O lado invisível da toxidade: 5 atitudes que desgastam o ambiente profissional

Escrito por
Delania Santos ds@delaniasantos.com
Legenda: A linha entre competir e sabotar, entre apontar falhas e humilhar, entre compartilhar informações e espalhar boatos, pode se tornar perigosamente tênue
Foto: Shutterstock

Quando falamos de ambientes tóxicos, é fácil culpar a cultura organizacional, o líder ou ainda os gestores de RH. O fato é que, além desses fatores, cada indivíduo tem a sua parcela de contribuição para que isso não aconteça. Uma crítica aqui, uma disputa acolá, uma informação “estrategicamente” omitida, pouco a pouco, estes comportamentos criam um ambiente pesado, hostil e improdutivo. A princípio, esses comportamentos podem parecer inofensivos, mas a verdade é que comprometem a produtividade e impactam diretamente a saúde mental das equipes. Vamos refletir? 

A busca por alta performance, inovação e resultados rápidos tem pressionado organizações e pessoas a operarem em ritmo acelerado. Nesse contexto, a linha entre competir e sabotar, entre apontar falhas e humilhar, entre compartilhar informações e espalhar boatos, pode se tornar perigosamente tênue. O que muitos esquecem é que ambientes tóxicos não nascem da noite para o dia, eles são construídos, comportamento a comportamento, escolha a escolha. Discordo da ideia de que a solução está apenas na cultura organizacional ou na atuação dos líderes: acredito que cada colaborador tem um papel fundamental e, independentemente das políticas internas, pode e deve contribuir para a criação de um ambiente saudável e motivador. 

Uma autoavaliação sincera é o primeiro passo para identificar e corrigir esses sinais. Uma atitude autorresponsável contribui para preservar o próprio desempenho, o engajamento e a saúde mental dos integrantes do time. Conheça agora os cinco principais comportamentos que, silenciosamente, envenenam o ambiente de trabalho, os quais precisam ser combatidos com urgência.

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Competitividade tóxica

Competir é natural e, muitas vezes, saudável. Mas quando o desejo de vencer se sobrepõe à ética e ao respeito, instala-se um ambiente de rivalidade cega. Algumas pessoas competem por atenção, por projeção profissional e há ainda quem copia o estilo de vestir e falar de alguns colegas que são mais ‘populares’, no intuito de se tornar mais querido. 
    • Características: necessidade constante de comparação, celebração de erros dos colegas, sabotagem disfarçada.
    • Sinais: queda no compartilhamento de informações, isolamento entre equipes, aumento de conflitos interpessoais. 
    • Impacto: paralisa a criatividade, gera estresse, ansiedade e dificulta a colaboração. O colega de equipe é visto como alguém que deve ser combatido. 

Jogo sujo

Promover intrigas, omitir informações estratégicas ou manipular resultados são práticas que caracterizam o jogo sujo. Alguns fazem questão de expor o seu colega em reuniões ou diretamente para o líder quando na verdade fingem ser cordiais e parceiros de trabalho. 

  • Características: manipulação, falta de transparência, busca de vantagem a qualquer custo.
  • Sinais: promessas não cumpridas, “panelinhas” estratégicas, distorção de informações para favorecer alguns e mentiras para prejudicar deliberadamente o colega. 
  • Impacto: destrói a confiança, aumenta a rotatividade e é um forte gatilho para insônia, irritabilidade e burnout.

Crítica pela crítica

Em vez de propor soluções, certos profissionais focam apenas em apontar falhas de maneira destrutiva.  Em alguns momentos este comportamento assemelha-se ao bullyng, provocando risos dos demais e focando os pontos que mais incomodam o alvo. 

  • Características: comentários ácidos, ironias, falta de sugestões construtivas. Sabe aquela pessoa que, depois de criticar, diz: “falo isso porque gosto de você.” Pois é! 
  • Sinais: feedbacks sem propósito claro, ambiente de medo e insegurança para propor ideias.
  • Impacto: desmotivação generalizada, baixa autoestima, favorecendo quadros de depressão e isolamento.

Síndrome do quadrado

Quando um colega pede ajuda em um projeto, mas a resposta é sempre um não automático ou a frase ‘não é minha função’, estamos diante de alguém preso à síndrome do quadrado. Criei este termo para retratar as pessoas que focam só no que interessa para elas. É resistente a novas ideias e é incapaz de dialogar quando há pontos de vista diferentes.

  • Características: rigidez mental, foco excessivo nas próprias demandas, resistência a mudanças, falta de empatia com as necessidades coletivas. 
  • Sinais: repetição de argumentos sem abertura para o novo, bloqueio a inovações, conflitos geracionais. 
  • Impacto: estagnação profissional, frustração e sentimentos de impotência que afetam o bem-estar emocional.

Fofocas

A ausência de comunicação clara favorece a proliferação de rumores e mal-entendidos. Mas, além disso, algumas pessoas adoram falar sobre suas percepções sem qualquer responsabilidade e/ou repassar informações para as quais não se tem comprovação. Sabe aquela pessoa que diz: “eu só ouço, não repasso nada do que me dizem?” Pois é, essa pessoa alimenta este comportamento e, portanto, é o ‘incentivador’ da fofoca. E aquela que diz: “vou te contar uma coisa, mas não conta para ninguém, ok? Só estou falando para você!” é o ‘fomentador’ das fofocas.

  • Características: distorção de fatos, conversas maliciosas, especulações sem confirmação.
  • Sinais: ambiente carregado de desconfiança, surgimento de “versões” não oficiais de decisões, ruído na comunicação.
  • Impacto: clima de tensão constante, insegurança psicológica e aumento dos transtornos de ansiedade.

Cultivar um ambiente saudável exige vigilância constante e coragem para enfrentar comportamentos que, silenciosamente, corroem a cultura organizacional. A busca desenfreada por resultados, quando não acompanhada de relações éticas e respeitosas, traz um custo alto: queda na produtividade, perda de talentos e agravamento de transtornos de saúde mental.
Promover a colaboração, a transparência e o respeito mútuo é mais do que uma escolha estratégica — é uma responsabilidade coletiva.

Ambientes saudáveis não se constroem por acaso: eles são o reflexo consciente de cada comportamento que escolhemos adotar todos os dias.Delania Santos

Pergunta para reflexão:

Que comportamentos você tem alimentado no seu ambiente de trabalho: os que fortalecem a confiança ou os que silenciosamente a destroem?

Nesta coluna, trarei reflexões sobre carreira, liderança, coaching e tendências que impactam o mundo do trabalho. Sua participação é muito bem-vinda! Deixe sua pergunta, comente este post ou envie uma mensagem pelo Instagram: @delaniasantosds. Aproveite para se inscrever no canal do YouTube: @delaniasantosds. Será um prazer ter você comigo nessa jornada. Até a próxima!

 

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