'Me senti invadida, com nojo', relata mulher que acusa desembargador do TJMG por assédio

Casos foram mostrados no Fantástico deste domingo, 1º.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Fachada do TJMG.
Legenda: O homem acusado de estupro de vulnerável contra a menina em Minas Gerais foi preso na última quarta-feira (25), em Indianópolis, Minas Gerais.
Foto: Euler Junior/TJMG

O desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), é alvo de cinco denúncias de assédio. As vítimas buscaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após o magistrado ganhar notoriedade nacional pela absolvição de um homem, identificado como Paulo Edson Martins do Nascimento Ribeiro, acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos.

O Fantástico deste domingo (1º) exibiu entrevista com três pessoas que denunciaram o desembargador. Segundo os relatos, os casos ocorreram quando Magid Láuar atuava como juiz em comarcas de Minas Gerais.

"Ele veio e me deu um beijo na boca. Sem o meu consentimento. Eu me senti invadida, me senti com nojo, constrangida", revelou uma mulher, que não foi identificada por temer represálias.

À época em que foi beijada à força, a mulher era estagiária e aluna de Magid na faculdade. "Aquilo me marcou profundamente. Eu não voltei mais para o estágio", lembra.

Outra mulher entrevistada pelo Fantástico, também sob anonimato, trabalhou com o magistrado em 2009, quando ele era juiz em Betim (MG). Ela narra que sofreu abuso no gabinete de Láuar.

"Eu tava com uma calça jeans e ele enfiou a mão. Primeiro por trás, só que eu reagi. Ele veio e enfiou a mão lá na frente. Eu fique muito assustada na hora e falei: 'abre a porta que eu quero sair'. Ele me encostou na parede e tentou me beijar", conta.

O único denunciante que se identificou foi Saulo Láuar, primo do desembargador. Ele publicou nas redes sociais um relato de abuso que sofreu aos 14 anos.

Na época, o então adolescente trabalhava como assistente pessoal do familiar. Um dia, foi solicitado que o menino levasse um documento até a casa do magistrado, que não iria ao fórum.

"Quando eu sentei na cama, estava passando um vídeo, um filme pornográfico na televisão. Naquele momento ele pega a minha mão e leva até o órgão genital dele. Minha reação foi tirar minha mão. Ele tentou novamente, eu levantei e saí da casa", revela.

Homem e mãe da vítima são presos

O acusado por estupro de vulnerável contra a menina foi preso na última quarta-feira (25), em Indianópolis, Minas Gerais. A mãe da vítima também foi capturada e levada à delegacia, segundo a polícia local.

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra Paulo Edson em abril de 2024 por estupro de vulnerável contra a menina, que tinha 12 anos na época do início do processo.

Tanto o homem, que na época tinha 35 anos, quando a mãe da adolescente haviam sido condenados a nove anos e quatro meses de prisão pela 1ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Araguari em novembro de 2025.

Os réus recorreram, e a análise foi feita pela 9ª Câmara Criminal do TJMG. O colegiado decidiu, por maioria, pela absolvição do homem e da mãe da vítima. O único voto contrário à absolvição foi o da desembargadora Kárin Emmerich, que divergiu do relator.

Após repercussão nacional e internacional sobre o caso, Magid Láuar decidiu, de forma monocrática, sem a participação dos demais desembargadores que atuaram no julgamento anterior, restabelecer a condenação de Paulo Edson e da mãe da menina.

O CNJ decidiu afastar o desembargador na última sexta-feira (27). Segundo informações do Metrópoles, o Conselho realizou investigação preliminar, com base na qual foram identificados elementos que apontaram para a prática de delitos contra a dignidade sexual por parte do magistrado durante o período de atuação nas comarcas de Ouro Preto (MG) e Betim (MG).

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