Caso Orelha: delegado-geral nega relação com advogado de suspeitos
Policial foi alvo de críticas após publicação de foto com defensor dos adolescentes acusados pela morte do cão.
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, negou qualquer relação de amizade com o advogado Antônio Alexandre Kale, defensor de dois adolescentes investigados pela morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis.
Recentemente, Ulisses Gabriel se tornou alvo de críticas nas redes sociais após a publicação de uma foto ao lado do responsável pela defesa dos acusados.
Em pronunciamento compartilhado nesta sexta-feira (30) no Instagram, o delegado afirmou que a associação entre os dois é falsa.
Segundo Ulisses, o último contato com Kale teria ocorrido em 2023, quando o advogado ainda atuava na Polícia Civil, na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado.
"Não tenho relação de amizade, nem de amizade íntima com o referido advogado. Ele foi delegado de polícia e se aposentou no ano de 2023, a última oportunidade em que ele esteve comigo na delegacia geral. Ou seja, há mais de três anos", argumentou.
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O delegado ainda disse que seus familiares têm sofrido ataques e que irá adotar medidas judiciais, solicitando uma ação de indenização por danos morais. Ele também registrou boletim de ocorrência por calúnia e difamação. Para o policial, a repercussão do caso extrapolou os limites do debate público.
"Lamento esse tipo de canalhice criada por esse cidadão, que será processado, civil e criminalmente, bem como quem divulga esse tipo de sacanagem", afirmou.
O episódio ocorre em meio à comoção provocada pela morte do cão Orelha, animal comunitário conhecido na Praia Brava, em SC, e símbolo da convivência entre moradores e frequentadores da região. O caso levou à investigação de dois adolescentes suspeitos de maus-tratos.
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Cão Orelha
O cachorro Orelha foi encontrado por moradores da região da Praia Brava. Ele estava agonizando e, apesar de ter recebido atendimento em clínica veterinária, precisou passar por eutanásia no dia 5 de janeiro. Ele e outros animais eram cuidados pela comunidade, que chegou a construir três casinhas para os cães.
"Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, afirmou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava os animais.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que apura o envolvimento de ao menos quatro adolescentes na agressão ao cão Orelha. As investigações avançam com análise de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região.
Paralelamente, familiares de adolescentes investigados foram indiciados por coação no curso do processo. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, com a apreensão de celulares e outros dispositivos eletrônicos para perícia. A Polícia informou já ter ouvido mais de 20 pessoas e analisado centenas de horas de imagens relacionadas ao caso.
A repercussão do episódio também gerou ameaças e ataques virtuais contra pessoas confundidas com familiares dos suspeitos. Um casal de Santa Catarina registrou boletim de ocorrência após a imagem do filho, menor de idade, ser associada de forma equivocada ao caso. As autoridades reforçam que, por envolver adolescentes, a divulgação de nomes e imagens é proibida por lei.