Quem é o cearense Mário Araripe e de onde vem a fortuna de um dos homens mais ricos do mundo
Empresário cearense foi o único brasileiro a entrar na lista mundial da Forbes deste ano, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões

Divulgada nesta terça-feira (1°), a lista de bilionários mundiais da Forbes traz o nome do cearense Mário Araripe. O fundador da Casa dos Ventos, segundo a publicação, possui uma fortuna de US$ 3 bilhões, o que seria em reais em torno de R$ 17 bilhões na cotação atual. Ele foi o único brasileiro a entrar na seletíssima lista deste ano, ocupando a 19ª colocação no ranking dos mais ricos do país e a 1.219ª colocação no ranking global.
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A fortuna de Araripe não é recente, vem sendo construída desde a década de 1980. Porém, foi a partir dos anos 2000, com os investimentos em energias renováveis, que ele começou a figurar na lista dos homens mais ricos do Nordeste, conforme a Forbes.
Sócio-fundador da Casa dos Ventos, ele é o idealizador da maior referência em energia renovável no Brasil, responsável por 1/4 de todos os projetos eólicos, e protagonista da transição energética que irá acelerar a reindustrialização do país.
Aos 70 anos, o empresário está trabalhando em um dos seus maiores investimentos, a construção de data center no Pecém para atrair big techs, no valor de R$ 55 bilhões, por meio da Casa dos Ventos.
Em 15 anos de trajetória, a empresa atua em todos os segmentos de energia renovável: desenvolvimento, geração, operação e manutenção, comercialização e plataforma de soluções customizadas para acelerar a jornada da descarbonização de empresas de diferentes setores da economia.
Atualmente, a Casa dos Ventos possui 3,1 GW de projetos em operação e mais de 30 GW de projetos em desenvolvimento, que equivale ao maior portfólio de renováveis do país.
Trajetória profissional
Nascido no Crato, no interior do Ceará, em 20 de dezembro de 1954, Araripe é filho de um engenheiro de obras contra a seca. Integrante de uma família de classe média do interior, se formou em Engenharia Mecânica-Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com curso de extensão pela Harvard Business School (EUA).
Na empresa do setor têxtil do sogro, ele iniciou a sua trilha como empresário. Na década de 80, montou a construtora Colmeia, na época uma das maiores do Nordeste, especializada em imóveis de luxo. O negócio foi vendido em 1994, quando Araripe investiu novamente no ramo têxtil, com a Companhia Valença Industrial e a Têxtil União.
Acelerando com a Troller
No fim da década de 90, ao retornar com a família (esposa e quatro filhos) de uma temporada de estudos em Boston (Estados Unidos), Araripe usa recursos da venda da construtora Colmeia para comprar a fábrica de veículos utilitários Troller.
A empresa, localizada em Horizonte (CE) e fundada em 1995 pelo engenheiro Rogério Faria, dois anos depois foi vendida para Araripe. Controlador da marca, ele foi o responsável pela grande aceleração da empresa e reconhecimento do produto 100% brasileiro com as participações e vitórias em provas do Rali Paris-Dacar e dos Sertões, entre outros.
Após 10 anos, o empresário vendeu a Troller à norte-americana Ford, em um negócio estimado em R$ 600 milhões.
Conselho que valeu "uma fortuna"
Em uma conversa com o engenheiro Odilon Camargo, ex-colega do ITA e responsável pelo primeiro grande levantamento sobre o potencial eólico do Brasil, elaborado para o Ministério de Minas e Energia, Araripe entendeu que quem “surfaria nessa onda” seria quem se “jogasse na água primeiro”.
Considerando os bons ventos do Nordeste, ainda em 2007, ele criou a Casa dos Ventos. No início, a empresa comprava e alugava terras no Ceará para desenvolver projetos eólicos e, rapidamente, se tornou a maior desenvolvedora de parques de geração de energia, entre projetos próprios e para terceiros.
Os investimentos ocorrem em diversos estados da região, além do Ceará, como Pernambuco e Piauí, entre outros.