'O Diabo Veste Prada 2' segue fórmula do anterior e continua carismático; veja resenha
Novo longa, continuação do clássico de 2006, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30).
Clássico é clássico. Ninguém duvidaria se disséssemos, como bons fãs de cultura pop, que "O Diabo Veste Prada" se tornou um deles há tantos anos, quando em 2006 virou febre em todo o mundo. Talvez por isso tantos questionamentos tenham surgido com a confirmação da continuação do longa, uma espécie de revival, algo bem comum nos últimos tempos. Mas como mexer em um "clássico" sem perder a memória afetiva criada em torno dele?
A fórmula nem deve ser simples, já que muitas continuações deram certo e errado ao longo do tempo. Em "O Diabo Veste Prada 2", que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30), o que funciona é o seguinte conjunto: personagens carismáticos, uma história apegada ao ritmo da original, boas referências ao clássico e um roteiro mais simples.
Veja o trailer de "O Diabo Veste Prada 2":
Não adianta esperar deste filme algo tão inventivo, e talvez esteja aí o acerto. Desde o início da projeção, não leva tanto tempo para relembrar os personagens icônicos em cena. O espectador logo reconhece os trejeitos de cada um deles, sabe como eles devem agir e onde está o humor ou tensão em cada um dos diálogos.
Atores brilham no essencial
Parte do êxito passa pelas mãos de Anne Hathaway, Meryl Streep, Stanley Tucci e Emily Blunt. De volta como Andy, Miranda, Nigel e Emily, os quatro continuam tão carismáticos e parecem não ter tido trabalho algum para remontar a química existente na configuração entre tais personagens.
Claro, as histórias deles mudaram e, assim, alguns acontecimentos são mostrados ao espectador para deixar clara a janela de vinte anos que separa o primeiro filme do segundo.
No entanto, dentro das circunstâncias apresentadas, é quase como se tivéssemos acompanhado o desenrolar da vida de cada um deles, vendo de longe o amadurecer e as transformações.
Andy continua envolvida com o exercício do jornalismo e apaixonada pela função. Miranda continua irredutível, uma força da natureza, um "monstro" da moda. Nigel, por sua vez, é o mesmo profissional competente, fiel à própria chefe, mas ainda cheio de possibilidades. Enquanto Emily, agora mais "poderosa", continua em busca de aprovação a qualquer custo.
Atualização da história é ponto positivo
E, enquanto todas essas histórias parecem ter mudado nas duas últimas décadas, o mundo, sem dúvidas, também mudou. Um dos detalhes mais claros neste novo roteiro fica mesmo por conta do jornalismo e de como os veículos se adaptaram às novas circunstâncias de mercado.
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Andy é a primeira a falar sobre o tema no filme, e é justamente por meio dela que este fator vira uma questão. A partir daí, todas as revoluções ocorridas na Runway continuam por meio disso, em uma espécie de esclarecimento para entender a nova realidade das publicações semelhantes à revista fictícia no mundo de hoje.
Nesse meio, claro, a moda continua a brilhar. As cenas mais deslumbrantes remontam às clássicas caminhadas de Andy em looks de grife, algo que também traz o ingrediente nostálgico ao filme.
"O Diabo Veste Prada 2" deve ganhar o espectador em uma junção de tudo. Faz homenagem ao original, expande o universo dos personagens e funciona como o produto da obra clássica. Não é uma obra magnífica, vale dizer. Mas, no fim das contas, diverte e não perde o posto de bom entretenimento, o que, por si só, já é mais do que positivo.