Morre aos 76 anos Wilson Cirino, músico da geração Pessoal do Ceará
Ele estava internado há 15 dias em hospital particular da capital cearense.
A música cearense amanheceu de luto nesta terça-feira (28) com a morte do violonista, compositor e arranjador Wilson Cirino, um dos nomes do “Pessoal do Ceará” e parceiro de artistas como Raimundo Fagner, Belchior, Rodger Rogério e Téti. O músico estava internado há 15 dias no Hospital São Raimundo, em Fortaleza, onde tratava um câncer de pulmão.
Cirino era considerado um dos protagonistas do movimento que, a partir dos anos 1970, buscou espaço em centros como Rio de Janeiro e São Paulo, ampliando a visibilidade da produção musical do Ceará.
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Solange Benevides, esposa do artista, comentou a perda. “Hoje eu perdi meu companheiro de vida. Meu melhor amor. Ele lutou como um bravo guerreiro, mas não suportou mais. Cirino, você foi amado demais. E agora me deixa com esse vazio enorme no peito, do tamanho da falta que você faz".
O velório e o sepultamento devem ocorrer no Memorial Sol Poente, em Caucaia, com horários ainda a serem confirmados.
Trajetória marcada por pioneirismo
Nascido em Aracati, no litoral leste do Ceará, em 1º de abril de 1950, Wilson Cirino construiu uma carreira marcada pelo pioneirismo e pela colaboração com nomes centrais da música brasileira.
Ainda no início dos anos 1970, lançou seu primeiro compacto ao lado de Fagner, com as faixas “Copa luz” e “A nova conquista”, marcando a estreia fonográfica de ambos.
Ao longo da carreira, assinou parcerias com diversos artistas e teve composições gravadas por intérpretes como Simone. Também atuou como arranjador, com destaque para trabalhos ligados à cena cearense.
Cirino lançou discos como Moenda (1979) e Estrela Ferrada (1981), consolidando um estilo próprio que transitava entre o regional e o experimental. Sua atuação foi decisiva na consolidação do “Pessoal do Ceará” como um dos movimentos mais relevantes da música brasileira.
Nos últimos anos, mesmo enfrentando problemas de saúde, o artista permaneceu ativo. Em 2022, teve sua trajetória revisitada no livro "Entre Velas e Tubarões", escrito pela esposa. Até poucos dias antes de morrer, seguia lúcido, relembrando histórias da carreira e acompanhando iniciativas em sua homenagem.
Show coletivo celebra obra do artista
Um show coletivo, marcado para o dia 9 de maio no Teatro Carlos Câmara, em Fortaleza, marcado antes do falecimento de Cirino, está mantido e deve se transformar em tributo à memória e à obra de Wilson Cirino, reunindo músicos cearenses de diferentes gerações.
"Moenda – Um Show Coletivo Solidário para Wilson Cirino" acontece no dia 9 de maio, às 18h. Os ingressos estão disponíveis no Sympla por R$50,00 (Inteira) e R$25,00 (Meia).