Lockdown: ‘Estratégia é procurar qualquer alternativa de sobrevivência’, aponta presidente da FCDL

Pressão cresce sobre setores de comércio e serviços. Decreto de isolamento social rígido foi prorrogado por mais uma semana no Ceará, passando a valer até 28 de março

Lockdown em Fortaleza
Legenda: As pessoas deverão portar documento ou declaração subscrita que comprove a necessidade de deslocamento.
Foto: José Leomar

O governador Camilo Santana prorrogou o decreto de isolamento social rígido por mais uma semana no Ceará, que passa a ter validade até dia 28 de março. A decisão não surpreendeu o setor comercial, que permanece sob restrição de funcionamento, mas continua sendo preocupante diante dos impactos de faturamento e demissões já sofridos nas últimas duas semanas de lockdown, segundo o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro. 

O decreto continua permitindo funcionamento apenas de atividades essenciais. Portanto, a maior parte do comércio ficará fechada. 

“Isso tem impactado muito negativamente para essas empresas. É um quadro muito caótico, nós estamos fazendo aqui um esforço grande para controlar, não tem sido fácil”, salientou Cordeiro. 

Para tentar escapar da crise, o presidente da FCDL afirma que a “estratégia é procurando qualquer alternativa de sobrevivência”. Uma delas é recorrer a linhas de financiamento bancário, porém, segundo Freitas Cordeiro, já não é suficiente. 

“Nós procuramos o Banco do Nordeste como Federação, levamos para essas empresas uma linha de renegociação que o banco tem bem interessante para vários tipos de financiamento. Isso é um alento, não resolve, está mais na expectativa. E também linha de crédito diferenciada. Muitos já não podem mais ter acesso a essa linha de crédito porque não tem mais nenhum cadastro que justifique a concessão do crédito. Situação difícil”, declarou. 

Bares e restaurantes

Para o segmento de bares e restaurantes, autorizado a funcionar apenas por delivery, a situação é ainda mais dramática. Pesquisa divulgada hoje pela Abrasel mostra que 76,1% das empresas já não possuem mais recursos para pagamento dos funcionários, 78,4% não conseguem honrar o aluguel, ou já estão em dívida e 65,7% estão em atraso ou não mais pagarão os seus fornecedores. 

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto,

Righetto destacou a importância da iniciativa do governo estadual para o pagamento de dívidas relacionadas ao fornecimento de água e energia de estabelecimentos de pequeno porte, mas lamentou que ainda não haja definição quanto ao programa federal de apoio, o  Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm).

“Isso (medidas do governo estadual) é muito importante. Eu espero também que essa sensibilização venha quando a gente puder retornar. A gente sabe que o momento é muito complicado também na saúde, claro, mas quando vier, eu espero também e tenho pedido muito ao Governo do Estado, que essa mesma atenção importante que ele está dando agora seja dado também na retomada”, frisou. 

Selo Lazer

Uma das principais expectativas da Abrasel em negociações com o Governo do Estado é sobre a distribuição do Selo Lazer Seguro para os estabelecimentos do setor na retomada do funcionamento, indicando quais estarão cumprindo rigorosamente os protocolos sanitários. 

“Vai mudar bastante o tratamento no quesito de protocolos que deve dar muito mais segurança do que já existe hoje dos restaurantes. Acho que vai permitir a gente trabalhar com muito segurança. Estou apostando muito nessa conscientização da população, nesse momento de sensibilização, para que a gente possa voltar o mais rápido possível a trabalhar, sob pena mesmo da gente ser extinto do mercado”, comentou. 

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