INSS diz que estará pronto para as novas regras
São Paulo/Brasília. O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Leonardo Gadelha, defendeu ontem, 5, a reforma da Previdência e adiantou que, caso a proposta de emenda constitucional seja aprovada no Congresso, os sistemas do órgão serão rapidamente atualizados para operar sob as novas regras.
>>Governo quer idade mínima de 65 anos e 50 de contribuição
>>Auxílio a deficientes e idosos terá mudanças
>>Proposta de reforma é injusta, afirma CUT
Gadelha classificou como "absolutamente necessária" a reforma nas aposentadorias, tendo em vista a transformação demográfica "drástica" e a perspectiva de transformação no mercado de trabalho nos próximos anos devido ao aumento do nível de automação, levando à perda de empregos formais e, como consequência, mais impacto sobre o sistema de seguridade. "Isso vai nos obrigar a fazer reformas previdenciárias com muita frequência", disse Gadelha.
Segundo ele, os R$ 425 bilhões pagos em benefícios pela autarquia no ano passado - ou 8% do Produto Interno Bruto (PIB) - correspondem a um volume financeiro "bastante significativo" que precisa ser discutido pela sociedade. Gadelha acrescentou que, do ponto de vista dos benefícios contributivos, o INSS é superavitário, mas quando são incluídos os benefícios sociais o resultado é um déficit que superou R$ 100 bilhões em 2015 e que deve crescer neste ano em virtude do avanço do desemprego.
Sindicatos criticam
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, disse que as medidas "são tão exageradas que vão ajudar a fortalecer mobilização dos trabalhadores contra a reforma". Ele questionou a falta de detalhes sobre se haverá cobrança de setores que hoje são isentos, como o agronegócio e os exportadores.
Juruna também se queixou de Temer não ter apresentado nenhum papel com a proposta.
A reunião com os sindicatos foi feita logo após o encontro com líderes da base aliada. Além da Força Sindical, compareceram representantes da UGT, Nova Central, CTB, CSB, Contag (que representa os trabalhadores rurais) e Dieese.