Morre aos 76 anos Wilson Cirino, músico da geração Pessoal do Ceará

Ele estava internado há 15 dias em hospital particular da capital cearense.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:53)
Wilson Cirino estava hospitalizado em Fortaleza há 15 dias.
Legenda: Wilson Cirino estava hospitalizado em Fortaleza há 15 dias.
Foto: Reprodução/YouTube

A música cearense amanheceu de luto nesta terça-feira (28) com a morte do violonista, compositor e arranjador Wilson Cirino, um dos nomes do “Pessoal do Ceará” e parceiro de artistas como Raimundo Fagner, Belchior, Rodger Rogério e Téti. O músico estava internado há 15 dias no Hospital São Raimundo, em Fortaleza, onde tratava um câncer de pulmão.

Cirino era considerado um dos protagonistas do movimento que, a partir dos anos 1970, buscou espaço em centros como Rio de Janeiro e São Paulo, ampliando a visibilidade da produção musical do Ceará.

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Solange Benevides, esposa do artista, comentou a perda. “Hoje eu perdi meu companheiro de vida. Meu melhor amor. Ele lutou como um bravo guerreiro, mas não suportou mais. Cirino, você foi amado demais. E agora me deixa com esse vazio enorme no peito, do tamanho da falta que você faz".

O velório e o sepultamento devem ocorrer no Memorial Sol Poente, em Caucaia, com horários ainda a serem confirmados.

Trajetória marcada por pioneirismo

Belchior é parceiro de Cirino na composição 'Três Vãos' - LP Moenda produzido pela RCA (1981). Na foto Cirino, Belchior e Ezequiel. Circo Voador - Rio de Janeiro  (1990).
Legenda: Belchior é parceiro de Cirino na composição 'Três Vãos' - LP Moenda produzido pela RCA (1981). Na foto Cirino, Belchior e Ezequiel. Circo Voador - Rio de Janeiro (1990).
Foto: Reprodução/Facebook.

Nascido em Aracati, no litoral leste do Ceará, em 1º de abril de 1950, Wilson Cirino construiu uma carreira marcada pelo pioneirismo e pela colaboração com nomes centrais da música brasileira.

Ainda no início dos anos 1970, lançou seu primeiro compacto ao lado de Fagner, com as faixas “Copa luz” e “A nova conquista”, marcando a estreia fonográfica de ambos. 

Ao longo da carreira, assinou parcerias com diversos artistas e teve composições gravadas por intérpretes como Simone. Também atuou como arranjador, com destaque para trabalhos ligados à cena cearense.

Cirino lançou discos como Moenda (1979) e Estrela Ferrada (1981), consolidando um estilo próprio que transitava entre o regional e o experimental. Sua atuação foi decisiva na consolidação do “Pessoal do Ceará” como um dos movimentos mais relevantes da música brasileira.

Evento com presença de Jorge Mello, Fagner e Wilson Cirino no final dos anoa 1970.
Legenda: Evento com presença de Jorge Mello, Fagner e Wilson Cirino no final dos anoa 1970.
Foto: Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, mesmo enfrentando problemas de saúde, o artista permaneceu ativo. Em 2022, teve sua trajetória revisitada no livro "Entre Velas e Tubarões", escrito pela esposa. Até poucos dias antes de morrer, seguia lúcido, relembrando histórias da carreira e acompanhando iniciativas em sua homenagem. 

Show coletivo celebra obra do artista 

Um show coletivo, marcado para o dia 9 de maio no Teatro Carlos Câmara, em Fortaleza, marcado antes do falecimento de Cirino, está mantido e deve se transformar em tributo à memória e à obra de Wilson Cirino, reunindo músicos cearenses de diferentes gerações. 

"Moenda – Um Show Coletivo Solidário para Wilson Cirino" acontece no dia 9 de maio, às 18h. Os ingressos estão disponíveis no Sympla por R$50,00 (Inteira) e R$25,00 (Meia).

 

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