Indústria não deve paralisar atividades em novo lockdown, aponta Fiec

Segundo Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), setor será enquadrado como atividade essencial

Legenda: Segundo economista, indústrias têxteis e metalmecânicas devem ser as principais beneficiadas no Ceará
Foto: José Rodrigues Sobrinho

O anúncio de lockdown por duas semanas em Fortaleza não deverá impedir que as indústrias do Estado continuem funcionando no período, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). A entidade participa do Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus, que embasa as decisões sobre o isolamento social no Estado.

A adequação da indústria como serviço essencial e, portanto, autorizado a funcionar, no entanto, só deve ser confirmada com a publicação do decreto estadual nesta quinta-feira (4).

O vice-presidente da Fiec, André Montenegro, argumenta que pesquisas comprovam a baixa contaminação dos trabalhadores do setor com o cumprimento das medidas sanitárias necessárias, como o uso da máscara, higienização constante das mãos e distanciamento.

"Eu acho uma decisão muito radical (o lockdown). Tendo esses cuidados, não há problemas dentro do ambiente de trabalho. A disseminação acontece fora dele, quando as pessoas não têm o menor cuidado", afirma Montenegro.

Ele exemplifica que, na própria empresa, atuante no segmento da construção civil, trabalham cerca de 700 pessoas e que apenas 10 delas tiveram Covid-19, nenhum precisou de internação.

Demissões

Caso tenham que paralisar as atividades, o vice-presidente da Fiec aponta que uma nova onda de demissões, ainda pior que a primeira, poderá acontecer. Isso porque as empresas já não possuem mais reservas financeiras para manter o quadro de funcionários intocado no período.

"Se você pensar em uma grande empresa que tem que frear de repente, é um impacto muito grande. Não temos certeza se serão apenas esses 14 dias. Se tivéssemos, daríamos um jeito de segurar as demissões. Mas como não temos, isso gera uma instabilidade muito grande e temos de cortar na própria carne", ressalta.

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