Indústrias de beneficiamento de rochas do Sudeste na mira da ZPE

Projeto visa impulsionar a cadeia de exportação do setor a partir do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Representantes da ZPE e do Cipp estão no Espírito Santo em busca de parcerias, mas negociações ainda são iniciais

Legenda: A transferência de estruturas para o Ceará deverá depender do portfólio de cada empresa
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

Os planos para fortalecer o setor de rochas ornamentais no Estado seguem em andamento. Nesta semana, representantes da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará estão no Espírito Santo para vender um projeto de atração de indústrias de beneficiamento de rochas para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Apesar das visitas estarem ainda em processo inicial de negociação com o Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (Sindirochas-ES), o Governo do Estado já preparou um investimento de cerca de R$ 28 milhões em infraestrutura para receber as empresas interessadas em vir para o Ceará. 

Segundo Celmo Freitas, executivo do Sindirochas-ES, os representantes da ZPE local estão se reunindo com os empresários capixabas para apresentar uma nova oportunidade de negócio focada na melhora dos processos logísticos relacionados à exportação de rochas ornamentais. Atualmente, boa parte das pedras extraídas no Ceará é enviada em caminhões ao Espírito Santo para serem beneficiadas. A partir desse tratamento é que os produtos são exportados para destinos como Estados Unidos, Itália, China, Argentina e Hong Kong. 

O objetivo das negociações é fazer com que as empresas do Espírito Santo possam transferir a infraestrutura para o ZPE, em um espaço que deverá ter cerca de 23 hectares, segundo Maia Júnior, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet). 

É um projeto interessante. Tivemos uma conversa porque o setor de rochas se concentra mais no Espírito Santo, mas no Ceará há a extração de algumas rochas que têm apelo de mercado e boa parte desse material vai para exportação. Como o Ceará tem um complexo portuário com respaldo ao mercado, eles visualizaram uma possibilidade de negócios que seria atrair indústrias para a região, pois isso reduziria a questão do custo do frete e de alguns processos”, explicou Celmo Freitas. 

Apesar da boa receptividade pelo projeto, o executivo do Sindirochas-ES projeta que as negociações ainda deverão se estender por um tempo. A decisão de transferir estruturas para o Ceará deverá depender do portfólio de cada empresa e das articulações com a ZPE e o Governo do Ceará.
“É uma possibilidade. Estamos em uma fase de namoro e negociação. Vai depender de cada um, dos portfólios, mas estamos falando de uma operação complexa, pois já temos uma planta consolidada e trataríamos dessa transferência, mas estamos falando com instituições sérias como o Governo do Ceará e o Porto de Roterdã e vamos ver se lá na frente isso virará um negócio”, ponderou Freitas.

Cautela

O diretor presidente da ZPE-CE, Mário Lima, também projetou cautela ao processo de diálogo com as empresas do Espírito Santo. Ele afirmou que as rodadas de conversas deverão continuar durante a semana, deixando para fazer uma avaliação quando a comitiva retornar ao Ceará.

“Nós estamos no meio da jornada, não há nada definido. Estamos vendendo o projeto, a ideia, mas resultado disso tudo só poderemos saber no futuro. Estamos vendendo a ideia do projeto - repete-, que é o nosso trabalho, mas ainda é prematuro para falar sobre perspectivas, porque estamos negociando com as empresas aqui no Espírito Santo. Quando voltarmos teremos uma ideia melhor”, afirmou Mário Lima.

Projeto

A perspectiva cautelosa foi corroborada pelo secretário Maia Júnior. “Nosso pessoal da Cipp e ZPE se encontram no Espírito Santo tentando atrair empresas de rochas ornamentais para o Ceará. Mas não temos um resultado das visitas ainda, pois a equipe ainda retornou”, disse. Contudo, o titular da Sedet confirmou dados sobre o projeto na ZPE.

“Estaremos preparando 23 hectares, difícil precisar quantas empresas pois depende sempre da necessidade de área que o investidor solicite. O investimento será da ordem de R$ 17 milhões na preparação da área e aproximadamente R$ 14 milhões em infraestrutura de energia elétrica”. 

Segundo Maia Júnior, as empresas interessadas em se instalar no complexo portuário do Pecém deverão ser direcionadas à área 2 do local. A licitação para as obras já foi enviada à Procuradoria Geral do Estado (PGE) cujos investimentos já foram aprovados pelo conselho administrativo de Cipp e ZPE. 

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