Suspeitos de causar morte do cão Orelha já tentaram afogar outro cachorro, diz Polícia
Animal conseguiu escapar e foi adotado.
Os adolescentes suspeitos de agredirem o cão comunitário Orelha, em Florianópolis, já teriam tentado afogar outro cachorro conhecido por moradores da região da Praia Brava, segundo a Polícia Civil.
Conforme notícia do portal g1, o vira-lata conhecido como Caramelo costumava andar ao lado de Orelha, e chegou a ser levado ao mar pelos adolescentes, mas conseguiu escapar. Após o episódio, ele foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Na segunda-feira (26), uma operação cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados. O caso é apurado pelas autoridades como maus-tratos.
Suspeitos estão nos Estados Unidos
Quatro adolescentes foram identificados pela Polícia como suspeitos de envolvimento nas agressões que resultaram na morte de Orelha. Segundo o delegado Ulisses Gabriel, dois deles estão em Florianópolis e foram alvos da operação, e outros dois estão em viagem aos Estados Unidos, com retorno previsto para a próxima semana.
A Polícia Civil prepara um esquema especial de segurança para receber os suspeitos no aeroporto, no retorno deles ao Brasil, conforme informado pelo Uol.
Conforme o delegado-geral, os adolescentes investigados estão em uma excursão programada para a Disney com mais de outras 100 pessoas, e a Polícia teme que a segurança de todos seja colocada em risco, devido às manifestações convocadas para o local.
"São 115 jovens que estarão lá, e 113 não têm relação com o caso. Nos preocupa muito a situação de que alguém possa ser machucado por uma situação que envolve duas pessoas", disse Ulisses Gabriel. A data de chegada da dupla não foi divulgada pelas autoridades.
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O que aconteceu?
O cão Orelha tinha cerca de 10 anos e era um dos três cachorros mantidos como mascotes pela comunidade da Praia Brava, que alimentava e cuidava do animal.
"Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem", detalhou a Associação de Moradores da Praia Brava em nota, no último dia 16.
Recentemente, ele desapareceu, sendo encontrado dias depois, caído e agonizando, por uma das pessoas que cuidava dele.
A mulher recolheu o animal e o levou a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões, ele foi submetido à eutanásia.
Conforme a Polícia Civil, os quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões foram localizados devido à análise de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região.
Na manhã dessa segunda, a corporação realizou diligências em endereços ligados aos investigados, visando reunir mais elementos de prova sobre o crime.
A Polícia ainda apura a informação de que um policial civil, supostamente pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha. A delegada do caso, Mardjoli Valcareggi, confirmou que apura a denúncia de coação, mas negou que haveria o envolvimento de um agente de segurança no crime em si.
Protestos e mobilização
Moradores, protetores de animais, organizações não governamentais (ONGs) e instituições ligados à causa animal têm se manifestado pedindo justiça pela morte de Orelha.
Em 17 de janeiro, residentes da Praia Brava realizaram o primeiro protesto sobre o caso. No último sábado (24), eles voltaram a se manifestar, reunindo dezenas de pessoas. Usando camisetas e cartazes com frases como "Justiça Por Orelha", os participantes caminharam acompanhados dos próprios cães e oraram pelo animal.
A mobilização também mobilizou pessoas nas redes sociais. No domingo (25), os artistas Rafael Portugal, Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui compartilharam vídeos lamentando a morte de Orelha e cobrando providências das autoridades sobre o crime.