Motorista detalha assassinato de gari por empresário em BH: 'Nos tratou como descartáveis'

Eledias Aparecida Rodrigues apontou que nenhuma briga foi registrada antes da morte

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Montagem de fotos com René da Silva Nogueira, que é acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes
Legenda: René da Silva Nogueira é suspeito de ter assassinado o gari Laudemir de Souza Fernandes, que trabalhava no momento do crime
Foto: reprodução/redes sociais

A motorista que dirigia o caminhão de coleta de lixo em que trabalhava o gari Laudemir de Souza Fernandes, Eledias Aparecida Rodrigues, apontou que o colega foi morto pelo empresário Renê da Silva Nogueira Júnior de forma fria, sem nenhuma discussão antes do ocorrido. O crime foi registrado na última segunda-feira (11), no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte. 

"Não teve discussão, não teve calor nenhum de briga para chegar a esse ponto. Eu vejo intolerância, falta de amor com o próximo, e foi horrível", disse Eledias em entrevista à TV Globo durante o enterro da vítima, na tarde de terça (12).

Além disso, ela reforçou os sentimentos dos trabalhadores após o ocorrido. "A gente não bateu boca com ele em hora nenhuma. Ele nos tratou como se fôssemos descartáveis, matou o que estava mais perto dele", pontuou.

Veja também

Laudemir, de 44 anos, foi baleado enquanto trabalhava, logo após o suspeito do crime ameaçar a motorista do veículo maior e exigir que ele fosse retirado do caminho para que ele passasse com o carro.

Segundo relato da testemunha, René da Silva Nogueira demonstrou muita pressa e chegou a afirmar que "daria um tiro" no rosto da mulher que pilotava o caminhão. Após a ameaça, ele teria descido do carro e mirado nos garis que tentavam pedir calma diante da situação.

Eledias explicou ter visto todo o crime por meio do retrovisor do caminhão. "Ele vai atirar, ele está armado", contou ela sobre o que teria dito antes do disparo que atingiu Laudemir. 

"Ele se irritou porque o trânsito ficou agarrado e não poderia passar no momento que ele queria, porque o carro dele é um carro grande. Os carros populares menores passaram e ele teve que esperar", disse a motorista.

Em entrevista ao jornal O Tempo, ela relatou que não houve nenhuma briga de trânsito, o que destacaria ainda mais a gravidade do caso e a "violência gratuita" com os profissionais que estavam no local.

Laudemir foi socorrido por uma equipe da Polícia Militar, que o encaminhou ao hospital. Apesar disso, a vítima não resistiu aos ferimentos.

Imagens das câmeras

Imagens das câmeras de segurança ajudaram a polícia a chegar na identidade do suspeito, além dos relatos das testemunhas envolvidas. René da Silva Nogueira foi preso horas depois, na entrada de uma academia no bairro Estoril.

O suspeito deve responder pelos crimes de ameaça e homicídio qualificado, por motivo fútil e uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.

Enquanto isso, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira, da Polícia Civil de Minas Gerais, esposa do acusado, será investigada pela Corregedoria da PCMG, instaurou um procedimento disciplinar por suspeita de que uma arma dela teria sido utilizada no crime. 

Assuntos Relacionados