Legenda: Romance narra o cotidiano de uma colônia penal isolada, contando com uma narrativa envolvente.
Foto: Divulgação/Record.

"Assim na terra como abaixo da terra", de Ana Paula Maia, é ambientado em uma colônia penal isolada. O espaço está em vias de desativação, tendo sido inspirado em um modelo de detenção do qual nenhum preso jamais fugiria.

O objetivo inicial era socializar os detentos para reinseri-los na sociedade. No entanto, com o tempo, a colônia se transformou em um campo de extermínio.

Em seus últimos dias de funcionamento, o agente superior Melquíades inicia um jogo sinistro, começando a caçar os homens com seu rifle como se fossem animais selvagens e os presos precisam lutar para sobreviver. 

Vida Sortida, de Bernardo Ceccantini

Os poemas se inspiram em uma mistura de espaços e atmosferas, desde ruas e praças, a quartos e almoxarifados.
Legenda: Os poemas se inspiram em uma mistura de espaços e atmosferas, desde ruas e praças, a quartos e almoxarifados.
Foto: Divulgação/Editora 34.

O livro de poemas "Vida sortida", de Bernardo Ceccantini, reflete o amor do escritor pela descoberta dos espaços. Ele caminha e coleciona ruas, praças, bares, quartos, refeitórios e almoxarifados.

Tem um olhar atento às pequenas coisas, carregando consigo uma vontade andarilha. Em seus poemas repletos de lirismo, melancolia e graça, Bernardo traça ainda um diálogo com figuras como Manuel Bandeira, Antonioni, Frank O’Hara.

É quase como voltar pra casa, de Janaina Abilio

A protagonista Ava é assombrada pelo espírito da namorada e busca um lugar que se torne um lar.
Legenda: A protagonista Ava é assombrada pelo espírito da namorada e busca um lugar que se torne um lar.
Foto: Divulgação/Companhia das Letras.

Ava vive assombrada por fantasmas e não há como fugir. Assim, em "É quase como voltar pra casa", de Janaina Abílio, essa jovem precisa enfrentar o passado que lhe persegue. A história tem início quando Ava se depara com o fantasma da namorada Elaine pela primeira vez.

Ela, que ainda lida com a ausência do pai, começa uma jornada para tentar se aproximar da mãe, sendo guiada pelo espírito de Elaine e pelo corpo de Wilson, seu companheiro. A história aborda luto, separação da mãe, dinâmica racial e desejo sexual. 

A Linguagem dos Desastres, de Fabiane Guimarães

Livro é ambientado em uma Brasília marcada por secas, enchentes e queimadas.
Legenda: Livro é ambientado em uma Brasília marcada por secas, enchentes e queimadas.
Foto: Divulgação/Companhia das Letras.

O livro "A Linguagem dos Desastres", de Fabiane Guimarães, acontece em uma Brasília marcada por secas, enchentes e queimadas. Reflexo desse mundo em crise, o romance aborda presságios e sobrevivência.

Na obra, a protagonista Catarina, filha de uma artista plástica e um bancário pragmático, busca encontrar sentido em sua vida. Com uma sensibilidade única, ela passa a ver respostas em um velho baralho de tarô da mãe.

Solitária, Catarina se vê atraída por algum mistério de Augusto, que passa a morar na casa ao lado junto com a mãe. 

Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex

O livro
Legenda: O livro "Holocausto Brasileiro" recebeu o 2º lugar no Prêmio Jabuti 2014 na categoria Reportagem.
Foto: Divulgação/Intrínseca.

Escrito pela jornalista Daniela Arbex, o livro "Holocausto Brasileiro" é um trabalho cuidadoso, aprofundado e sensível sobre os horrores registrados no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, em Minas Gerais, no século XX.

O local costumava ser utilizado para limpeza social, recebendo pacientes com diagnóstico de doença mental, homossexuais, prostitutas, epiléticos, melancólicos, mães solteiras, meninas problemáticas, entre outros.

Esse é um relato essencial sobre um fato marcante da história do Brasil. Para a produção da obra, Daniela chegou a entrevistar ex-funcionários e sobreviventes, além de resgatar arquivos e notícias da época.

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

Obra inspirou o samba enredo da Portela, no Carnaval de 2024.
Legenda: Obra inspirou o samba enredo da Portela, no Carnaval de 2024.
Foto: Divulgação/Record.

"Um defeito de cor" é um dos clássicos da literatura contemporânea.

Escrito por Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), a obra conta a história de Kehinde, uma africana trazida para o Brasil na infância para ser escravizada.

Na juventude, a mulher comprou a própria liberdade e participou de movimentos relevantes para o povo negro. 

Recapitulações, de Maria Valéria Rezende

Livro passa por produções de Machado de Assis, Kafka e Guy de Maupassant.
Legenda: Livro passa por produções de Machado de Assis, Kafka e Guy de Maupassant.
Foto: Divulgação/Editora 34.

Em "Recapitulações", Maria Valéria Rezende buscou fazer um diálogo com autores clássicos da literatura. Ela traz Machado de Assis, José Saramago, Drummond, Cortázar e Kafka.

Longe de adotar um tom denso e cansativo, sua escrita aproxima os leitores desses grandes nomes, revelando bastidores do ofício do escritor.

Com muita criatividade e humor, ela propõe novos desfechos e releituras de histórias já consagradas, como "Dom Casmurro", "Fogo Morto" e "As armas secretas".