Dia Mundial do Livro: conheça 10 livros essenciais para quem quer se tornar um escritor

Livros revelam os bastidores da criação literária, incluindo técnicas e processos de organização.

Escrito por
Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
Imagem com os livros pensar com as mãos, ser escritor e escrever, para lista do Dia Mundial do Livro: Conheça 10 livros sobre o ofício da escrita.
Legenda: O Dia Mundial do Livro é celebrado dia 23 de abril.
Foto: Divulgação.

É preciso ser mais forte que aquilo que se escreve. Assim disse Marguerite Duras sobre o ofício da escrita. A romancista citava que havia algo de selvagem nas palavras, que os leitores reconhecem na leitura. Em celebração ao Dia Mundial do Livro, comemorado neste 23 de abril, o Diário do Nordeste organizou uma lista sobre livros que falam sobre o processo de escrita.

Para além das páginas prontas, existe um caminho feito de dúvidas, reescritas e descobertas que nem sempre chega ao leitor. Murakami destaca que, ao fazer um romance, os escritores convertem em narrativa o que existe no interior de sua consciência. É um processo a ser executado em velocidade baixa, em marcha lenta. Errar, experimentar. Descobrir seu estilo nas tentativas. 

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A escritora brasileira Marília Garcia, por sua vez, explica que alguns textos fundam outros mundos e outras formas de estar no mundo. Enquanto Umberto Eco evidencia que a escrita se constrói também fora do papel: “reúno documentos, visito lugares e traço mapas; tomo nota da planta de prédios, ou talvez de um navio. Estou sempre focado em capturar ideias, imagens e palavras para minha história”.

Descubra 10 livros sobre escrita 

O Diário do Nordeste reuniu 10 livros que mergulham no ofício da escrita e revelam os bastidores da criação literária. Confira:

  • Pensar com as mãos, de Marília Garcia;
  • Escrita em movimento: Sete princípios do fazer literário, de Noemi Jaffe;
  • Ser escritor: Liberdade e consciência na criação literária, de Roberto Taddei;
  • Escrever, de Marguerite Duras;
  • Um bom par de sapatos e um caderno de anotações, de Anton Tchékhov;
  • Confissões de um jovem romancista, de Umberto Eco;
  • Romancista como vocação, de Haruki Murakami;
  • Um pato amado é assado: Ensaios práticos sobre práticas de escrita, de Lydia Davis;
  • Estudos em Escrita Criativa no Brasil, organizado por Patricia Gonçalves Tenório;
  • Sobre a ficção, de Ricardo Viel.

1. Pensar com as mãos, de Marília Garcia

Capa do livro Pensar com as mãos, de Marília Garcia.
Legenda: Livro "Pensar com as mãos" foi lançado em maio de 2025.
Foto: Divulgação/WMF Martins Fontes.

O livro "Pensar com as mãos", de Marília Garcia, constrói uma escrita em camadas, que convida o leitor a pensar com o corpo inteiro. "Escrever é olhar com as mãos, manejar, moldar, pensar, procurar as frases, anotar os versos, experimentar, testar”, escreve Marília em um dos primeiros capítulos do livro, publicado pela editora WMF Martins Fontes.

A obra reúne reflexões da autora sobre o fazer poético a partir de sua própria prática, tratando a escrita como um processo físico e experimental. Ela traz diversas referências, como William Carlos Williams, Laurie Anderson, Dora Ribeiro e Victor Heringer. Os ensaios são uma tentativa de transmitir a experiência da escrita poética.

2. Escrita em movimento: Sete princípios do fazer literário, de Noemi Jaffe 

Imagem de capa do livro Escrita em movimento: Sete princípios do fazer literário, de Noemi Jaffe.
Legenda: Obra de Noemi busca apresentar um panorama amplo da escrita contemporânea.
Foto: Divulgação/Companhia das Letras.

Noemi Jaffe é uma das grandes referências da literatura brasileira, sendo conhecida por dar aulas sobre Escrita Criativa em diversos espaços de ensino, incluindo a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em "Escrita em movimento: Sete princípios do fazer literário", a vencedora do Prêmio Brasília de Literatura de 2014 aborda a prática e o processo de construção de uma obra. 

A autora articula memória, leitura e experiência pessoal. Ao invés de apresentar truques de um manual, Noemi pensa a escrita de forma aberta e livre, trazendo entrevista com diferentes autores de destaque, como Beatriz Bracher, Milton Hatoum e Eliana Alves Cruz.

3. Ser escritor: Liberdade e consciência na criação literária, de Roberto Taddei

Imagem de capa do livro Ser escritor: Liberdade e consciência na criação literária, de Roberto Taddei.
Legenda: Obra combina ensaio, crítica literária e uma "pedagogia da imaginação".
Foto: Divulgação/Companhia das Letras.

Roberto Taddei se debruça sobre textos de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Anton Tchekhov, Jorge Luis Borges e outros escritores para elaborar seu livro. Em "Ser escritor: Liberdade e consciência na criação literária", levanta reflexões sobre o ofício da escrita. 

Ele parte do questionamento sobre como alguém passa do lugar de leitor para o de autor. A obra se constrói com ensaios e críticas literárias, refletindo sobre como os escritores negociam com diferentes aspectos da realidade para construir algo autêntico e "verdadeiramente seu".

4. Escrever, de Marguerite Duras

Imagem de capa do livro Escrever, de Marguerite Duras.
Legenda: A edição brasileira possui tradução de Luciene Guimarães de Oliveira e prefácio de Julie Beaulieu.
Foto: Divulgação/Relicário.

Escrever é se segurar ao lado do desespero e caminhar com ele, assim descreve Marguerite Duras no livro "Escrever", publicado pela Relicário. Na mesma obra, ela ainda cita que esse processo é um: "encontrar-se em um buraco, no fundo de um buraco, numa solidão quase total, e descobrir que só a escrita vai te salvar".

O livro foi lançado pela primeira vez em setembro de 1993, dois anos antes da morte de Marguerite, mergulhando no gesto da escrita e nos horizontes da linguagem. Ao todo, conta com cinco ensaios independentes sobre o tema. 

5. Um bom par de sapatos e um caderno de anotações, de Anton Tchékhov 

Imagem de capa do livro Um bom par de sapatos e um caderno de anotações, de Anton Tchékhov.
Legenda: O livro aborda a importância da observação do cotidiano como parte do processo da escrita.
Foto: Divulgação/Martins Fontes - Selo Martins.

Em "Um bom par de sapatos e um caderno de anotações: como fazer uma reportagem", Anton Tchékhov apresenta dicas para quem quer escrever bem e fazer uma boa reportagem. Em abril de 1890, ele sai de Moscou e viaja até a ilha de Sacalina, onde os deportados eram enviados durante o império tzarista. 

Nessa obra, Tchekhov sugere que boas histórias nascem da escuta e do olhar sensível sobre o mundo. Sob essa ótica, ele tenta oferecer boas ideias para como escrever, como "não desanimar" e "reagir à indiferença". Para ele, é preciso "não se deixar vencer pelas dificuldades iniciais e pelo medo do imprevisto" e "estudar coisas que ninguém estuda; ir ver pessoalmente injustiças que ninguém vê". 

6. Confissões de um jovem romancista, de Umberto Eco

Imagem de capa do livro Confissões de um jovem romancista, de Umberto Eco.
Legenda: No livro, Umberto Eco ensina sobre a arte da ficção e o processo da escrita.
Foto: Divulgação/Editora Record.

Umberto Eco reúne inúmeros livros sobre a escrita, como "Nos ombros de gigantes" e "Seis passeios pelos bosques da ficção". Especificamente em "Confissões de um jovem romancista", o escritor italiano compartilha percepções sobre a escrita e o papel do leitor. Uma vez que a obra vai ao mundo, diz Eco, ela deixa de ser sobre quem escreveu e passa a habitar o mundo.

Além disso, o livro serve como um espaço para compartilhar parte de seu processo criativo: "estou sempre focado em capturar ideias, imagens e palavras para minha história". Os quatro ensaios do livro integram o programa Palestras Richard Ellmann sobre Literatura Moderna, na Universidade Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos. 

7. Romancista como vocação, de Haruki Murakami

Imagem de divulgação do livro Romancista como vocação, de Haruki Murakami.
Legenda: Livro aborda proposições sobre a escrita, a literatura e a vida pessoal de Murakami.
Foto: Divulgação/Alfaguara.

Foi apenas na vida adulta que o escritor japonês Haruki Murakami teve a epifania de que poderia ser um escritor. Durante uma partida esportiva, enquanto a bola atravessava o campo, ele percebeu que poderia ser capaz de escrever um livro. 

Assim, em "Romancista como vocação", o autor compartilha parte de sua experiência pessoal para pensar a escrita. Ele aborda a importância da disciplina, além de debater questões de estilo, imaginação e rotina. Para ele, ser romancista é menos sobre talento imediato e mais sobre persistência, consistência e escuta interior.

8. Um pato amado é assado: Ensaios práticos sobre práticas de escrita, de Lydia Davis

Imagem de capa do livro Um pato amado é assado: Ensaios práticos sobre práticas de escrita, de Lydia Davis.
Legenda: O livro contou com tradução de Camila Von Holdefer.
Foto: Divulgação/WMF Martins Fontes.

Integrando a Coleção Errar Melhor, a obra "Um pato amado é assado: Ensaios práticos sobre práticas de escrita" se debruça sobre os mistérios da escrita. Lydia Davis reflete sobre a linguagem, considerando a própria experiência e gosto. 

A autora cita a revisão obsessiva, a transformação de eventos reais em ficção; considerando diários, arquivos, fragmentos e notas. Com uma organização fluida, os que buscam embarcar nessa prática podem aprender muitos modos de observar a produção da escrita com este livro, publicado pela WMF Martins Fontes, com tradução de Camila Von Holdefer.

9. Estudos em Escrita Criativa no Brasil, organizado por Patricia Gonçalves Tenório

Imagem de capa do livro Estudos em Escrita Criativa no Brasil.
Legenda: Obra reúne debates sobre Oswald de Andrade, Jorge Amado, Nélida Piñon, Lygia Fagundes Telles e a própria Patricia Gonçalves Tenório.
Foto: Divulgação.

A coletânea "Estudos em Escrita Criativa no Brasil 2025", organizado por Patricia Gonçalves Tenório, reúne diferentes autores e pesquisadores para mapear o campo da escrita criativa no país. Entre ensaios e análises, o livro discute métodos, ensino e produção literária. 

Mais do que um debate acadêmico sobre o tema no Brasil, esse livro foca na Escrita Criativa e em práticas que atravessam o tema. Há relatos de escritores, professores e leitores. 

10. Sobre a ficção, de Ricardo Viel

Imagem de capa do livro Sobre a ficção: Conversas com romancistas, de Ricardo Viel.
Legenda: Ricardo Viel, jornalista e leitor, abre um diálogo com diversos romancistas.
Foto: Divulgação/Companhia das Letras.

São diversos os debates levantados em "Sobre a ficção: Conversas com romancistas". Nesta obra de Ricardo Viel, há um compilado de conversas que teve com autores como Rosa Montero, Javier Cercas, Dulce Maria Cardoso, Juan Gabriel Vásquez, Bernardo Carvalho, Valter Hugo Mãe, Mia Couto, Milton Hatoum, Tatiana Salem Levy e Djaimilia Pereira de Almeida. 

"Escrever tem que ver com ter alguma coisa para dizer. A minha maneira de me relacionar com o mundo passa pela escrita e se calhar é quase impossível eu não sentir essa pulsão", diz um dos relatos. As perguntas abordam questionamentos acerca da formação dos entrevistados enquanto leitores e escritores. 

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