Policiais teriam limpado apartamento em que PM morreu com tiro na cabeça, diz testemunha

Imagens das câmeras de segurança do prédio mostraram mulheres chegando ao local horas após a morte.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Uma pessoa vestindo uniforme policial aparece em primeiro plano dentro de um ambiente interno. Ao fundo, há um grande painel com a imagem de uma cidade iluminada à noite e a foto ampliada de uma pessoa também usando uniforme policial.
Legenda: A policial militar Gisele Alves Santana foi encontrada com um tiro na cabeça no próprio apartamento.
Foto: Reprodução.

Uma das câmeras de segurança do apartamento em que a soldado da Polícia Militar de São Paulo Gisele Alves Santana foi encontrada morta, no dia 18 de fevereiro, registrou a visita de três policiais mulheres na residência na mesma data. As imagens foram divulgadas nesta terça-feira (10).

Em depoimento à Polícia Civil, uma das testemunhas do caso apontou que as mulheres foram ao local para limpar o apartamento, localizado no Brás, na região Central de São Paulo. A visita delas ao imóvel ocorreu cerca de 10 horas após a morte.

Nas imagens, é possível ver uma quarta mulher, que seria uma funcionária do condomínio. Gisele morava no local com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos.

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Ainda segundo a testemunha, as policiais chegaram ao local às 17h48. Elas foram identificadas como uma soldado e duas cabos.

As três, acompanhadas da funcionária do prédio, teriam permanecido por cerca de 50 minutos no local. Elas devem prestar depoimento para a investigação do caso.

Apesar das informações da testemunha, as imagens das câmeras não mostram as mulheres adentrando com nenhum objeto, além de também terem deixado o apartamento de mãos vazias. 

O que se sabe sobre o caso

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido. O caso foi tratado como suicídio no início, mas passou a ser apurado como feminicídio logo em seguida.

O marido de Gisele Alves, o tenente-coronel da Polícia Militar paulista, Geraldo Leite, foi o responsável por chamar as autoridades. Segundo ele, Gisele teria se suicidado.

Denúncias anônimas contra o tenente-coronel levaram o caso a ser acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

O corpo de Gisele foi, então, exumado e passou por novos exames no último sábado (7) no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital, incluindo uma tomografia. O laudo do IML apontou que a policial apresentava lesões no pescoço e no rosto, além de sinais de dedos e unhas ao redor delas. 

Familiares de Gisele relataram que o relacionamento entre a policial e o marido passava por dificuldades. Segundo a mãe, o tenente-coronel demonstrava comportamentos "abusivos e violentos". A mulher, que não foi identificada, apontou que ele chegou a enviar uma foto para a companheira com uma arma apontada na própria cabeça.

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