Bairros e histórias de Fortaleza inspiram cearense a escrever romance sobre família e adoção
Lançamento do livro "Nunca gostei do mar", de Rhaina Ellery, será realizado na sexta-feira (12).
Histórias, lendas e causos de Fortaleza movem a narrativa de “Nunca gostei do mar”, segundo romance da cearense Rhaina Ellery. O livro demorou mais de dez anos para germinar, mas ganhou forma rapidamente após o início da escrita, em novembro de 2024.
Nos primeiros capítulos, os leitores são apresentados ao taxista Zé, que vê sua rotina ser transformada depois de uma senhora abandonar um bebê no banco traseiro de seu carro. A história dele acaba marcada por laços familiares inesperados e por diferentes tipos de adoção.
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Diante dessa criança sob sua guarda, ele precisa decidir como resolver a situação. A tarefa se soma à responsabilidade que já possui com Grace e o pequeno Sebastian, a quem decidiu criar como filho após encontrar os dois em frente à Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac).
“A ideia do livro surgiu de uma história íntima que, durante muitos anos, me fez pensar sobre o tema do abandono e da adoção”, revelou Rhaina em entrevista ao Diário do Nordeste. Nesse processo, ela ainda quis pensar nos papéis masculinos e femininos dentro do núcleo familiar.
Publicado pela Editora Patuá, o lançamento do livro será realizado às 18h de sexta-feira (12), na Artesano Casa e Galeria, em Fortaleza. O evento contará com mediação de Camila Chaves e Ana Valeska Maia.
Zé guarda as histórias da cidade
O táxi do Zé funciona como um rio do esquecimento, onde são deixadas as coisas perdidas das viagens dos que passaram ali. Zé, um devoto de São José, faz parte de uma geração que parece resistir ao passar do tempo.
Ele segue sendo uma figura que espera por brechas para perguntar ao passageiro se a vida estava boa e dar início a uma conversa. É esse Zé que decidiu acolher Grace e seu filho.
“Meu interesse é escrever a família, esse núcleo onde formamos nossas primeiras relações e também nosso primeiro encontro com a solidão. Para os meus personagens, a adoção é um modo de amar e de lembrar que somos todos feitos de abandonos”.
Ainda ao pensar a construção de seus personagens na história, Rhaina disse que essa criação é como calçar o sapato do outro e interpretar uma nova vida.
“Não deixa de ser uma espécie de reencarnação. A construção de Zé partiu da observação de motoristas e da vontade de pensar numa maternidade invertida”, explicou.
Olhar de amor por Fortaleza
Se Zé foi construído a partir da observação de motoristas, o tecido do livro se alimenta das experiências de Rhaina em Fortaleza e das histórias escutadas sobre a cidade. Apesar de ter nascido na capital cearense, foi morar em Brasília ainda bebê. Foi apenas com 15 anos que retornou.
Sua escrita é atravessada pelo amor que sente pela terra. Nela, escreve o muito de belo que existe aqui. Seus personagens passeiam pelo centro da cidade, vagam pela João Cordeiro, escutam rádios locais e participam de corridas no Campo do América. Na paisagem da praia, avistam o Mara Hope e a maré verde, tão típica do Ceará.
Ao filho, Zé chega a narrar a aventura do pescador Manuel Jacaré, que viajou de Jangada ao Rio de Janeiro para falar com Getúlio Vargas sobre o direito dos trabalhadores do mar; e sobre Chico da Silva, que pintou o imaginário do Pirambu. Mais adiante, os leitores se deparam com a história da seca de 1930 e dos campos de concentração no Ceará.
Conforme explicou, Rhaina conheceu Fortaleza através de muitas histórias que os pais e padrinhos partilhavam. “Foi através da palavra que eu me encontrei com a cidade pela primeira vez. Então, quis fabular Fortaleza, devolver para ela a palavra e a imaginação”, destacou.
Serviço
Lançamento de "Nunca gostei do mar"
Data: 12/06, sexta-feira
Horário: 18h
Local: Artesano Casa e Galeria
Endereço: Rua Vicente Leite, 743 - Meireles, Fortaleza