Empréstimos no Ceará crescem 15% em um ano; saiba como baratear dívidas

Portabilidade de débitos é alternativa para pagar taxas menores e equilibrar o orçamento familiar

Legenda: Portabilidade de dívida pode ser feita com qualquer tipo de financiamento ou empréstimo e é uma boa aliada no combate ao desequilíbrio no orçamento
Foto: Shutterstock

O volume de empréstimos tomados por pessoas físicas no Ceará atingiu R$ 53,2 bilhões em abril de 2021, crescimento de 15,3% na comparação com igual período de 2020, de acordo com dados do Banco Central. No quarto mês de 2020, o montante era de R$ 46,1 bilhões.

Diante do crescente volume em valor emprestado e das dificuldades econômicas impostas pelo coronavírus, avaliar dívidas mais antigas e a possibilidade de migrá-las de uma instituição financeira para outra pode ser uma boa aliada no combate ao desequilíbrio financeiro.

Isso porque a portabilidade permite ao cliente buscar o credor que oferece as menores taxas e, assim, pagar juros menores.

Quem contraiu, por exemplo, um financiamento imobiliário em 2017, quando os juros desse tipo de operação estavam bem mais altos, pode fazer a portabilidade da dívida e pagar taxas bem mais baixas hoje, já que os juros do crédito imobiliário estão bem menores.

Como fazer a portabilidade de uma dívida

Para fazer a portabilidade da dívida, economistas explicam que o primeiro passo é pesquisar as taxas de juros praticadas pelos bancos na modalidade pretendida (crédito consignado, financiamento imobiliário e etc.).

O consumidor, ao identificar a melhor taxa, pode entrar em contato com aquela instituição e fazer uma proposta.

O interessado na portabilidade deve ter todas as informações da dívida em mãos. “Essas informações são a instituição de origem do financiamento, número do contrato e saldo devedor atualizado, demonstrativo da evolução desse saldo devedor, modalidade da operação”, explica Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

Além disso, o cliente que deseja fazer a portabilidade deve ter ciência da taxa de juros anual paga no financiamento original.

“Ele deve saber a taxa de juros nominal e efetiva, o prazo total da dívida e a forma de pagamento. O cliente deve apresentar o valor de cada prestação com custo principal e encargos, além de apresentar quando terminaria aquela dívida”, destaca Coimbra.

Ele pontua que o cliente deve se informar junto à instituição para a qual deseja fazer a portabilidade sobre taxas que podem vir a ser cobradas, como a de abertura de crédito. “Algumas instituições cobram e outras não cobram”.

Veja o passo-a-passo da portabilidade:

  1. Busque as taxas que estão sendo praticadas no mercado e compare para ter as melhores para a operação desejada. Por exemplo: se você deseja migrar um financiamento imobiliário, procure os bancos que oferecem os juros mais baixos;

  2. Tenha uma espécie de Raio-X da sua dívida. Esse detalhamento deve ter informações como valor das prestações, Custo Efetivo Total (CET), saldo devedor e quantidade de parcelas pagas, tempo restante para a liquidação da dívida e etc;

  3. Entre em contato com as instituições que possuem as melhores taxas e faça uma proposta. Compare-as;

  4.  Esteja atento: podem ser cobradas taxas para abertura de crédito na instituição destino da portabilidade. E a instituição de origem do financiamento não pode se negar a permitir a portabilidade da dívida.

Educação financeira

Na avaliação de Ricardo Coimbra, procurar a portabilidade pode ser uma ferramenta muito interessante na busca por um orçamento mais equilibrado.

“É a troca de uma operação mais cara por uma mais barata, por isso o indivíduo deve fazer todo esse levantamento, principalmente do Custo Efetivo Total da operação (CET) para comparar se vale a pena ou não fazer a portabilidade”, explica.

O economista Allisson Martins também recomenda aos que possuem algum tipo de empréstimo ou financiamento a consulta das taxas de juros que estão sendo praticadas no mercado com certa frequência.

“Porque às vezes aquele cliente consegue observar uma janela de oportunidade para reduzir os juros que ele está pagando em alguma dessas operações”, detalha.

Martins também reforça que o cliente que deseja a portabilidade deve buscar, primeiramente, a informação.

“Ele vai entrar em contato com o banco, se informar sobre a taxa e a instituição vai fazer a avaliação de risco, vai dizer qual é a taxa que deve ser oferecida e então o cliente vai iniciar o processo de portabilidade”, frisa Martins.

A portabilidade de crédito pode ser feita em qualquer tipo de empréstimo ou financiamento e a instituição de origem não pode negar caso o cliente queira migrar determinada operação de crédito para outra instituição.

Allisson Martins detalha ainda que o tipo de operação que mais se destaca nesse ponto é o financiamento imobiliário, que normalmente conta com valores mais elevados e prazos mais longos.

“Em um financiamento imobiliário, qualquer percentual por menor que seja pode fazer uma grande diferença no pagamento das prestações. Isso também pode ocorrer no caso do financiamento veicular ou até mesmo no crédito pessoal”, explica.

Expectativa sobre a Selic

As taxas de juros do crédito imobiliário, crédito pessoal e financiamento veicular, por exemplo, acompanham a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 3,5% ao ano.

Apesar de o percentual ter sido elevado na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic ainda está bem abaixo do patamar atingido há alguns anos, quando estava em 14,25%.

Allisson Martins destaca que a política monetária expansionista adotada pelo BC nos últimos anos foi o que afetou positivamente uma série de linhas de crédito, umas em maior, outras em menor grau, com as reduções nas taxas.

Agora, o BC começa a fazer um caminho inverso.

“A perspectiva é de que a taxa Selic, que já começou a apresentar uma crescente, impacte essas modalidades como crédito pessoal, imobiliário, consignado. Se a Selic vai voltar àquele patamar anterior, mais alto, depende muito da retomada da economia e do apetite dos consumidores por crédito. A tendência, a priori, é que haja essa elevação, mas a gente ainda não sabe é em que magnitude”, arremata Allisson Martins.

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