Preso por estupro coletivo em Copacabana usa camiseta com frase 'não se arrependa de nada'
Victor Hugo Simonin, de 18 anos, tesemunhou às autoridades acompanhado do advogado.
Um dos suspeitos de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, no Rio de Janeiro, chamou a atenção ao se entregar à Polícia vestindo uma camiseta que diz, em inglês, "não se arrependa de nada".
Victor Hugo Simonin, de 18 anos, testemunhou às autoridades na última quarta-feira (4). Contudo, a imagem só ganhou repercussão no início dessa semana.
O jovem estava acompanhado do advogado, que na ocasião afirmou que seu cliente não tem envolvimento no crime. "Ele não tem o que temer e vai provar sua inocência. Ele se apresentou de cabeça erguida”, disse Ângelo Máximo à imprensa.
Conforme apuração da GloboNews, a frase em questão é comumente utilizada em grupos machistas virtuais, cujo objetivo é disseminar o ódio à mulheres na Internet. Procurada pela emissora, a defesa de Victor Hugo não se manifestou sobre o assunto.
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Entenda o significado da frase
O termo estampado na camiseta do suspeito aparece com frequência em comunidades online, principalmente entre os chamados de "incels" e "redpills".
Esses últimos são os mais populares no ambiente virtual. O nome faz referência ao filme "Matrix" (199), em um contexto de que as ideologias machistas são um convite para "despertar da realidade" e abraçar a superioridade masculina sobre as mulheres.
A frase também é associada aos discursos do influenciador britânico Andrew Tate, que virou réu por acusações de estupro, tráfico humano e exploração sexual.
Já os "incels", sigla em inglês que significa "celibatários involuntários", referem-se a pessoas que se dizem incapazes de conseguir ter um relacionamento sexual, apesar do desejo.
Ambos os grupos são citados na série "Adolescência" (2025), da Netflix, que alcançou um grande público ao apresentar uma narrativa intensa sobre os desafios das famílias na era digital, abordando temas como masculinidade tóxica e a violência online.
Quem é o suspeito?
Segundo as investigações, Vitor Hugo de Oliveira Simonin teria participado do estupro da adolescente em apartamento na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O imóvel, inclusive, pertence à família de Vitor, embora não fosse utilizado para moradia.
Ele foi reconhecido formalmente pela vítima por meio das imagens das câmeras de monitoramento. Após a repercussão do caso, o Colégio Pedro II, um dos mais conceituados da capital fluminense, onde Vitor estudava, iniciou os procedimentos para o seu desligamento.
O suspeito também é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, já exonerado do cargo.
Relembre o caso
O caso foi denunciado à Polícia pela vítima e revelado no dia 28 de fevereiro, com o indiciamento dos quatro envolvidos no crime: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18; Victor Hugo Oliveira Simonin, 18; João Gabriel Bertho Xavier, 19, e Matheus Veríssimo Zoel Martins, 19.
O crime aconteceu quase um mês antes, no dia 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana. A jovem foi atraída para o local por um ex-namorado, também de 17 anos. Segundo o relato dela à Polícia, o grupo a estuprou e agrediu com socos, chutes e tapas.
O exame de corpo de delito identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico, escoriação na região genital e sangramento vaginal. Também foram localizadas manchas nas regiões dorsal e glútea.