Instituições culturais cearenses representam o Estado no Festival de Cannes

Programações do prestigiado evento francês contam com presença de representantes da Secretaria da Cultura de Fortaleza e do Museu da Imagem e do Som do Ceará, por exemplo.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
Legenda: Secretária da Cultura de Fortaleza Helena Barbosa e diretor do Instituto Ibero Culturas Paulo Feitosa representam a Fortaleza Film Commission no Festival de Cannes.
Foto: Divulgação.

Apesar de não contar com produções vindas do Estado na seleção do Festival de Cannes de 2026, o Ceará se faz presente no prestigiado evento francês com a presença de representantes de instituições culturais cearenses na programação.

Além das mostras competitivas, Cannes realiza inúmeras iniciativas paralelas que incluem eventos de mercado e networking voltados não apenas ao cinema, mas a outras instâncias do audiovisual. A 79ª edição do festival segue até o próximo dia 23. 

Entre os representantes cearenses no evento, estão a secretária da Cultura de Fortaleza, Helena Barbosa, a diretora do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE), Natasha Faria, e o diretor do Instituto Ibero Culturas, Paulo Feitosa.

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“Traga sua história para Fortaleza”

As agendas da gestora da Secultfor e do diretor do Ibero Culturas foram ligadas à participação no chamado Marché du Film (ou “mercado de filmes”, em tradução ao português), um dos maiores eventos de mercado do audiovisual do mundo, que existe desde 1959. Nele, nomes do setor discutem negócios, colaborações financeiras e de distribuição.

Na edição de 2026 do Marché du Film, o Ibero Culturas e a Secultfor cumpriram agenda ligada ao fortalecimento mundial da Fortaleza Film Commission e do Programa de Difusão e Internacionalização das Artes Ibero-Americanas, do instituto.

"A agenda de Cannes consiste numa relação de internacionalização dos produtos criativos ligados ao audiovisual construído na cidade de Fortaleza, mas em especial na atuação, implementação e fortalecimento da film commission no âmbito nacional e no âmbito internacional", explica a secretária à coluna.

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Criada em abril no âmbito municipal, a film commission busca intermediar a relação entre produtoras e órgãos municipais para dar suporte à logística de filmagens em espaços públicos, além de buscar atrair para Fortaleza gravações de produções nacionais e até internacionais.

A presença em Cannes contou com encontros de Helena e Paulo com iniciativas e profissionais de todo o mundo, incluindo film commissions, festivais e entidades de gestão cultural como:

  • RioFilme
  • SPCine
  • Festival do Rio
  • Festival de Cartagena
  • Secretaria de cultura de Buenos Aires 
  • Associação Europeia de Distribuidores 
  • Film in Peru (film commission do país) 
  • Ministério da Cultura da Indonésia

Conforme adianta Helena Barbosa à coluna, uma série de encaminhamentos estiveram em pauta, inclusive para a realização de um evento de apresentação de Fortaleza e das potencialidades do audiovisual da cidade para figuras do País e do mundo.

"Receber essas pessoas na cidade de Fortaleza, fazer uma mostra, uma conversa com essas pessoas, com foco técnico e executivo em cima da nossa film commission. Como é que a gente pode trocar em relação ao nosso desenvolvimento, levar pessoas desses festivais internacionais que têm interesse na cidade, como Cartagena e Buenos Aires, e querem se conectar com Fortaleza?"
Helena Barbosa
Secretária da Cultura de Fortaleza

A Capital, segundo a secretária, foi "uma das cidades mais procuradas para conexões de residência, intercâmbio, cooperação. Isso foi muito bacana de atestar".

"São possibilidades de correalizações, coproduções, intercâmbio de artistas, residências. A gente vai tentar reunir essas pessoas, já agora em julho, para que se discuta um plano ainda mais efetivo dessas categorias no audiovisual de Fortaleza com o Brasil e com o mundo", 

Um totem publicitário de quatro faces destaca as marcas da revista Variety e da Fortaleza Film Commission nos corredores de um pavilhão com carpete azul. Uma das faces exibe o logotipo da Variety sobre uma foto de um pôr do sol litorâneo, enquanto a face ao lado, em tons de branco e laranja, traz a imagem de um jovem jogando futebol e informações institucionais sobre Fortaleza.
Legenda: Banners de divulgação da Fortaleza Film Commission foram colocados no espaço físico do Marché du Film, em Cannes.
Foto: Divulgação.

A campanha de apresentação da Fortaleza Film Commission no Marché du Film incluiu materiais de divulgação que destacam diferenciais da Capital, como as diversidades de paisagens e a luz natural.

"Filme onde a luz nunca falha", diz um dos “slogans”. "Filme em um destino tropical e urbano, diversificado e pronto para produção", convida outro texto.

"Localização estratégica”, “paisagens únicas”, “mais de 300 dias de sol por ano” e “apoio público institucional” são outros aspectos elencados.

MIS CE é única instituição brasileira em evento de curadoria

Já nesta semana, outra representação cearense vai se somar a programações paralelas do Festival de Cannes. No dia 20, Natasha Faria, diretora do Museu da Imagem e do Som do Ceará, participa de um debate na Curators Network, iniciativa voltada à arte imersiva no evento francês.

A rede é descrita como um “grupo cuidadosamente selecionado de curadores de museus, instituições culturais e espaços de entretenimento temáticos de renome”. O MIS CE é a única instituição brasileira convidada a compor a Curators Network.

Visitantes observam uma projeção monumental de um olho humano em tons vibrantes de azul e verde durante a mostra 'Ocupa MIS', no Museu da Imagem e do Som do Ceará. As silhuetas das pessoas em primeiro plano contrastam com a iluminação artística, criando uma experiência imersiva de cores e formas em um ambiente escurecido.
Legenda: Museu da Imagem e do Som do Ceará participa de programação ligada à arte imersiva no Festival de Cannes; na foto, registro de obra imersiva feita a partir do OcupaMIS.
Foto: Fernanda Siebra / Divulgação.

A diretora Natasha Faria é uma das palestrantes da fala “O Papel Subestimado dos Espaços Culturais Latino-Americanos”, que reflete o lugar da região no contexto global da arte imersiva. 

A cearense participa do momento ao lado da produtora argentina María Silvia Esteve e da curadora chilena Florencia Larrea.

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Segundo Natasha, o convite é "um reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido em obras imersivas no MIS CE desde a ampliação e reabertura, em março de 2022, e ao investimento contínuo em políticas públicas de incentivo à cultura".

A gestora destaca que editais específicos para a realização de obras, como o OcupaMIS Multilinguagem, o Ateliê de Criação - Tecnologias Transvestigêneres e o Conexão Criativa, "ampliam as possibilidades de criação no Estado e no Brasil".

"É uma honra sermos o único museu brasileiro presente em um evento de porte internacional que vai ampliar as oportunidades de aprendizado e de intercâmbio da instituição. Nossa expectativa é viabilizar parcerias do MIS CE com iniciativas relacionadas às artes imersivas em outros países"
Natasha Faria
Diretora do MIS CE

Ceará em Cannes

Em 2026, além das representações institucionais, vale ressaltar que o ator cearense Démick Lopes participa do longa "Seis Meses no Prédio Rosa e Azul", coprodução México-Brasil-Dinamarca que está na competição da mostra paralela Semana da Crítica.

Desde 2024, no entanto, o Ceará tem marcado presença anual no Festival de Cannes de diferentes formas. Aquele ano marcou a primeira vez que um filme do Estado, com equipe e elenco cearenses, competiu pela Palma de Ouro, o prêmio da principal mostra do evento. 

"Motel Destino", dirigido por Karim Aïnouz e protagonizado por Nataly Rocha e Iago Xavier, foi o representante oficial na ocasião.

Já em 2025, uma parceria entre o Ceará e a Quinzena de Cineastas promoveu a exibição de quatro curtas gravados no Estado na abertura da mostra paralela.

Também no ano passado, houve representação cearense de novo na competição principal, a partir da presença dos atores Robério Diógenes e Geane Albuquerque em "O Agente Secreto", que estreou na disputa pela Palma de Ouro de 2025.

Antes das presenças mais constantes e de destaque dos anos recentes, o Ceará esteve no Festival de Cannes pelo menos desde 1953, ano em que “O Cangaceiro”, filme de Lima Barreto premiado no evento, trouxe diálogos criados pela escritora Rachel de Queiroz.

Um histórico da participação cearense no evento francês, sem pretensões de ser definitivo, foi esboçado pela coluna há dois anos.

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