Mãe de Eliza Samudio se pronuncia após passaporte da filha ter sido encontrado

Sônia Moura criticou divulgação do caso e relata dor renovada.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010.
Legenda: Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010.
Foto: Reprodução/Redes sociais.

Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, se manifestou pela primeira vez nessa terça-feira (6) depois que veio a público a informação de que o passaporte da filha teria sido encontrado em um apartamento em Portugal. A notícia foi divulgada inicialmente por um portal brasileiro antes mesmo de a família ser comunicada oficialmente, o que, segundo ela, agravou ainda mais o sofrimento.

Em nota, Sônia lamentou reviver a exposição do nome da filha e afirmou que o momento é marcado por desgaste emocional intenso.

Em relação à matéria publicada ontem sobre o passaporte da minha filha, que acabou viralizando, tudo o que tenho a dizer, neste momento, vem de um lugar de profunda dor e exaustão emocional. Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira. Aprendi, da forma mais dura possível, que não se pode esperar humanidade, respeito ou atitudes profissionais de pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir". 
Sônia Fátima Moura
Mãe de Eliza Samudio

Em um desabafo emocionado, ela reforçou que Eliza está morta e criticou o uso recorrente da história da filha como manchete sensacionalista. Segundo Sônia, cada nova informação divulgada reabre feridas antigas e aprofunda o luto vivido pela família.

“Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa. E, mesmo assim, dói ainda mais ver a imagem da minha filha sendo usada como se fosse um instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama. Cada exposição desnecessária reabre a ferida, aumenta o vazio e transforma a saudade em revolta. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria”.

A mãe de Eliza afirmou ainda que não confirma a autenticidade do passaporte e que existem muitas incoerências em torno da descoberta do documento. A família acreditava que todos os papéis pessoais da jovem haviam sido destruídos na época do crime. O passaporte foi entregue ao consulado brasileiro em Lisboa por um inquilino do imóvel, que disse tê-lo encontrado em uma estante entre livros.

“A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente. Essas lacunas não são detalhes. Elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento”, afirmou.

Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010. Investigações apontaram que ela foi assassinada por determinação de Bruno Souza, então goleiro do Flamengo, com quem teve um filho. Sônia disse que, neste momento, prefere o silêncio, mas garantiu que cobrará explicações das autoridades.

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Escolha por silêncio

“Neste momento, escolho me manter em silêncio para tentar sobreviver à saudade, para tentar respirar em meio à dor e preservar o pouco de paz que ainda consigo reunir para mim e para minha família. Mas tenham certeza: vou exigir das autoridades todas as respostas que ainda não foram dadas. Essa é uma história marcada por muitas lacunas, e elas precisarão ser esclarecidas, porque minha filha merece respeito, verdade e justiça”.

Segundo o Portal Leo Dias, o consulado brasileiro confirmou a autenticidade do passaporte, emitido em 2006 e em bom estado de conservação. O documento registra apenas uma entrada em Portugal, em 5 de maio do ano seguinte, sem carimbos de saída ou de outros países, o que causou estranhamento, já que Eliza teria retornado ao Brasil e viajado novamente à Europa em 2008 e 2009. Na época, a modelo chegou a afirmar em entrevistas que viajava para encontrar o jogador português Cristiano Ronaldo.