Mães que lideram: um caminho estratégico para empresas mais humanas e competitivas

Escrito por
Delania Santos ds@delaniasantos.com
Legenda: A maternidade desenvolve competências que são cada vez mais valorizadas no ambiente corporativo moderno: empatia, resiliência, escuta ativa, adaptabilidade e visão sistêmic
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Na semana em que celebramos o Dia das Mães, é inevitável olhar com mais atenção para as mulheres que equilibram a maternidade com a vida profissional — e, mais do que isso, exercem liderança nos dois campos. Essas mulheres têm muito a ensinar, não apenas pelo esforço diário, mas pela sabedoria silenciosa que carregam em suas rotinas. 

Sou mãe desde os 26 anos! Ganhei dois grandes tesouros e graças a eles vi minha vida sendo transformada a cada momento. Parar ou desistir nunca foi uma opção para mim! A cada desafio, mesmo abatida, buscava energia para me levantar e seguir em frente. Assim como eu, muitas mães já passaram por vários vales, e isso certamente contribuiu positivamente para suas carreiras. Os ‘vales’ são laboratórios muito importantes para uma mãe. Eles trazem à tona habilidades e atitudes que muitas vezes não temos consciência. Só diante de uma grande dificuldade, eles se apresentam. Quando conscientemente extraímos destas situações todos os aprendizados, evoluímos. 

Mães líderes não apenas entregam resultados, a maternidade desenvolve competências que são cada vez mais valorizadas no ambiente corporativo moderno: empatia, resiliência, escuta ativa, adaptabilidade e visão sistêmica. São habilidades que não se aprendem em cursos, mas na vivência intensa de cuidar, orientar e decidir com responsabilidade afetiva. Tudo o que os ambientes corporativos precisam! 

Essas líderes entendem que o tempo é precioso, e por isso são objetivas. Sabem priorizar com clareza. Criam ambientes de trabalho mais acolhedores, promovem colaboração genuína e cultivam vínculos com suas equipes, não apenas metas. Elas lideram com propósito, e isso inspira.

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Como as empresas podem aproveitar essas habilidades?

Participei como mediadora de um painel sobre liderança feminina em um congresso em Fortaleza, e uma das convidadas mencionou que foi promovida a um cargo importante de liderança quando estava grávida. Ela ficou tão surpresa que falou para o seu gestor: “estou grávida! Você sabe disso, né? O gestor retrucou: “sim, sei. Temos que organizar sua licença.” E foi só! Ela confessou que ficou bastante impressionada com isso. 

Em um ambiente em que os resultados muitas vezes se sobrepõem as pessoas, não fico surpresa pela reação da profissional. Porém, apoiar a presença de mães em cargos de liderança não é um ato de caridade. É uma decisão estratégica! E o seu líder sabia disso. Ambientes que valorizam essas profissionais tendem a ser mais humanos e, consequentemente, mais inovadores. Ganha a empresa e ganham os profissionais. Tenho certeza de que essa mulher jamais esquecerá essa oportunidade e muito menos o seu gestor. 

Embora acredite que espaços devem ser ocupados por mérito, as organizações precisam ter essa mentalidade, seja qual for o gênero, raça, idade, cultura etc. É necessário criar políticas reais de flexibilidade, confiar nas entregas, repensar os modelos de produtividade, de remuneração e, principalmente, eliminar o preconceito sutil (e estrutural) que ainda ronda a carreira das mulheres mães.

Esses preconceitos estão relacionados à cultura, mas também aos ocupantes dos cargos estratégicos. Embora a diferença na remuneração entre homens e mulheres já esteja diminuindo aos poucos no Reino Unido, com base nos registros feitos desde 2017, ainda temos um longo caminho pela frente. No Brasil, as mulheres, em média, recebem 20,9% a menos do que os homens. 

O que a empresa pode fazer para mudar esse cenário? 

Primeiramente, é essencial adotar uma postura ativa. A equidade de gênero e o reconhecimento do valor das mães líderes não podem ser apenas discursos em datas comemorativas, mas devem estar incorporados à cultura organizacional. Algumas ações concretas incluem:

1. Desenvolvimento intencional de lideranças femininas: oferecer programas de mentoria, capacitação e visibilidade para mulheres com potencial de liderança, inclusive durante (e após) à maternidade. 

2. Avaliação de performance baseada em entregas: a cultura do “ficar até mais tarde” já não representa eficiência. É preciso valorizar a objetividade e os resultados reais, e se essa profissional for avaliada por outra mulher, que os critérios sejam justos, colocando de lado a competição, comum entre mulheres. 

3. Combate ao viés inconsciente: promover treinamentos, rodas de conversa e mecanismos de escuta ativa para identificar e desconstruir estereótipos que limitam o crescimento das mulheres mães. Entender que os estilos de liderança entre homens e mulheres podem ser diferentes, e tudo bem! Não impor um comportamento ‘masculino’ na liderança para que o reconhecimento aconteça. 

4. Reconhecimento e valorização: dar visibilidade às histórias de mães que lideram com excelência dentro da organização para inspirar outras mulheres e provocar reflexões em toda a liderança. Estimular a participação de mulheres líderes em eventos oficiais representando a empresa. 

No Dia das Mães, que tal, em vez de flores, oferecer oportunidades? Mais espaço? Mais escuta? Mais respeito? As mães líderes já provaram seu valor. Agora é a vez de as empresas agirem intencionalmente. 

Nesta coluna, trarei reflexões sobre carreira, liderança, coaching e tendências que impactam o mundo do trabalho. Sua participação é muito bem-vinda! Deixe sua pergunta, comente este post ou envie uma mensagem pelo Instagram: @delaniasantosds. Aproveite para se inscrever no canal do YouTube: @delaniasantosds. Será um prazer ter você comigo nessa jornada. Até a próxima!

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