Defesa de Daniel Vorcaro solicita acesso à perícia de celulares apreendidos

Advogados mostram preocupação diante de vazamento de conversas, como a suposta troca de mensagens entre Moraes e o dono do Banco Master.

Fotos mostram Daniel Vorcaro após ser preso pela Polícia Federal.
Legenda: Daniel Vorcaro foi preso novamente na 3ª fase da Operação Compliance Zero.
Foto: Polícia Federal/Reprodução | Banco Master/Divulgação.

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o acesso às perícias realizadas nos aparelhos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal. Os dispositivos foram alvos da investigação da Operação Compliance Zero, que apura fraudes na instituição financeira. 

Os advogados alegam que o pedido foi feito em 14 de fevereiro e busca ter acesso aos dados brutos extraídos dos celulares de Vorcaro. Segundo eles, o intuito é verificar a integridade do material e avaliar se houve o manuseio precipitado ou tecnicamente inadequado.

A defesa de Vorcaro também mostrou preocupação com o vazamento de conversas pessoais, como as mensagens que são atribuídas ao banqueiro e ao ministro Alexandre de Moraes, algo que o magistrado do Supremo Tribunal Federal nega. 

Por outro lado, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal (PF) para investigar o vazamento. O procedimento foi deliberado nessa sexta-feira (6).

“O objetivo é permitir a análise independente por assistente técnico da defesa, conforme previsto na legislação processual, garantindo que a prova digital seja examinada com transparência, integridade e respeito ao devido processo legal”, declarou a defesa de Vorcaro.

Veja também

Entenda acusação de troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro

Conforme publicação da jornalista Malu Gaspar nessa quinta-feira (5), no jornal O Globo, o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em operação sobre o Banco Master, teria enviado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes horas antes de ser preso em 12 de novembro de 2025.

O acusado teria escrito para o magistrado, às 7h19 desse dia, no WhastApp: "Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

Alexandre de Moraes supostamente respondeu o contato logo depois, mas não é possível saber o que ele disse. Conforme a matéria, o ministro mandou três mensagens de visualização única, que se apaga assim que o destinatário as lê.

A conversa teria sido encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master.

A Polícia Federal descobriu que, no dia em que Vorcaro enviou as mensagens a Moraes, ele já sabia do inquérito que apurava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao banco estatal de Brasília, o BRB, e que levaria à sua prisão e à liquidação do Master.

As investigações indicam, inclusive, que ele soube do inquérito ao acessar ilegalmente os sistemas da corporação, assim como fez com dois procedimentos do Ministério Público sobre as fraudes.

"O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", disse Moraes, em comunicado emitido pela assessoria de imprensa da Corte. Já a defesa de Vorcaro preferiu não se manifestar.

Prisão de Vorcaro

Daniel Vorcaro está preso desde quarta-feira (4), quando foi detido novamente pela Polícia Federal, na terceira fase da Operação Compliance Zero. 

A nova detenção ocorreu a partir de mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação. Nas mensagens, Vorcaro ameaça jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.

A Compliance Zero apura fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores.

Assuntos Relacionados