Diretor de 'Barba Ensopada de Sangue' revela 'olhar de fã' para adaptar livro aos cinemas

Aly Muritiba lançou longa no início do último mês de abril e celebra resultado da obra cinematográfica.

Escrito por
Mylena Gadelha mylena.gadelha@svm.com.br
Legenda: Filme traz Gabriel Leone no papel de Gabriel, um professor de natação misterioso e taciturno.
Foto: Divulgação.

A transição do livro "Barba Ensopada de Sangue", escrito por Daniel Galera, para as telas do cinema exigiu de Aly Muritiba, diretor do longa, um olhar de fã e, simultaneamente, de autor. O filme estreou no início deste mês nos cinemas brasileiros, mas, como ele conta, é trabalho antigo, planejado há tempos.

"Desde o começo, eu tinha plena consciência de que adaptar é mudar as coisas, mas deixar dentro o essencial à obra. É também criar lacunas, criar espaços para poder agir como roteirista", contou o diretor em entrevista ao Diário do Nordeste após o lançamento.

O processo envolve escolhas complexas, conforme explicou Aly, que também disse ter escolhido deixar a essência de tudo o "que o tocou profundamente ao ler o livro", justamente para preservar a emoção literária e trazê-la para as telas.

Veja o trailer:

A adaptação cinematográfica de "Barba Ensopada de Sangue" conta a jornada do personagem Gabriel, vivido pelo ator Gabriel Leone, que parte para a praia da Armação de Búzios, no Rio de Janeiro, após o falecimento do pai, em busca das próprias origens. No local, a figura misteriosa do avô, um esqueleto de baleia e o comportamento dos moradores sobre um desejo de enterrar o passado acabam criando uma atmosfera de thriller na obra.

"Minha direção do filme vai nesse sentido. É um thriller mais sombrio, com um personagem um pouco mais taciturno. Eu identifiquei que, de certa maneira, o livro continha, dentre várias histórias, a história de luto e de superação de um personagem que estava tentando se entender no mundo", relatou Muritiba.

Segundo ele, foi essa mudança de tom, separando as obras literária e cinematográfica, o fator responsável por permitir uma abordagem em primeiro plano da jornada interna de Gabriel, o protagonista repleto de mistérios.

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Nesse caminho, o diretor optou por diversos caminhos para imprimir o tom mais "sombrio" da produção. "O livro já tinha essa atmosfera mais lúgubre, já que se passa, em boa parte, num período de baixa temporada de uma praia no sul do Brasil. Então, peguei essa atmosfera e a elevei à sua potência para algo ainda mais denso. Comprimi o período de tempo do personagem na cidade, maximizei o peso dramático das cenas, fiz muitas delas noturnas e escolhi dias muito nublados para filmar", revelou.

Desafios da produção

Aly Muritiba conta que até as locações das filmagens foram pensadas nesse sentido. Em uma busca por um espaço que "expressasse a pequenez do homem diante da natureza", as gravações do filme foram levadas até a Baía de Cananéia, no litoral sul de São Paulo.

Mas os desafios também surgiram nesse caminho. "Não foi nada fácil filmar ali. Filmar no mar aberto, em praias, em montanhas exige muito fisicamente da equipe. Ficamos muito à mercê das intempéries. Foi um desafio gigantesco, mas eu acho que resultou num filme belíssimo, que sustenta essa ideia de que nós somos muito pequenos diante do oferecido pela natureza", pontuou.

Outro entrave foi a demora para que o projeto do filme saísse, finalmente, do papel. Segundo o diretor, entretanto, até a espera contribuiu para o resultado final dele.

No fim, ele também reforçou, citando as escolhas e o resultado: tudo aconteceu da forma que deveria. "Essa demora foi importante para eu formar o meu olhar como diretor, para escrever melhores versões do roteiro e também para ter o elenco que eu tive. Não foi uma espera escolhida. Foi, por algum tempo, lamentada, mas hoje sinto que foi positiva", finalizou.

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