Com lentes intraoculares, cirurgia de catarata corrige outros problemas de visão

Oftalmologista explica os avanços no tratamento da catarata e como é a cirurgia de implante de lentes intraoculares.

Legenda: A catarata senil, que afeta pessoas com mais de 60 anos, é a mais comum e pode causar cegueira.
Foto: Banco de imagem

 A catarata é uma das principais causas de cegueira e pode ser evitada. Fatores como diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares e exposição solar excessiva podem causar a doença, mas é a catarata senil, que afeta pessoas com mais de 60 anos, a mais comum. E não é só o risco de cegueira que vem junto com enfermidade ocular. 

De acordo com o médico Jovanni Gomes Alves, especialista em Oftalmologia com dedicação à cirurgia de catarata e membro da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes intraoculares, a doença, por causar baixa visual, pode afetar diretamente a qualidade de vida, sendo muitas vezes responsável por quedas e traumatismo nos idosos e diminuição da autoestima. “Pode ser causa de depressão, na medida que limita atividades como a leitura, dirigir veículos e outras atividades corriqueiras”, observa o médico. 

Como a catarata é o cristalino (lente intraocular natural responsável pelo foco longe e perto do olho) opacificado, para removê-la, só com cirurgia. É realizada, normalmente, entre 20 a 40 minutos, sem necessidade de pontos. “O cristalino opacificado (catarata) é quebrado e aspirado por uma técnica chamada de facoemulsicacão (combinação de pulsos de ultrassom). Após a remoção da catarata, é feito o implante da lente que vai ficar no mesmo local onde estava o cristalino opaco”, explica Jovanni Gomes. 

Legenda: Jovanni Gomes Alves, especialista em Oftalmologia com dedicação à cirurgia de catarata.
Foto: Acervo pessoal

Como salienta o médico, o pós-operatório é tranquilo, pois o trauma cirúrgico é pequeno. “Cada caso é avaliado separadamente: cataratas muito duras, córneas com poucas células e pacientes com diabetes e artrite, por exemplo, são casos específicos, que vão ter recuperação diferente dos casos em que não tem nenhuma doença associada ou algum fator de risco. Normalmente volta-se às atividades com 15 a 30 dias após a cirurgia, dependendo da atividade do paciente”, afirma. 

Lentes corrigem grau 

O grande diferencial da cirurgia de catarata são as lentes intraoculares chamadas de premium, ou seja, lentes que corrigem as ametropias (miopia, hipermetropia, astigmatismo e até mesmo a presbiopia). 

De acordo com o oftalmologista, é comum os pacientes se tornarem míopes com a catarata, passando enxergar para perto, quando antes não enxergavam, dando a impressão que estão enxergando melhor. Mas na verdade, afirma, a visão de longe piora muito e não é possível corrigir com óculos, sendo necessário a cirurgia e o implante da lente para corrigir a visão. 

Esse tipo de lente traz uma grande melhora na qualidade de vida dos pacientes. “O grande diferencial dessas lentes hoje é o fato de corrigirem além da visão de longe, também a visão de perto (chamado de vista cansada, que desenvolvemos após os 40 anos de idade)”, reforça Jovanni Gomes. 

Legenda: Lentes intraoculares corrigem também visão de perto e de longe e eliminam o uso de óculos após a cirurgia de catarata.
Foto: Divulgação

Diferenças 

A lente tradicional, explica Jovanni Gomes, é comumente usada para corrigir o grau do cristalino, mas após a cirurgia, o paciente continua usando óculos. Com as lentes premium, a correção do grau dos óculos no ato do implante dessas lentes é o grande avanço. Graças à tecnologia, permite-se fazer um cálculo preciso da lente a ser implantada.  

“Pode ser feito o implante de lentes tóricas (corrigem o astigmatismo) ou lentes trifocais (corrigem a vista cansada) ou ainda combinações de características das lentes que vão atender as mais diversas necessidades, deixando na maioria das vezes o paciente independente dos óculos. Quem vai indicar cada tipo específico de lente são as características do olho e a necessidade do paciente”, detalha o oftalmologista. 

Vale destacar ainda que as lentes intraoculares não causam rejeição. “As lentes intraoculares são implantadas há mais de 30 anos, sem nenhum caso de rejeição. Os materiais utilizados na confecção das lentes intraoculares são totalmente biocompatíveis”, argumenta. 

Além disso, a escolha da lente é personalizada levando em conta as características do olho do paciente e as necessidades deles. “Por tratar-se normalmente de um procedimento único e definitivo, devemos avaliar bem a escolha da lente ideal que vai deixar o paciente feliz e satisfeito”, finaliza Jovanni Gomes. 

Fonte: Jovanni Fomes Alves - Médico Oftalmologista CRM:5998 RQE: 1815 

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