Com alta dos preços, veja dicas para economizar ao planejar uma viagem

O ideal é um planejamento de pelo menos seis meses para realizar uma viagem, possibilitando aproveitar melhores preços de passagens e hospedagem

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
Legenda: A empresária Kerol de Paula fica atenta a aplicativos para conseguir passagens mais baratas
Foto: Divulgação/ Instagram

A demanda reprimida devido à pandemia está aquecendo o turismo, que volta aos poucos à normalidade. Ao mesmo tempo, os custos para viajar estão mais caros.  

Conforme dados de outubro do IPCA, as passagens aéreas já acumulam alta de 50,11% em 12 meses no País. Pacote turístico também tem alta de 16,76% e hospedagem, de 4,44%. Mesmo com os preços em alta, é possível economizar em uma viagem realizando um planejamento adequado.  

De acordo com a educadora financeira da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) Cintia Senna, o ideal é começar a planejar o passeio com pelo menos 6 meses no caso de viagens com destino mais distante e/ou de maior tempo de duração. Para destinos mais próximos e viagens de final de semana é possível se planejar com um prazo mais curto. 

O destino da viagem é um dos principais pontos a serem discutidos para definir o orçamento financeiro. Os envolvidos também devem analisar com cuidado o custo benefício do meio de transporte escolhido para a locomoção, levando em consideração também o deslocamento no destino. 

Primeiro passo 

O planejamento de uma viagem visando economizar deve começar muito antes da busca de passagens aéreas ou de hospedagem. A definição dos detalhes deve ser feita de forma conjunta entre os envolvidos, seja família ou amigos. 

“Reunir as pessoas que vão para a viagem para definir destino, tipo de hospedagem, tipo de transporte, quantos dias, o que eu vou fazer, se vou levar dinheiro para comprar algum item. O planejamento começa com o que se quer com a viagem”, detalha Cintia. 

É nesse momento que devem ser definidas as prioridades e, com base nelas, feito o orçamento. Quem tem como foco conhecer o máximo de atrações turísticas no destino pode ter de economizar mais com hospedagem. Quem prefere o máximo do conforto no hotel também pode ter de optar por viajar para algum lugar mais próximo de casa. 

Com todos os detalhes concordados entre quem vai viajar, chega a hora de orçar quanto deve ser gasto com cada despesa, incluindo a locomoção no próprio destino, alimentação e acesso a atrações turísticas. Também é importante reservar uma quantia em dinheiro para levar para possíveis imprevistos. 

O valor total da viagem pode ser economizado gradualmente, reservando parcelas do orçamento mensal. Utilizar o cartão de crédito pode ser uma opção para o parcelamento de passagens aéreas, mas Cintia não recomenda o uso de empréstimos. 

“Pegar empréstimo para viajar e ter empréstimo para pagar porque não tenho reserva, é um sinal de perigo que pode fazer com que a família realize o desejo da viagem, mas pode comprometer outros itens importantes do dia a dia. Tem que ter muita atenção e evitar empréstimo, é um sonho que pode virar pesadelo”, destaca. 

Meio de transporte 

Um dos maiores gastos da viagem é o meio de transporte utilizado para se chegar ao destino. A depender da distância do destino, a diferença de preço do modal rodoviário pode compensar o maior tempo de viagem. 

É o que faz o empreendedor digital Rodolfo Freitas, de 33 anos, que tem todos os meses 30% do orçamento separado para viajar. Ele calcula que 60% das viagens são feitas de ônibus para economizar.  

Para pagar ainda mais barato, ele utiliza aplicativos de ônibus e costuma comprar as passagens com uma semana de antecedência. Rodolfo também indica priorizar viagens à noite para conseguir aproveitar melhor o destino. 

“Muita gente viaja de manhã e perde tempo da hospedagem, quando você chega de manhã no destino consegue aproveitar mais o dia”, recomenda. 

No caso de quem quer viajar de avião, Rodolfo separa um período de 45 a 90 dias antes da data de ida para conseguir os melhores preços.

Também turista frequente, a empresária e autora do blog Kerol Viajar, Kerol de Paula, de 34 anos, indica ficar atento a aplicativos que alertam de passagens baratas. 

“Eu uso dois aplicativos de promoção de passagem, Melhores Destinos e Passagens Imperdíveis. Isso já ajuda bastante, já comprei passagem para Miami pagando R$ 700 por pessoa. A outra maneira de ficar em alerta é o Skyscanner, que você consegue colocar as datas, o destino e o valor. Para baratear a passagens é isso, além das milhas”, conta. 

Ela afirma que ter uma maior flexibilidade de datas faz diferença na hora da compra de passagens. Um ou dois dias a mais podem representar centenas de reais a menos na conta. 

Hospedagem 

A escolha da hospedagem deve ser feita com cautela para evitar que o barato saia caro. Algumas locações mais em conta podem não compensar devido à falta de conforto. 

Para evitar passar perrengue, Rodolfo conta que costuma ligar para o hostel ou pousada que ficará instalado e também busca opinião de outros clientes.  

Legenda: Rodolfo tem como meta viajar o máximo possível e separa todos os meses parte do orçamento para essa finalidade
Foto: Reprodução/ Instagram

“Eu começo pesquisando pelo Hostel World, pelo Google Hotéis e pelo Booking.com. Eu faço uma análise e geralmente pego o nome do hostel e ligo diretamente lá ou entro no site para dar essa pesquisada”, relata. 

É o que também recomenda a turismóloga Lorena Sena. “Deve-se considerar a localização (proximidade de metrô ou outras alternativas de transportes), procurar referências de amigos que já se hospedaram no mesmo lugar, verificar as avaliações de hóspedes, fotos”, diz. 

É importante colocar na ponta do lápis possíveis gastos com alimentação para ver quando compensa optar por uma hospedagem já com refeições inclusas. Outra dica é buscar locais sem taxa de cancelamento para que não haja prejuízos no caso de imprevistos. 

Alimentação 

O recomendado é, antes mesmo da viagem, já buscar restaurantes e bares na cidade de destino. Normalmente, é possível encontrar cardápios nas redes sociais para já se ter uma ideia de preços. 

Quem quiser economizar nesse quesito pode optar por se hospedar em um hostel que tenha cozinha. Comprar os alimentos no supermercado e cozinhar na acomodação traz uma economia considerável comparado aos preços de restaurantes. 

“Eu entro em contato com moradores para saber quanto que é os custos no local. Fui para Bahia e adicionei algumas pessoas nas redes sociais para fazer pesquisa. Deu super certo, eu economizei bastante”, lembra Rodolfo. 

Lorena Sena chama atenção também para a alimentação durante o trajeto da viagem.  

“Se alimente antes de embarcar, para evitar a necessidade de compra de serviços durante o voo que não oferece serviço de bordo. Fique atento ao tempo de conexão nos aeroportos, os serviços nesses locais normalmente costumam ser caros”, alerta.