Seminário gratuito discute a visão colonialista imposta aos povos indígenas

Evento “Cosmopolíticas indígenas: desconstrução da colonialidade” será realizado no Porto Iracema e reúne palestras com cientistas, filósofos, pensadores indígenas e indigenistas

Escrito por
Antonio Laudenir laudenir.oliveira@svm.com.br
(Atualizado às 18:57)
Legenda: Partindo do exercício da decolonialidade do pensamento, o seminário fará uma relação entre os saberes tradicionais e acadêmicos
Foto: Iago Barreto Soares

Na quinta-feira (28/11), o Porto Iracema das Artes sedia o seminário “Cosmopolíticas indígenas: desconstrução da colonialidade”. Unindo conhecimentos acadêmicos e da floresta, pensadores indígenas, indigenistas, filósofos e cientistas discutem a visão colonialista que até hoje é imposta a estes povos. O evento gratuito é uma oportunidade de experiência e contato com os saberes tradicionais para além dos textos.

Desconstruir significa superar a perspectiva colonialista de produção do conhecimento em torno do assunto. Nesse sentido, a busca por aspectos da perspectiva indígena é vital. Às 17h, uma roda de Toré no pátio do Porto Iracema demarca o início do seminário. Artistas indígenas também estarão realizando pinturas corporais com jenipapo. Às 18 horas iniciam as apresentações. 

Olhares

A antropóloga Rute Anacé apresenta o trabalho “Tabas, Roças e Lugares de Encantos: Construção e Reconstrução Anacé em Matões Caucaia – Ceará”, no qual apresenta a rica história do seu povo. Por sua vez, o cacique Roberto Ytaysaba Anacé aborda a espiritualidade indígena a partir do “Sonho do cacique Antônio”. A artesã e escritora Telma Tremembé ilumina o relato "Resistência indígena Tremembé através do artesanato e da literatura"

Legenda: Os “mundos ameríndios” dos povos indígenas designam o plano de articulação e reflexão
Foto: Iago Barreto Soares

Além da contribuição das falas indígenas, a iniciativa conta com as palestras dos filósofos Emiliano Aquino e Henrique Azevedo. Professores do curso de filosofia da Universidade Estadual do Ceará (Uece), os docentes discutem, respectivamente, os temas “Ailton Krenak e Walter Benjamin: crítica do progresso” e “A visão subalterna sobre o índio: iluminismo e racismo em Kant”.

Demandas

O seminário resulta das atividades de pesquisa e leitura organizadas pelo Grupo de Estudos Decoloniais da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Um dos organizadores é o professor do curso de filosofia da instituição, Mateus Uchôa. Propiciar diferentes formas de sentir e compreender o mundo atual é uma das missões do encontro. 

Legenda: Quem e o que podem compor o mundo comum dos povos ameríndios? Este questionamento, e muitos outros, serão tratados de modo criativo nas palestras.
Foto: Iago Barreto Soares

"A importância no evento está em dar visibilidade e dignidade a um modo de vida, o do indígena brasileiro, reconhecendo o valor dos seus conhecimentos em face das problemáticas políticas e ambientais que o País enfrente atualmente. Há muito o que aprender sobre resistência, defesa do meio ambiente, ancestralidade e memória com os povos indígenas. Procurar entender mais da cosmovisão desses povos é em si mesmo um grande exercício político de pensamento", identifica o docente.

Definição

"Cosmopolítica, termo que nomeia o seminário, é uma expressão cunhada pela filósofa Isabelle Stengers. Ilumina a ideia de que fazer ciência e fazer política é "criar mundos". Portanto, é sobre os "mundos ameríndios” dos povos indígenas que o seminário designa seu plano de articulação e reflexão, visando reabilitar o conceito de cosmo, cosmovisão e suas variantes.

Serviço

Seminário “Cosmopolíticas indígenas: desconstrução da colonialidade”. Quinta-feira (28/11), às 17h, no pátio e estúdio de audiovisual do Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema). Palestras às 18h.
 

 

 

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