Caso Orelha: delegado diz não haver imagens de adolescentes agredindo o cão
Mais de 20 testemunhas foram ouvidas e quase mil horas de gravações de câmeras de segurança estão sendo analisadas.
Em entrevista ao programa Fantástico neste domingo (1º), o delegado de Adolescentes em Conflito com a Lei, Renan Balbino, responsável pela investigação no "caso Orelha", afirmou que não existem imagens dos adolescentes acusados agredindo o cão.
A informação foi confirmada pela delegada de Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi, que também atua no caso. Segundo ela, o que existe são "indícios convergentes que levaram a essa suspeita de envolvimento de adolescentes".
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O caso ocorreu em Praia Brava, no norte da capital Florianópolis, Santa Catarina, onde a Polícia Civil investiga a morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha. Quatro adolescentes são investigados pelo crime.
Conforme a reportagem, a polícia já ouviu mais de 20 testemunhas e analisa quase mil horas de gravações de câmeras de segurança. Além disso, os celulares dos jovens acusados foram apreendidos para investigação.
Até agora, a polícia descarta a possibilidade da agressão estar ligada a desafios de internet.
Entenda o "caso Orelha"
Orelha tinha cerca de 10 anos e era um dos três cachorros mantidos como mascotes pela comunidade da área, que alimentava e cuidava dos animais.
Após ser encontrado caído e agonizando por uma das pessoas que cuidava dele, a gravidade das lesões fez o animal ser submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro. O procedimento indolor é indicado para aliviar sofrimento intenso em casos irreversíveis em animais.
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Porteiro denuncia jovens
Segundo apurado pelo Fantástico, a primeira possível testemunha da agressão foi um porteiro de um dos condomínios da região, que relatou uma série de desentendimentos com um grupo de adolescentes do prédio.
Durante uma das discussões, o homem teria fotografado alguns rapazes, enviando a foto e um áudio em um grupo de online. Na mensagem, o porteiro chegou a dizer que o grupo teria dado "pauladas" em um cachorro e os acusou de depredar um dos quiosques da praia.
No depoimento para a polícia, no entanto, o porteiro afirmou que não testemunhou o momento da agressão ao cão Orelha.
Pais e tios de adolescentes acusados são indiciados por coação
Após o porteiro enviar as mensagens denunciando os adolescentes, pais de dois desses jovens e o tio de um deles foram gravados por câmeras de segurança na portaria do prédio, supostamente tentando intimidar o vigilante.
Os três, dois empresários e um advogado, foram indiciados pela Polícia Civil suspeitos de coagir a testemunha.
A coação ocorre quando uma das partes ameaça ou agride testemunhas de um processo judicial, mas também ocorre quando busca interferir com juízes, advogados, vítimas ou réus. Essa prática é considerada crime.
Outro cachorro agredido na Praia Brava
O vira-lata conhecido como Caramelo, que costumava andar ao lado de Orelha, também já sofreu maus-tratos na região da Praia Brava.
Segundo relatos, o cão foi levado ao mar, também por um grupo de adolescentes, que tentaram afogar o animal. Caramelo, no entanto, conseguiu escapar.
Apesar da suspeita de que o mesmo grupo de jovens seja responsável pelos dois casos, o delegado Renan Balbino garantiu que o caso do cão Caramelo não tem relação com o caso do cão Orelha. A declaração foi ao ar no Fantástico neste domingo (1º).
Até o momento, a polícia divide a investigação em cinco casos:
- Morte do Orelha;
- Agressões ao Caramelo;
- Depredação e furto ao quiosque;
- Ameaça e injúria ao porteiro;
- Coação à testemunha.