Bruna Martiolli lança obra sobre literatura com homenagens a Lispector, Lygia Fagundes e Saramago
"É tempo de morangos: reflexões sobre livros" mistura experiências pessoais e debates sobre grandes nomes da literatura.
Pode puxar o banquinho e cortar um pedaço de bolo, a conversa para o café da tarde chegou. Com "É tempo de morangos: reflexões sobre livros", a pesquisadora Bruna Martiolli constrói uma obra que busca devolver à literatura tudo o que ela lhe fez. Ao longo dos capítulos, mistura experiências pessoais com homenagens a grandes nomes da literatura como Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e José Saramago.
Martiolli escreve se estivesse conversando com os leitores na varanda de casa. É uma escrita honesta, fluida e envolvente. Apesar de ser professora e doutoranda em Estudos de Cultura e Interartes pela Universidade do Porto, em Portugal, optou por não adotar um tom acadêmico.
Em seu livro de estreia, lançado pela Intrínseca, intencionalmente quis chegar a um tom de "contação de história". "Foi uma delícia escrever mais como a 'Bruna', do que a 'Bruna da academia'", citou, em entrevista ao Diário do Nordeste.
Veja também
Os capítulos apresentam debates sobre temas que atravessam a vida. A infância, o amadurecimento, o drama de escolher uma profissão e a decisão de sair de casa. Ela ainda aborda a relação com o pai, a morte da avó e os relacionamentos.
"Eu ia sempre em um café chamado Alice in Brewland. Ficava de manhãzinha até a hora do almoço", revelou. Ela escrevia em pequenos papéis, post-its, e reorganizava as ideias antes de passar para seu editor. Escrevia sempre às segundas-feiras, dia em que não tinha aula, e finalizou o livro em cerca de oito meses.
"Se eu não tivesse fazendo tese (de doutorado), teria escrito mais rápido. Não precisei fazer grandes pesquisas. Era um livro sobre a vida, sobre a literatura, era uma coisa simples".
Entre a literatura e a escrita pessoal
Enquanto a narrativa avança, os leitores conseguem perceber como a literatura atravessou diversas fases da vida de Bruna. Os livros foram apoio em momentos difíceis, refúgios em períodos de introspecção. Na infância, inclusive, Martiolli compartilhou como os livros de Saramago lhe ensinaram que, às vezes, é importante infringir regras.
Durante a adolescência, ao contrário de outros jovens de sua idade, que tinham imagens de astros do rock e de celebridades do cinema, a pesquisadora possuía fotos de Lygia Fagundes Telles e Eça de Queiroz.
Ela cita séries como Gilmore Girls e Sex and the City, resgata os filósofos Platão e Sócrates, e comenta sobre Guimarães Rosa e Maya Angelou. "Foi o único momento na vida em que sinto que consegui estar mais próxima deles", disse. Através dos livros, conseguiu encontrar ferramentas para superar o fim de uma amizade e uma decepção amorosa.
"A questão para mim é que foi muito importante falar para a literatura tudo o que ela me fez, porque eu sempre dou aula sobre literatura, falo sobre Clarice e Saramago, mas acho que, no livro, ficou uma coisa entre nós. Acho que consegui devolver um pouco aquilo que eles fizeram comigo para eles mesmos", relatou.
Agora que sua obra ocupa diversas livrarias pelo Brasil, Bruna espera que as pessoas escutem Clarice, Maya, Agustina Bessa-Luís e tantas outras escritoras citadas em seu livro. Mas recomenda, também, que os leitores busquem livros para além da ficção. É preciso entender mais sobre o que estamos vivendo, para conseguir compreender melhor a literatura e ver os caminhos possíveis a seguir.
Serviço
Livro “É tempo de morangos: Reflexões sobre livros”
Quanto: R$ 64,90
Onde comprar: Editora Intrínseca