Ricardo Cavalcante: ‘O que não fizemos no PIB em 70 anos, podemos fazer em 5 com hidrogênio verde'

Presidente da Fiec e da Associação Nordeste Forte falou durante a 13ª edição do evento Energia em Pauta, realizado na manhã desta sexta (30)

Legenda: Foram convidados para a mesa redonda sobre os avanços da regulação e contribuição do setor elétrico para a retomada da economia o diretor geral da Aneel, André Pepitone; a presidente da Enel Ceará, Mária Sandra; o deputado federal Danilo Forte e o presidente do conselho da Abeeólica, Fernando Elias
Foto: Diário do Nordeste

A produção e exportação de hidrogênio verde pelo Ceará deve possibilitar ao Estado dobrar o seu volume de atividade econômica em cinco anos e, por isso, é fundamental que seja trabalhada a regulamentação do setor. A colocação é do presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e da Associação Nordeste Forte, Ricardo Cavalcante, que participou nesta sexta-feira (30) da 13ª edição do evento híbrido (online e presencial) Energia em Pauta, do Sindienergia.

Ele destacou que o hidrogênio verde pode levar o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado a dobrar em cinco anos, “o que não foi possível em 70 anos”.

“Nós podemos fazer com o hidrogênio verde em cinco anos o que a gente não conseguiu fazer em 70 anos. Estamos falando do investimento de empresas que não vão precisar de financiamento, que estão vindo com recursos próprios de países como Alemanha e Holanda”, reforçou.

Ricardo Cavalcante também lembrou que o Ceará já conta com memorandos assinados e cerca de R$ 100 bilhões para a implementação da usina de hidrogênio verde no Porto do Pecém.

“A população do Ceará e o Nordeste não podem perder esse investimento”, destacou.

“Precisamos ter velocidade nessa regulamentação. Não vem um tostão do orçamento do governo. Pelo contrário, o governo está recebendo recursos de multinacionais para investir no País”.
Ricardo Cavalcante
Presidente da Fiec

Da esquerda à direita: André Pepitone, diretor-geral da Aneel; Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec; Luis Carlos Queiroz, presidente do Sindienergia; Danilo Forte, deputado federal
Legenda: Da esquerda à direita: André Pepitone, diretor-geral da Aneel; Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec; Luiz Carlos Queiroz, presidente do Sindienergia; Danilo Forte, deputado federal
Foto: Divulgação

O deputado federal Danilo Forte, da Frente Parlamentar das Energias Renováveis, frisou a necessidade de regulamentar não apenas o hidrogênio verde, mas a geração de energia offshore (parques instalados no mar). “É outra modernização que está batendo à nossa porta e com isso nós poderemos instrumentalizar esse setor tão ávido de investimentos e que pode contribuir significativamente”, disse.

Danilo Forte também afirmou que o Brasil “não tem o direito de andar na contramão do mundo”, se referindo aos jabutis das térmicas na MP que abre caminho para a privatização da Eletrobras, sancionada este mês.

Jurandir Picanço, consultor de energia da Fiec e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) também criticou o incentivo às térmicas a carvão.

Nosso planejamento ainda não absorveu que no mundo todo se investe para mudar a matriz energética e aqui ainda aceitam leilões de térmica a carvão, incentivando essa energia
Jurandir Picanço
Consultor de energia da Fiec

Competitividade da indústria

Fernando Elias, presidente do conselho da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), destacou que as energias renováveis representam hoje um fator de competitividade para a indústria.

“A indústria que está no mercado livre e tem a opção de fazer contratos de longo prazo, travando o seu fornecimento de energia, já escolheu a energia renovável como sua fonte, não só pelo impacto ambiental, mas pelo aumento da competitividade que esse tipo de energia agrega ao setor”, disse Elias.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, também participou do Energia em Pauta e destacou algumas regulações em relação ao setor elétrico nos últimos anos.

Ele também pontuou as dificuldades enfrentadas diante da maior crise hídrica em 91 anos, que ocasionou mudanças nas bandeiras tarifárias. “Nós estamos diante da maior crise hídrica do Brasil. Esse período hídrico de outubro de 2020 a abril de 2021 foi o pior em 91 anos. E nós já estamos com 7 anos de chuvas abaixo da média histórica”, lamentou.

Impactos na operação da Enel

Em meio às dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus, a Enel Distribuição Ceará contou com uma abertura maior para estar no meio digital, de acordo com a presidente, Márcia Sandra. “O período de pandemia nos abriu possibilidades no digital de estarmos próximos mesmo à distância”.

“Hoje, 75% da nossa relação com o cliente já ocorre por meio desses canais automáticos e digitais”, destacou a presidente da Enel Distribuição Ceará.

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