Comércio e hotéis comemoram extensão de decreto; eventos calculam perdas

Governador Camilo Santana confirmou ontem (2) que as condições especiais de isolamento social no Ceará devem ir até 10 de janeiro. Notícia é positiva para empresários do varejo e da hotelaria, mas eventos continuam restritos

Legenda: Comércio e shoppings podem manter horário de funcionamento estendido nesta semana
Foto: Camila Lima

Os empresários do setor produtivo cearense avaliaram como positiva e sensata a decisão do Governo do Estado de prorrogar até 10 de janeiro o decreto de fim de ano, que, entre outras medidas, proíbe eventos no Ceará. A medida foi anunciada ontem pelo governador Camilo Santana nas redes sociais. Contudo, enquanto comércio e hotelaria celebram as condições mais vantajosas de operação, como manutenção de horários estendidos e maior capacidade de ocupação, o segmento de eventos projeta dificuldades e impactos negativos já nos primeiros dias de 2021.

As recomendações sanitárias do decreto de fim de ano foram estabelecidas para acomodar a sazonalidade do período de festas. Com uma notável elevação de demanda nos setores do comércio, restaurantes, hotelaria e afins, por conta das festas de Natal e Réveillon, o Estado estabeleceu condições especiais de funcionamento da economia entre os dias 15 de dezembro e 4 de janeiro - prazo agora estendido até dia 10.

Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro, a decisão anunciada pelo governador deverá ajudar a reduzir as aglomerações no comércio, já que o setor continuará operando com um horário estendido entre 9h e 23h. Ele comentou que a medida já era pleiteada pelos empresários do setor há tempos, e que o comércio não pode ser prejudicado pelas aglomerações no Estado, que podem aumentar o nível de propagação do novo coronavírus.

"Eu sempre disse que evitar a propagação da pandemia nós tínhamos que aumentar o atendimento e evitar aglomerações. Não é questão de ser contra vida, temos de seguir os protocolos e evitar aglomerações", destacou o presidente da FCDL.

A decisão também foi comemorada pelo setor da hotelaria, que já buscava a manutenção do aumento do limite de ocupação. Desde o início do decreto de fim de ano, hotéis e pousadas estão operando com até 80% da capacidade máxima de hóspedes. O limite anterior era de 60%.

Em janeiro, cerca de 53% dos leitos estão reservados, segundo Medeiros, mas há expectativa que esse percentual cresça com as reservas de última hora. "Acredito que esse número possa melhorar um pouco. Estão tendo vendas de última hora", aponta.

Eventos

Já a presidente do Sindicato das Empresas Organizadoras de Eventos e Afins do Estado do Ceará (Sindieventos-CE), Circe Jane Teles, afirmou que a decisão deverá trazer impactos negativos ao segmento. Ela disse que as empresas poderiam aproveitar esse período de começo de ano para organizar eventos sociais e gerar empregos, mesmo que fossem temporários.

Circe Jane, contudo, ressaltou que é preciso respeitar as recomendações sanitárias, mantendo todos os cuidados para atender os protocolos durante a pandemia. A presidente do Sindieventos ainda ressaltou que o Governo do Estado poderia dar algum tipo de suporte durante esse momento de paralisação, projetando ainda a possibilidade de contratar empresas de evento para organizar estruturas em locais de vacinação.

"O setor já está fragilizado desde 2020 e o que temos de achar são alternativas de estabilidade para empresas que estão estagnadas, com o governo interferindo para dar sustentabilidade, minimizando os prejuízos", disse.

"Nesse período da vacinação as empresas poderiam auxiliar na organização desses eventos de imunização. É importante dar opções para que as empresas possam ter alguma segurança nesse momento", completou Circe.

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