Vale a pena reduzir ou pausar parcelas no financiamento da casa própria da Caixa?

Especialistas avaliam que optar pela facilidade pode ser uma boa estratégia para a manutenção do equilíbrio no orçamento familiar, mas recomendam cautela

Legenda: De acordo com a Caixa, os valores não pagos durante a vigência da negociação por pausa ou pagamento parcial, conforme o percentual escolhido, serão incorporados ao saldo devedor do contrato e diluídos no prazo restante
Foto: José Leomar

Diante dos impactos da pandemia na renda das famílias brasileiras, a Caixa Econômica Federal anunciou no início do mês a possibilidade de os clientes reduzirem o valor das parcelas do financiamento imobiliário e até pausarem o pagamento.

Especialistas avaliam que optar pela facilidade pode ser uma boa estratégia para a manutenção do equilíbrio no orçamento familiar, mas recomendam cautela.

Conforme a Caixa, os valores não pagos durante a vigência da negociação por pausa ou pagamento parcial, conforme o percentual escolhido, serão incorporados ao saldo devedor do contrato e diluídos no prazo restante.

O banco pontua, porém, que o contrato não está isento da incidência de juros remuneratórios, seguros e taxas, mas a taxa de juros e o prazo contratados no início do financiamento não sofrem alteração.

Equilíbrio das contas

O presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, destaca que a opção é extremamente importante para os clientes que perderam o emprego e aqueles que estão com dificuldade de manter a renda nesse momento. “O desemprego formal e informal cresceram de forma significativa”.

Eu creio que para todos que estejam passando por essa situação é extremamente importante utilizar esse mecanismo, até porque as taxas de juros dessas operações são muito menores do que as taxas de juros para captação de crédito em outras operações no mercado”
Ricardo Coimbra
Presidente do Corecon-CE

Além disso, o presidente do Corecon-CE lembra que o dinheiro que seria utilizado para o pagamento do financiamento imobilário pode ser utilizado, nesse momento, para atacar dívidas que possuam juros maiores.

“Esse dinheiro que seria para manter o pagamento dessa operação pode ser direcionado para outras coisas”, diz. Além disso, ele avalia que a redução da parcela evita que o cliente fique inadimplente com o banco e, consequentemente, correndo o risco de ver seu imóvel indo a leilão.

Medida requer atenção

Já o presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis no Ceará (Creci-CE), Tibério Benevides, pondera que o consumidor só deve aderir em caso de muita necessidade, reforçando a preocupação sobre o valor pausado ou reduzido ser direcionado para o saldo devedor.

Para quem está com dificuldades no pagamento da parcela e não quer aderir à pausa ou redução no valor, Benevides aconselha a busca pela portabilidade do financiamento imobiliário.

“Quem fez financiamento em 2019, quando a Selic ainda estava mais alta, pode buscar a portabilidade da dívida procurando outro banco ou ainda tentando renegociar com o mesmo banco em que tomou o financiamento imobiliário. Algumas instituições dizem que não renegociam, mas eles preferem renegociar do que perder um cliente que paga em dia”, arremata o presidente do Creci-CE.

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