Veja três livros para conhecer Marjane Satrapi além de Persépolis

A autora de Persépolis teve a morte confirmada nesta quinta-feira (4).

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 14:24)
Marjane Satrapi sorri para a câmera durante evento público.
Legenda: Autora ficou mundialmente conhecida após o lançamento de Persépolis.
Foto: Divulgação.

A escritora e cineasta Marjane Satrapi encontrou nos quadrinhos o caminho para falar da própria história e reverberar a voz de outras meninas e mulheres com realidade semelhante a dela.

A morte da quadrinista, aos 56 anos, foi confirmada por familiares nesta quinta-feira (4) à AFP.  

Quem é Marjane Satrapi?

Nascida em 1969 no Irã, a artista vivenciou a Revolução Islâmica no país e as consequências dela para diferentes gerações iranianas. 

Por que Marjane Satrapi se tornou referência nos quadrinhos?

Crítica ao regime teocrático, ela ficou mundialmente conhecida por Persépolis, na qual narra a própria infância e juventude, desde a revolução e guerra no Irã até a saída do país e chegada à França. 

Contudo, esta não é a única obra da autora. O Diário do Nordeste separou três obras escritas pela quadrinista para entender mais da vida e do legado de Marjane Satrapi. 

Veja três livros para conhecer a autora iraniana Marjane Satrapi

Livros
Legenda: Livros "Bordados", "Persépolis" e "Mulher, vida, liberdade", de Livros Marjane Satrapi.
Foto: Divulgação/Companhia das Letras.

Persépolis (Quadrinhos na Cia, 2007)

A autobiografia de Marjane Satrapi publicada no Brasil em 2007 reúne quatro partes da história, originalmente publicadas de forma separada.

O livro foi traduzido para mais de cem idiomas e é considerado o um dos melhores livros do século 21 pelo The New York Times.

Sinopse de Persépolis

A obra inicia na infância de Satapri, que aos 10 anos teve que usar, pela primeira vez, o véu islâmico em uma sala de aula apenas com meninas. Isso aconteceu após a Revolução Islâmica. 

Ela conta sobre a vida na infância e juventude, a diferença no pensamento progressista da própria família e o regime conservador que toma conta do Irã, o cenário de guerra e os desaparecimentos vivenciados no país até a saída dela do Irã, em direção a França. 

Persépolis virou filme em 2008, quando conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar na categoria de melhor longa de animação.

Veja trailer do filme Persépolis

Bordados (Quadrinhos na Cia, 2010)

Marjane Satrapi usa de uma cena cotidiana na realidade iraniana – a reunião de mulheres após o almoço para bordar – para falar sobre temas como sexo, casamento e vida em família na perspectiva feminina. 

Sinopse de Bordados

O cenário aqui é conhecido de quem leu Persépolis: a casa da avó de Marjane Satrapi. Nela, se reúnem mulheres com experiências diversas, mas todas vivenciando o conservadorismo e machismo na sociedade iraniana após a Revolução Islâmica em 1979. 

Aqui, o bordado ganha ainda uma outra dimensão: no Irã, a expressão também se refere a cirurgia de reconstituição do hímen, usada por mulheres que queriam ter vida sexual antes do casamento, mas não querem ser punidas por fugirem da moral imposta no país. 

Mulher, vida, liberdade (Quadrinho na Cia, 2024)

Obra mais recente da escritora, o livro "Mulher, vida, liberdade" fala dos protestos pela morte da estudante iraniana Mahsa Amini em 2022.

Sinopse de Mulher, vida, liberdade

Mahsa Amini foi morta pela polícia religiosa em Teerã, capital do Irão, por não usar o hijab, o véu islâmico, de forma correta, segundo a avaliação das autoridades policiais. A morte dela levou a manifestações em todo o país sob o lema "mulher, vida, liberdade". 

Voz ativa na defesa de mulheres iranianas, Marjane Satrapi reunir artistas e especialistas que vivenciaram os protestos para contar sobre tudo aquilo que não pode ser fotografado, filmado ou divulgado – inclusive, por conta da censura vivendiada no país. 

A obra reúne dezessete quadrinistas iranianos, europeus e americano, além de cientistas políticos, historiadores e jornalistas para contar sobre este marco histórico-político do Irã.