Prévia do PIB do Ceará cresce mais que a do Nordeste; inflação pode conter resultados

Segundo o Banco Central, a atividade econômica cearense registrou alta de 2,57% no trimestre entre julho e agosto de 2021

Resultado do PIB do Ceará foi puxado principalmente pela indústria
Legenda: Resultado do PIB do Ceará foi puxado principalmente pela indústria
Foto: Divulgação/CSP

A economia cearense registrou uma nova melhora acima da média do Nordeste. Segundo o Índice de Atividade Econômica (IBCR) do Banco Central, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o Ceará  teve uma evolução de 2,57%.

O número é referente ao trimestre entre junho e agosto deste ano ante o período diretamente anterior (março a maio de 2021). 

Na mesma base de comparação, considerando a série dessazonalizada, a economia do Nordeste teve uma alta de 1,09%. 

Já em relação ao mês de agosto, o Ceará teve uma alta de 0,74% ante o resultado de julho de 2021. A média dos estados nordestinos analisados pelo Banco Central registrou leve queda de 0,04% nesta comparação. 

Dados acumulados 

Já em relação ao acumulado do ano, no valor observado sem correção de ajustes sazonais, o Ceará teve uma alta 4,26%, considerando o período entre janeiro e agosto de 2021.

Na soma do resultado dos últimos 12 meses, a alta é 3,13%. 

Já para o Nordeste, os dados do IBCR indicam altas de 2,81% para os últimos 12 meses, e 4,06% entre janeiro e agosto de 2021. 

Estados no Nordeste 

Além do Ceará, o Banco Central analisou os resultados de Bahia, que teve uma queda de 0,12% na análise trimestre (dessazonalizado) e alta de 0,65% em agosto ante o mês anterior; e Pernambuco, que registrou variações de 1,93% e -0,43%, respectivamente para os parâmetros citados. 

Análise de cenário 

Para Bruno Cals, diretor do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Ceará (Ibef-CE), o resultado apresentado pela economia do Estado foi puxado por setores da indústria, que vinha em recuperação desde antes da segunda onda da pandemia de Covid-19, além do desempenho do setor de serviços.

Contudo, ele alertou que esses resultados poderão ser prejudicados nos próximos meses. 

"Apresentar um número positivo e melhor que a média é sim um fator positivo. Os resultados do PIB do Ceará no 2° trimestre deste ano já mostravam perspectivas melhores que o resultado médio nacional, em que se destacava o forte crescimento do setor industrial, principalmente os setores de transformação, construção civil e de utilidades, como eletricidade, gás e água, e do setor de serviços. No entanto, é importante observar que os resultados positivos ocorridos nos últimos meses podem estar comprometidos para os próximos meses" 
Bruno Cals
Diretor do Ibef-CE

Pressão inflacionária

De acordo com o diretor do Ibef-CE, a pressão inflacionária observada no mercado nacional e local deverão pressionar os resultados da economia nos próximos meses.

Resultado de várias frentes, como alta do dólar e variações de demanda no mercado internacional, esse encarecimento de produtos pode prejudicar indicadores econômicos no Brasil, principalmente no momento em que não há definições sobre o novo programa de transferência de renda do Governo Federal. 

Essas movimentações devem trazer impactos ainda maiores no consumo das famílias. 

"Estamos passando por um período de aceleração da inflação, aumento das taxas de juros, problemas na cadeia de suprimentos de muitas indústrias, que, em conjunto, podem acabar influenciando o nosso crescimento no curto prazo. Além disso, ainda não temos definido como ficará o programa de distribuição de renda do governo federal, que tem sua importância dentro da economia local. Os estímulos monetários dados ao longo da crise já reduziram e, em conjunto com o aumento da inflação, está diminuindo o poder de compra das famílias", disse. 

"Não menos importante está a interrupção da tendência de alta na confiança do consumidor e das empresas, que poderá impactar também a economia nos próximos meses com a diminuição de consumo e investimentos", completou Cals.

PIB DOS ESTADOS NO ACUMULADO DE 2021

  • Ceará: 4,26%
  • Bahia: 3,14%
  • Pernambuco: 6,51%
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