Nascidos na mesma maternidade pelas mãos do mesmo médico: coincidências selam amor de casal cearense

Isabele Câmara e Roberto Oliveira somam 16 anos juntos e infinitos acasos venturosos pelo caminho.

Escrito por
Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
Legenda: Primeira foto de Isabele e Roberto juntos como namorados, em junho de 2011.
Foto: Arquivo pessoal.

Amar é caminhar junto, gosta de pensar Isabele Câmara. Não é só opinião. Quando olha para a história do relacionamento com o marido, Roberto Oliveira, a sentença faz todo o sentido – e bem antes de os dois se conhecerem.

A empresária e o engenheiro civil cearenses nasceram na mesma maternidade pelas mãos do mesmo médico, com alguns poucos dias de diferença. Então, sim, Cazuza, certos destinos estão traçados no comecinho mesmo, em pleno berçário.

Tudo aconteceu porque o obstetra da mãe de Isabele, doutor Elino, era o mesmo da mãe de Roberto. No momento de as duas trazerem os rebentos ao mundo, foi inevitável contar com os serviços do profissional. “Minha mãe ficou internada alguns dias, devido a complicações no parto, e eu fiquei por lá, na maternidade. Não sei quantos dias exatamente, mas Roberto e eu brincamos que, de certa forma, a gente se encontrou ali”, conta Isabele, aos risos.

Faz sentido. Algum tipo de liga mágica selou mesmo a revelação dos dois, o envolvimento. Porque não são apenas estas as coincidências desse enlace. Aos 18 anos, quando se conheceram fazendo a mesma arte marcial, o kung-fu – insistência, de um lado, da irmã dela e, do outro, de um amigo da faculdade dele – começaram a conversar e perceberam já ter passado pelos mesmos lugares, feito as mesmas coisas, terem inclusive a mesma idade.

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A convivência, esta maga, tratou de apontar outros detalhes bonitos sobre si, desejos dobrados: um jeito delicado de olhar para a vida, gostar de criar tradições, formar uma família; a percepção muito fina de que não deveriam deixar escapar as conveniências que, até ali, no alvorecer do contato, despertaram para algo maior. Deixar amizade no campo da amizade; amor romântico no campo do amor romântico. Ou, quem sabe, misturar os dois.

Na imagem, fotografia em plano inteiro mostra um homem e uma mulher praticando artes marciais em um espaço ao ar livre com piso de pedra. À esquerda, a mulher está de perfil, equilibrada em uma perna só, enquanto executa um chute alto lateral com a perna direita estendida em direção ao homem. Ela veste uma blusa e calça compridas, ambas pretas. À direita, o homem está posicionado de perfil para ela, em uma base firme com os joelhos levemente flexionados, usando os antebraços erguidos para bloquear o chute. Ele veste um traje tradicional de treino preto sem mangas com detalhes em branco e calças pretas folgadas. O cenário ao fundo é composto por uma parede densamente coberta por uma trepadeira verde e, à esquerda, arbustos e plantas ornamentais de tons esverdeados e amarelados sob a luz do dia. No canto inferior direito da imagem, há um pequeno ícone cinza de alto-falante.
Legenda: Ensaio de pré-wedding do casal teve como tema Kung fu, modalidade esportiva que os uniu.
Foto: Arquivo pessoal.

“Nossa relação sempre foi pautada por uma amizade muito forte. Uma que a gente sabia que queria ir pro outro lado, para um relacionamento amoroso. A partir desse compromisso, foi tudo muito sério: já começamos a namorar – nunca ‘ficamos’, ele me pediu logo em namoro – e cedo começamos a juntar dinheiro pro casamento e pra começar a vida, para a casa, para essas coisas. Foi um caminho muito reto, muito sólido”, Isabele celebra.

Na imagem, uma fotografia de plano inteiro mostra um casal de noivos sorridentes, em pé e lado a lado, durante a recepção de um casamento. O ambiente é luxuoso, decorado com uma iluminação cênica predominantemente azul vibrante. A noiva, à esquerda, ela usa um vestido de noiva clássico na cor branca, com mangas longas em renda e decote em
Legenda: Casamento dos dois aconteceu em 25 de junho de 2016.
Foto: Arquivo pessoal.

Neste 2026, completam 10 anos de casados – bodas de estanho, metal resistente à corrosão. Houve cerimônia para comemorar. Ao lado das filhas, Maria Cecília e Alice – aprendizes desde cedo de um lema dos quatro, "família sempre junta" – os acasos do trajeto falaram alto. Mas o que mais realçou foi o brilho da escolha mútua: permanecer, eis a mola para voos altos. E, claro, também para desejos muito concretos de um futuro bom. Não são grandes coisas, nesse caso. Mas quem disse que os pequenos gestos são pequenos?

Nossos sonhos são simples: ver as meninas crescer e serem muito felizes; continuar crescendo profissionalmente; mostrar o mundo para as meninas, já que amamos viajar… Acho que nosso sonho é viver ao lado de quem a gente ama e ter uma vida plena e feliz. É só isso”, enfatiza. “Um ‘é só isso’ que, na verdade, é extraordinário”.

Na imagem, uma foto colorida ao ar livre mostra uma família de quatro pessoas sorrindo em frente ao Castelo da Cinderela, no Magic Kingdom, Disney. À esquerda, um homem de barba, óculos escuros e camiseta preta sorri para a câmera enquanto segura uma bebê vestida com um traje de princesa roxo. No centro, uma menina pequena com uma tiara de cristais e um vestido de princesa rosa abraça carinhosamente a bebê. À direita, uma mulher com tiara de orelhas do Mickey azuis e blusa azul claro de ombros de fora olha com ternura para as crianças. O céu está parcialmente nublado e o castelo icônico se destaca ao fundo em tons de azul e dourado.
Legenda: O casal com as duas filhas, Maria Cecília e Alice, em viagem à Disney.
Foto: Arquivo pessoal.

Há uma década, quando jurou eternidade ao lado de Roberto no altar, foi isso que Isabele prometeu a ele e a si: acreditar nos simples milagres diários – a paz de ter um dia em paz, a graça de atravessar as horas com saúde e leveza. Riqueza maior, conclui, não há. 

E não é que as coincidências tenham terminado, não é que a magia dessas rimas do destino diminuíram de intensidade. Elas seguem, mas fortalecidas e com mais gente ao redor. Quer exemplo? Sempre comemorar os dias 25, quando começaram a namorar e quando casaram; sempre vibrar com a escadinha que se deu a partir daí: dia 26, nascimento de Alice, filha mais nova; dia 27, de Artemis, a cadelinha da família; dia 28, aniversário da primogênita, Maria Cecília. “Essa sequência é nossa”, brinca a matriarca.

Na imagem, uma foto de plano médio mostra uma família de quatro pessoas posando sorridentes em um evento social. À esquerda, um homem usa óculos, paletó preto, camisa branca e sapatos sociais pretos. À direita, uma mulher sorri e usa um vestido longo de renda bege sem mangas. No centro, entre os adultos, estão duas meninas pequenas: a maior usa um vestido branco de mangas bufantes e a menor, com cabelos cacheados, usa um vestido branco similar e segura a mão da mulher. O fundo é decorado com um painel de folhagens verdes, arranjos de flores brancas sobre uma mesa de madeira e lâmpadas de filamento penduradas, criando um ambiente quente e elegante.
Legenda: Bodas de estanho do casal, em comemoração aos 10 anos de casados, no último mês de maio.
Foto: Arquivo pessoal.

“Acho que amar é caminhar junto, ter companhia para a vida. Não precisa ser um amor romântico, necessariamente. Acredito muito em alma gêmea, mas não só nessa parte, do romantismo. Sua alma gêmea pode ser uma irmã, um colega que você encontrou no trabalho e que te faz brilhar os olhos no sentido de ser a pessoa que mais te entende no mundo, uma avó, um filho…  Amar faz toda a diferença, ter esse apoio e base”.

Não à toa, se houver conselho para manter os dias serenos em bem-querer, a dica vem fácil: respeito e paciência. O que passar, se passar, torna-se poesia. “Cuidar do individual, mas sempre ser muito junto”. Dois, melhor que um, num Dia dos Namorados infinito. 

 

Esta é a história de Isabele Câmara e Roberto Oliveira. Envie a sua também para diego.barbosa@svm.com.br. Qualquer que seja a história e o amor.

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