Confira dicas para organizar as finanças e sair do endividamento em 2022

Planejamento é a principal ferramenta para conseguir colocar as finanças em dia, quitar contas e alcançar sonhos

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
Legenda: O orçamento financeiro deve levar em conta os sonhos individuais, do casal ou da família
Foto: Shutterstock

O início de um novo ano traz para muitas pessoas a oportunidade de recomeço, de tirar planos do papel e de reorganizar a própria vida, com a esperança de que neste novo ciclo tudo dará certo. Uma das metas bastante comuns é de colocar as finanças em dia, seja saindo das dívidas, juntando dinheiro ou mesmo começando a investir. 

Neste momento, é comum fazer promessas de mudanças abruptas de hábitos para alcançar objetivos. Mas, mais importante que ir do 8 ao 80 é ter o planejamento em primeiro lugar

Seja qual for o objetivo financeiro, o primeiro passo é sempre realizar um diagnóstico das finanças, colocando na ponta do lápis tudo o que entra e que sai em termos de dinheiro. Feito isso, o coordenador do MBA de gestão financeira da FGV, Ricardo Teixeira, indica que se devem traçar metas realistas e alcançáveis. 

O planejamento realista é aquele que consegue ser cumprido. Tem que saber o quanto você efetivamente ganha. Disso, quanto você pode abrir mão para poupar ou pagar dívida. Você não aguenta muito tempo no esforço, vai acabar furando. Tem que ver quanto é confortável para você sobreviver e quanto sobra. Não adianta esticar a corda ‘porque é começo do ano, vou me sacrificar’. Ninguém consegue por muito tempo
Ricardo Teixeira
coordenador do MBA de gestão financeira da FGV

Planejamento financeiro 

Anotar todos os ganhos e despesas é fundamental para quem quer ter uma vida financeira equilibrada. Esse controle pode ser feito em um caderno, planilha ou aplicativo, da forma como a pessoa se adaptar melhor.  

O importante é que conste todos os gastos, desde um cafezinho a compras maiores. Só assim é possível identificar por onde o dinheiro está saindo e cortar custos para conseguir cumprir objetivos financeiros. 

A indicação do educador financeiro e comportamental da DSOP, Jorge Navarro, é realizar esse acompanhamento durante 30 dias mantendo os hábitos comuns, a fim de se traçar um diagnóstico do padrão de consumo.  

“O primeiro passo não é você querer mudar os seus hábitos de uma hora para outra. Se você gosta de jantar fora, da pizza na sexta-feira, você não vai cortar de uma vez. Nos primeiros 30 dias não muda sua rotina, mas anota para onde está indo seu dinheiro”, detalha. 

O planejamento financeiro ideal deve levar em consideração gastos fixos, como aluguel e conta de luz, variáveis, mas necessários, como supermercado, e também gastos voltados para lazer. É importante ter em vista sempre os sonhos, sejam individuais, da família ou do casal; ter as finanças em dia é o caminho para alcançá-los. 

“Valorize os seus sonhos, nunca um só. Tem que ter no mínimo 3 sonhos, um de curto, um de médio e um de longo prazo. Sair das dívidas pode ser um dos sonhos, mas nunca pode ser o único. Tem que ter sonhos para você realizar, uma finalidade”, diz Jorge. 

Sair das dívidas 

A organização financeira começa por sair das dívidas para quem tem débitos pendentes. Para além dos gastos e ganhos, quem está endividado também deve começar levantando o quanto e para onde se deve. 

Tendo noção do montante de dívidas, chega a hora de entrar em contato com todos os credores em busca de uma negociação. Essa conversa pode ser feita tanto diretamente com a empresa como por meio de empresas especializadas em negociação de dívidas e espaços como o Serasa Limpa Nome. 

“Se tem dívida com vários credores, precisa chamar todos. Explica a situação e compara quem te dá a melhor proposta. Todos os credores querem negociar. É preciso avaliar as propostas e assumir algo que está dentro da sua realidade, não aceitar algo que não pode porque aí é pior”, chama atenção o superintendente de risco e cobrança da Uze, Giuliano Manocchio. 

O diagnóstico financeiro é fundamental neste momento, para que o endividado não se comprometa a pagar parcelas maiores do que cabem no seu orçamento. Aceitar condições que, por mais que ofereçam desconto, não caibam na realidade do devedor é um erro comum. 

Jorge Navarro indica que se deve começar a quitar as dívidas em uma ordem de prioridade, partindo primeiro de débitos em contas fundamentais – como em conta de energia ou água –, partindo para dívidas que têm bem como garantia – financiamentos de carro ou imóvel, por exemplo – e, por fim, os débitos com juros mais altos. 

Depois dessas dívidas de juros maiores, vai para carnê, boleto, crediário. Esses juros além de serem menores se consegue negociar com um prazo muito bom. Mas não pode se esquecer de forma alguma os impostos. Se você não pagar IPVA, você não pode fazer licenciamento e não pode rodar
Jorge Navarro
educador financeiro e comportamental do DSOP

Guardar dinheiro 

Há também os que, por mais que não tenham dívidas, gastam exatamente o que ganham todos os meses. Mesmo sem endividamento, é preciso ter cuidado já que, sem ter nenhuma reserva estratégica, qualquer imprevisto pode levar essa pessoa à inadimplência. 

Giuliano Manocchio destaca que mesmo as mudanças de hábito mais simples ajudam na missão de economizar. “No seu dia a dia você vai entender onde tem gastos supérfluos. Preciso sempre tomar café na padaria mais cara? Todos os dias preciso comer um chocolate? Não digo para não fazer, mas para não fazer todos os dias. Cada gastos tem que gerar uma análise se é supérfluo ou não”, aponta. 

O indicado é todos os meses poupar uma parte da renda. Inicialmente, deve-se compor uma reserva de oportunidade, para que a pessoa esteja segurada no caso de emergência, mas que também lidar com imprevistos e oportunidades sem precisar apertar o orçamento mensal. 

“A dica é se planejar, tudo é em torno do planejamento. Tem que fazer uma planilha para o ano todo. Se um mês sobra dinheiro, pode fazer algo que estava fora da planilha. Se faltar, tem que cortar. A única forma de não se endividar é fazer esse balanço todos os meses”, reitera Ricardo Teixeira. 

Principais dicas para organizar as finanças

  • Fazer um diagnóstico das finanças
  • Quitar as dívidas ou renegociá-las
  • Guardar dinheiro para investir e para a reserva de emergência