Descubra 11 livros para celebrar a cultura nacional no Dia da Literatura Brasileira
A data 1º de maio foi escolhida para homenagear o nascimento de José de Alencar, considerado "pai da literatura brasileira".
O Dia da Literatura Brasileira é celebrado nesta sexta-feira, 1º de maio, e busca relembrar a importância do incentivo à leitura e do acesso ao livro.
A data foi escolhida como uma forma de homenagear o nascimento do escritor cearense José de Alencar, considerado por muitos o "pai da literatura brasileira".
Em comemoração, o Diário do Nordeste organizou uma lista com 11 livros para celebrar a diversidade da produção nacional contemporânea.
As obras selecionadas possuem diferentes estilos, tendo romances, poesias e reportagens. Além disso, trabalham temas como memória, identidade, sexualidade e gênero.
"Um defeito de cor", por exemplo, é um livro que levantou diversas reflexões sobre a transformação social brasileira e o processo de escravização no Brasil.
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Lista dos 11 livros para Dia da Literatura Brasileira
- Sul, de Veronica Stigger;
- Ressuscitar mamutes, de Silvana Tavano;
- Os imortais, da Paulliny Tort;
- Cor de Defunto, de Cami di Malta;
- Assim na terra como abaixo da terra, da Ana Paula Maia;
- Vida Sortida, de Bernardo Ceccantini;
- É quase como voltar pra casa, de Janaina Abilio;
- A Linguagem dos Desastres, de Fabiane Guimarães;
- Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex;
- Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves;
- Recapitulações, de Maria Valéria Rezende.
Sul, de Veronica Stigger
Não há livro ruim de Veronica Stigger. Em suas experimentações, sempre há algo que fica da leitura, por mais que por vezes possa parecer desafiador ao leitor desatento. A obra "Sul" reúne três textos: o conto "2035", a peça teatral "Mancha" e o poema "O coração dos homens".
Os gêneros distintos abordam temas como a perda da inocência e os desafios de crescer. No futuro distópico ou em diálogos absurdos, Veronica constrói seu livro e prende os leitores na narrativa.
Ressuscitar mamutes, de Silvana Tavano
Não foi por acaso que "Ressuscitar mamutes", de Silvana Tavano, venceu o prêmio Oceanos 2025. A obra também foi finalista do prêmio São Paulo e Semifinalista do prêmio Jabuti 2025.
Nesse livro, a autora cruzou o tempo e a memória para construir uma narrativa sobre saudade, arrependimento e laços familiares. Uma mulher madura narra a história, mas precisa enfrentar conflitos e tensões envolvendo figuras familiares, principalmente o pai.
Os imortais, de Paulliny Tort
Com "Os imortais", Paulliny Tort experimenta uma escrita diferente. Seu romance se assemelha a uma epopeia, acompanhando um clã de neandertais em um cenário hostil. As figuras centrais são conhecidas como Homem, Mulher e Velha.
O grupo atravessa territórios buscando sobreviver, mas logo incorporam uma criança sapiens ao clã. Como uma fábula da origem da humanidade, a obra é uma investigação das relações elementares entre os humanos.
Cor de Defunto, de Cami di Malta
Livro de estreia de Cami di Malta, "Cor de Defunto" acompanha a protagonista Lilá, que enfrenta o luto após a morte da mãe. Essa mulher, carregada de tristezas, trabalha em uma funerária maquiando os mortos.
Ela se sente morta, sem vida e, ao longo dos capítulos, os leitores acompanham a tentativa dela de encontrar sentido na vida. É uma escrita que prende, sendo recorrentes os comentários de leitores citarem que a leitura ocorreu de forma fluída e rápida.
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Assim na terra como abaixo da terra, de Ana Paula Maia
"Assim na terra como abaixo da terra", de Ana Paula Maia, é ambientado em uma colônia penal isolada. O espaço está em vias de desativação, tendo sido inspirado em um modelo de detenção do qual nenhum preso jamais fugiria.
O objetivo inicial era socializar os detentos para reinseri-los na sociedade. No entanto, com o tempo, a colônia se transformou em um campo de extermínio.
Em seus últimos dias de funcionamento, o agente superior Melquíades inicia um jogo sinistro, começando a caçar os homens com seu rifle como se fossem animais selvagens e os presos precisam lutar para sobreviver.
Vida Sortida, de Bernardo Ceccantini
O livro de poemas "Vida sortida", de Bernardo Ceccantini, reflete o amor do escritor pela descoberta dos espaços. Ele caminha e coleciona ruas, praças, bares, quartos, refeitórios e almoxarifados.
Tem um olhar atento às pequenas coisas, carregando consigo uma vontade andarilha. Em seus poemas repletos de lirismo, melancolia e graça, Bernardo traça ainda um diálogo com figuras como Manuel Bandeira, Antonioni, Frank O’Hara.
É quase como voltar pra casa, de Janaina Abilio
Ava vive assombrada por fantasmas e não há como fugir. Assim, em "É quase como voltar pra casa", de Janaina Abílio, essa jovem precisa enfrentar o passado que lhe persegue. A história tem início quando Ava se depara com o fantasma da namorada Elaine pela primeira vez.
Ela, que ainda lida com a ausência do pai, começa uma jornada para tentar se aproximar da mãe, sendo guiada pelo espírito de Elaine e pelo corpo de Wilson, seu companheiro. A história aborda luto, separação da mãe, dinâmica racial e desejo sexual.
A Linguagem dos Desastres, de Fabiane Guimarães
O livro "A Linguagem dos Desastres", de Fabiane Guimarães, acontece em uma Brasília marcada por secas, enchentes e queimadas. Reflexo desse mundo em crise, o romance aborda presságios e sobrevivência.
Na obra, a protagonista Catarina, filha de uma artista plástica e um bancário pragmático, busca encontrar sentido em sua vida. Com uma sensibilidade única, ela passa a ver respostas em um velho baralho de tarô da mãe.
Solitária, Catarina se vê atraída por algum mistério de Augusto, que passa a morar na casa ao lado junto com a mãe.
Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex
Escrito pela jornalista Daniela Arbex, o livro "Holocausto Brasileiro" é um trabalho cuidadoso, aprofundado e sensível sobre os horrores registrados no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, em Minas Gerais, no século XX.
O local costumava ser utilizado para limpeza social, recebendo pacientes com diagnóstico de doença mental, homossexuais, prostitutas, epiléticos, melancólicos, mães solteiras, meninas problemáticas, entre outros.
Esse é um relato essencial sobre um fato marcante da história do Brasil. Para a produção da obra, Daniela chegou a entrevistar ex-funcionários e sobreviventes, além de resgatar arquivos e notícias da época.
Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
"Um defeito de cor" é um dos clássicos da literatura contemporânea.
Escrito por Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), a obra conta a história de Kehinde, uma africana trazida para o Brasil na infância para ser escravizada.
Na juventude, a mulher comprou a própria liberdade e participou de movimentos relevantes para o povo negro.
Recapitulações, de Maria Valéria Rezende
Em "Recapitulações", Maria Valéria Rezende buscou fazer um diálogo com autores clássicos da literatura. Ela traz Machado de Assis, José Saramago, Drummond, Cortázar e Kafka.
Longe de adotar um tom denso e cansativo, sua escrita aproxima os leitores desses grandes nomes, revelando bastidores do ofício do escritor.
Com muita criatividade e humor, ela propõe novos desfechos e releituras de histórias já consagradas, como "Dom Casmurro", "Fogo Morto" e "As armas secretas".