Em carta escrita na prisão, empresário que matou gari em BH diz que caso foi 'acidente'

Homem está preso desde 11 de agosto pela morte de Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 13:09)
Homem sentado em uma mesa de escritório, com fundo de parede branca e uma pessoa de braços cruzados ao lado, em ambiente corporativo.
Legenda: Empresário trocou de defesa três vezes desde que foi preso
Foto: Reprodução/PCMG

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter assassinado um gari a tiros, em Belo Horizonte, descreveu o caso como um "acidente" em uma carta escrita por ele na prisão. O documento foi assinado a próprio punho, na última segunda-feira (25), e entregue à defesa de Renê. Nele, o réu ainda diz ter certeza que irá "resolver esse mal-entendido".

Segundo o portal g1, a carta foi escrita em meio à terceira troca de advogados do empresário. Inicialmente, Renê era representado por um time de defesa mineiro, que abandonou o caso alegando "motivos de foro íntimo". Depois, o posto foi assumido por Dracon Cavalcanti Lima.

No entanto, ainda na segunda-feira, Lima descobriu uma nova troca de defensores do empresário nos sistemas da Justiça. Trata-se de Bruno Silva Rodrigues, advogado do Rio de Janeiro, ainda conforme o portal da TV Globo.

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Esposa do empresário é afastada da Polícia

A esposa de Renê, a delegada Ana Paulo Lamego Balbino Nogueira, foi afastada das atividades da Polícia Civil de Minas Gerais por 60 dias. O empresário disse às autoridades que utilizou a arma de trabalho dela para assassinar o gari.

O afastamento foi publicado no Diário Oficial do Estado no último sábado (23), 10 dias após o primeiro pedido para licenciar Ana Paulo do trabalho. No texto, o afastamento da delegada foi justificado em razão de um "tratamento de saúde".

"Conforme publicado no Diário Oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que foi concedida à servidora licença médica de 60 dias para tratamento de saúde, nos termos da lei", disse a Polícia Civil de Minas Gerais, em nota ao jornal O Globo.

Renê afirma que a esposa não teve envolvimento no delito. A delegada foi ouvida pela Corregedoria e se tornou alvo de investigação. Ela não estava presente quando o crime aconteceu.

Relembre o caso

A vítima estava em serviço no momento do crime, a manhã do último dia 11 de agosto. Segundo a Polícia, o empresário atirou em Laudemir após discutir com a motorista do caminhão de lixo. Renê exigiu que fosse liberado espaço na rua para que ele pudesse passar de carro, um veículo elétrico do modelo BYD.

Após a discussão, o empresário desceu armado do carro e disparou contra Laudemir. O gari foi socorrido, mas faleceu no hospital. Segundo relato da motorista do caminhão de lixo, identificada como Eledias Aparecida Rodrigues, Renê demonstrou pressa e chegou a afirmar que "daria um tiro" no rosto da mulher.

Após a ameaça, ele teria descido do carro e mirado nos garis que tentavam pedir calma diante da situação. Eledias explicou ter visto todo o crime por meio do retrovisor do caminhão. "Ele vai atirar, ele está armado", contou ela sobre o que teria dito antes do disparo que atingiu Laudemir. 

"Ele se irritou porque o trânsito ficou agarrado e não poderia passar no momento que ele queria, porque o carro dele é um carro grande. Os carros populares menores passaram e ele teve que esperar", disse a motorista.

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