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Após decisão de Trump sobre PCC e CV, Lula reafirma soberania: 'Vamos combater aqui dentro'

O presidente brasileiro afirmou que aceita colaboração internacional, mas rejeita intervenção.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Lula é um homem idoso, branco, de cabelo e barba também brancos. Na foto, ele está gesticulando enquanto discursa, com a bandeira do Brasil atrás. Usa terno cinza, camisa social da mesma cor e gravata azul.
Legenda: Lula rejeitou intervenção estrangeira no combate às facções no Brasil.
Foto: Wallison Breno/PR.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à decisão do governo de Donald Trump de considerar terroristas as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Nesta sexta-feira (29), em Sergipe, ele afirmou que, para os brasileiros, as facções já são tidas como grupos terroristas, e disse temer uma possível intervenção direta dos Estados Unidos no assunto, uma vez que o Brasil tem minerais críticos e terras raras que o país estrangeiro pode querer se ocupar o território nacional.

"Eles [PCC e CV] são terroristas e vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma Lei Antifacção e vamos combater com dureza", assegurou o presidente durante evento institucional para comemoração da retomada da produção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen).

Também nesta sexta-feira, o Planalto divulgou uma nota em que reforça as ações do governo brasileiro contra o crime organizado. "O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o PCC, o CV e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro", iniciou o comunicado.

Depois, o texto criticou diretamente a intervenção da família Bolsonaro no caso. "É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país", frisa o governo.

O comunicado do governo também acusou os Bolsonaro de "falsos patriotas" e "envolvidos com o crime organizado".

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Colaboração internacional

O Executivo nacional apontou ainda que, no último dia 16 de abril, apresentou ao Departamento de Estado dos Estados Unidos uma proposta focada em inteligência e cooperação internacional, que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre tráfico de armas enviadas ao Brasil.

"Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia", continuou a gestão Lula.

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Por fim, advertiu que medidas unilaterais, não negociadas, podem, na verdade, enfraquecer o combate aos criminosos e reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. "Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros", concluiu.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança."
Governo brasileiro

Sobre a decisão dos EUA

Os Estados Unidos anunciaram, nessa quinta-feira (28), que classificaram o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. A gestão de Donald Trump justificou que as facções são duas das mais violentas do Brasil e que a influência e as redes ilícitas de ambas se estendem para o território norte-americano.

Poucos dias antes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi a Washington pedir a classificação ao mandatário dos EUA.

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