5 filmes gratuitos na Tela Brasil para celebrar a riqueza do cinema nacional
Produções de tempos, temas e tons diversos estão no catálogo da plataforma de streaming do Governo Federal.
Era 19 de junho de 1898 quando Affonso Segretto, diretor italiano radicado no Brasil, captou as primeiras imagens em movimento feitas no País, registrando o cenário da Baía de Guanabara.
É a partir deste marco simbólico de início da produção audiovisual nacional que a data foi escolhida para celebrar anualmente o Dia do Cinema Brasileiro. Quase exatos 128 anos depois dos registros de Segretto, a comemoração deste ano chega com uma novidade: a Tela Brasil.
Plataforma de streaming gratuita lançada pelo Governo Federal no final de maio, a Tela Brasil reúne parte relevante dessa história centenária, contando com mais de 500 obras audiovisuais disponíveis para o público.
O convite, aqui, é para explorar as diversidades da produção nacional a partir de cinco obras de tempos, temas e formas diversas entre si. Dos resquícios de um longa inacabado que contaria a história do cearense Dragão do Mar à animação contemporânea indicada ao Oscar, confira as sugestões!
Jangada (1949)
No fim dos anos 1940, o projeto de um longa sobre o líder jangadeiro cearense Dragão do Mar, com diálogos assinados por Rachel de Queiroz, terminou inacabado após ter parte das cópias queimadas em um incêndio.
Os fragmentos não afetados pelas chamadas foram redescobertos, recuperados e digitalizados pela Cinemateca Brasileira há dois anos, dentro do Projeto Nitratos, e agora compõem a Tela Brasil.
Os trechos remanescentes mostram imagens gravadas em Fortaleza e dão um panorama da história do filme, livremente inspirado na história do abolicionista cearense.
Veneno (1952)
Produção da Vera Cruz, um dos principais estúdios de cinema do Brasil entre o fim dos anos 1940 e o início dos anos 1950, o longa “Veneno” (1952) apresenta uma trama que mistura drama e suspense psicológico.
Na trama, Hugo (Anselmo Duarte) é funcionário da indústria de vidros e casado com Gina (Leonora Amar), que o trata de maneira indiferente, levando o homem a ter repetidos pesadelos nos quais mata a esposa e é interrogado pelo crime. Um dia, o delegado do interrogatório dos sonhos surge na vida real e Hugo passa a confundir sonho e realidade.
A hora da estrela (1986)
Um dos carros-chefes da Tela Brasil, a adaptação para cinema do livro de Clarice Lispector tem direção de Suzana Amaral e a atriz Marcélia Cartaxo no papel de Macabéa. Pelo papel, a paraibana foi premiada no Festival de Berlim.
A trama acompanha a protagonista, uma datilógrafa órfã e nordestina que se muda para São Paulo e tenta buscar felicidade e amor em meio aos desafios da pobreza e da marginalização. A versão disponível no streaming é a que foi recentemente restaurada e reexibida nos cinemas.
O menino e o mundo (2014)
Indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2016, o longa dirigido por Alê Abreu mistura diferentes técnicas para contar a história de Cuca, um menino que vive num país mítico e sente falta do pai, que viajou em busca de trabalho.
Na tentativa de reencontrá-lo, o menino parte de casa em uma missão mundo afora, descobrindo diferentes aspectos e realidades da vida em sociedade. Além da indicação ao Oscar, o longa venceu o Festival de Annecy — principal evento dedicado à animação mundial — e foi indicado ao Annie — importante premiação do segmento.
Espero tua (re)volta (2019)
“Representante” dos documentários brasileiros na lista, “Espero tua (Re)volta” estreou no Festival de Berlim de 2019, onde levou os prêmios da Anistia Internacional e da Paz. Dirigido por Eliza Capai, o longa parte da mobilização estudantil ocorrida em São Paulo em 2015 e é inspirado por estética e linguagem da juventude.
Na obra, três estudantes apresentam pontos de vista diferentes sobre os protestos e ocupações da época, ligando-os às jornadas de junho de 2013 e aos desdobramentos político-institucionais que levaram à eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.