Vorcaro mandou mensagem para Moraes horas antes de ser preso, diz jornalista

Ministro teria respondido o cantora com mensagens de visualização única, conforme a publicação.

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Redação producaodiario@svm.com.br
montagem de fotos de Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Legenda: Investigação teria apontado ainda o registro de telefonemas entre eles.
Foto: X/Reprodução / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil.

O banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em operação sobre o Banco Master, teria enviado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), horas antes de ser preso em 12 de novembro de 2025.

Segundo a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o acusado teria escrito para o magistrado, às 7h19 desse dia, no Whastapp: "Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

Alexandre de Moraes supostamente respondeu o contato logo depois, mas não é possível saber o que ele disse. Conforme a publicação, o ministro mandou três mensagens de visualização única, que se apaga assim que o destinatário as lê.

A conversa foi encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, preso horas depois da suposta troca de mensagens.

Histórico de mensagens

Ainda segundo a colunista, antes dessa conversa, há um outro registro de diálogo entre o ministro e Vorcaro, em 1º de outubro de 2025. Também não se sabe o conteúdo, porque eles apagavam as mensagens ou enviavam com visualização única. Há ainda o registro de telefonemas entre eles.

O histórico estaria no material apreendido e periciado pela PF, mas o ministro do Supremo negou ter mantido contato com o banqueiro.

"O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", disse Moraes, em comunicado emitido pela assessoria de imprensa da Corte. Já a defesa de Vorcaro preferiu não se manifestar.

A Polícia Federal descobriu que, no dia em que Vorcaro enviou as mensagens a Moraes, ele já sabia do inquérito que apurava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao banco estatal de Brasília, o BRB, e que levaria à sua prisão e à liquidação do Master.

As investigações indicam, inclusive, que ele soube do inquérito ao acessar ilegalmente os sistemas da corporação, assim como fez com dois procedimentos do Ministério Público sobre as fraudes.

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Prisão de Daniel Vorcaro

O banqueiro foi preso na quarta (4) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, a PF também prendeu Zettel, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.

“Sicário” e Marilson atuariam na vigilância, no monitoramento de pessoas e na obtenção de informações sigilosas de sistemas de órgãos públicos em benefício do grupo denominado “A Turma”, segundo as investigações.

A prisão preventiva do banqueiro e dos outros investigados foi efetuada na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada por, segundo o magistrado, “risco concreto de interferência nas investigações”.

Na noite da própria quarta (4), “Sicário” morreu enquanto se encontrava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. O homem teve morte encefálica após atentar contra a própria vida

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