Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, morre aos 104 anos

Uma das principais referências intelectuais dos séculos XX e XXI, o pensador teve passagens por Fortaleza.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Homem branco idoso, com chapéu bege e sobretudo azul, sorrindo para a câmera.
Legenda: Morin é conhecido por suas ativas movimentações em pautas sociais.
Foto: Ludovic Marin/Pool/AFP.

O sociólogo, filófofo e antropólogo francês, Edgar Morin, morreu aos 104 anos em Paris nesta sexta-feira (29). Desde muito novo, o intelectual participou ativamente de debates sociais e foi referência no campo dos pensadores contemporâneos.

A informação foi confirmada na manhã deste sábado (30) por sua esposa, Sabah Abouessalam Morin, à agência de notícias francesa AFP.

"Até seus últimos dias, Edgar Morin permaneceu atento ao mundo, aos outros e aos grandes desafios humanos que alimentaram seu pensamento", declarou Sabah sobre o marido.

Morin possui mais de 50 obras publicadas, com traduções para diversos países do mundo, incluindo o Brasil. Entre os livros mais conhecidos, estão "O Método", "Introdução ao Pensamento Complexo" e "Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro".

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Passagens por Fortaleza

Em comemoração aos 95 anos do francês, a Universidade Estadual do Ceará (Uece), em 2016, organizou um evento internacional na cidade de Fortaleza para receber o intelectual.

Nomeada como "Conferência Internacional Saberes para uma Cidadania Planetária", Morin foi o presidente de honra e realizou a abertura da celebração. Ela foi uma parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Anos antes, em 2010, Morin recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Uece, após a Conferência Internacional sobre os Sete Saberes, realizada pela mesma equipe de organização do evento de 2016.

Quem foi Edgar Morin?

Filho único de uma família judaica sefardita, Edgar Nahoum, conhecido como Edgar Morin, nasceu em Paris, na França, em 1921. Entre suas principais formações, ele ficou conhecido por ser sociólogo, filósofo e antropólogo, além de ter obtido licenciatura em Direito, História e Geografia.

Ainda jovem, o intelectual iniciou sua vida dentro de lutas políticas e sociais. Com apenas 20 anos, passou a integrar o Partido Comunista Francês e o grupo da Resistência, em meio à Segunda Guerra Mundial, utilizando o pseudônimo "Morin".

Apesar das origens religiosas, a partir de 1970, o francês passou a criticar o tratamento dado por Israel à Palestina. Ele contribuiu, inclusive, para a publicação de um artigo, em 2002, que apontava a "ordem implacável" dos judeus aos palestinos, tratando de uma guerra que se mantém até 2026.

Em seus últimos anos, continuou a acompanhar ativamente as questões sociais e políticas do mundo. Através de seu perfil no X (antigo Twitter), compartilhava reflexões com seus seguidores acerca de mudanças climáticas e guerras atuais.

 

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