Vila de casas na Aerolândia é interditada pela Defesa Civil

Após ocorrência de solapamento no local, vistoria da DCFor identificou afundamento de piso e risco alto de desabamento; 21 famílias foram retiradas.

16 de Abril de 2026 - 11:45 (Atualizado às 14:56)
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Legenda: Vistoria em vila de casas na Aerolândia apontou alto risco de desabamento.
Foto: Kid Júnior.

Uma vila de casas no bairro Aerolândia foi interditada pela Defesa Civil de Fortaleza por conta de alto risco de desabamento. 21 famílias inquilinas que residiam no local foram retiradas.

A ação ocorreu após a DCFor ter recebido uma ocorrência de solapamento na última segunda-feira (13), ocorrida após as grandes chuvas do domingo na Capital. Vistoria posterior ao caso identificou afundamento do piso na região.

Segundo a Defesa Civil, um relatório será elaborado e encaminhado ao proprietário da vila, juntamente com uma notificação, para que medidas necessárias sejam tomadas para eliminar os riscos identificados.

Moradores ouvidos pelo Diário do Nordeste afirmam que não conseguiram retorno da pessoa responsável pela vila. A reportagem buscou contato, mas também não teve resposta. O espaço segue aberto.

Ainda segundo o órgão, as famílias retiradas das próprias casas receberam materiais assistenciais, como cestas básicas, mantas e redes.

Moradores estão deixando os imóveis da vila após chão afundar.
Legenda: Moradores estão deixando os imóveis da vila após chão afundar.
Foto: Kid Júnior.

Um morador que preferiu não se identificar informou à reportagem que os buracos na vila começaram a aparecer há cerca de três dias

“Na hora eu estava trabalhando, trabalho à noite. (Quando) eu cheguei só vi o buraco aqui, no outro dia de manhã. Foi da chuva forte, né? Disseram que foi de madrugada que aconteceu”, contextualiza.

Na parte interna de uma das casas da vila, é possível ver o chão cedendo e com rachaduras.
Legenda: Na parte interna de uma das casas da vila, é possível ver o chão cedendo e com rachaduras.
Foto: Kid Junior.

Casas foram interditadas na vila pela DCFor por risco alto de desabamento.
Legenda: Casas foram interditadas na vila pela DCFor por risco alto de desabamento.
Foto: Kid Junior.

Segundo o homem, que estava morando no local de aluguel há quatro meses, a Defesa Civil e a Defensoria Pública fizeram cadastros dos moradores a fim de reunir informações sobre danos e perdas materiais

“Foi repentino, a gente não esperava. O risco é de poder aumentar (os buracos) com essas chuvas, porque está a rachadura”, afirma. Segundo ele, a maioria dos moradores já saiu completamente do local.

Outro homem que morava no local há três meses, mas que também não quis se identificar, relatou um "estouro" na madrugada em que o chão cedeu. Durante a visita da reportagem, ele fazia a mudança dos móveis e colchões com o apoio de uma picape. O homem chegou a pedir um empréstimo para conseguir alugar outra moradia. 

Na área comum da vila, também é possível encontrar danos estruturais visíveis.
Legenda: Na área comum da vila, também é possível encontrar danos estruturais visíveis.
Foto: Kid Junior.

Vila é próxima ao local onde muro de terreno da Base Aérea desabou

A situação da vila de casas é consequência das grandes chuvas registradas em Fortaleza de domingo (12) para segunda (13). Na noite do dia 12, próximo ao local, um muro desabou em um carro estacionado na rua.

A estrutura que caiu é parte de um terreno da Base Aérea de Fortaleza que está em obra de expansão. Moradores do entorno pedem resoluções da Fraport e da empresa responsável pelas intervenções, a Aerotrópolis.

Conforme o Diário do Nordeste noticiou no início da semana, uma casa já havia sido interditada na vila na segunda (13). Àquela altura, moradores da vila temiam prejuízos ainda maiores que os já registrados às casas e bens.

Segundo relatos, a água da chuva invadiu as casas e “arrastou” móveis, eletrodomésticos e automóveis das famílias.

Empresa diz não haver relação entre desabamento de muro e a obra

Em nota enviada ao DN, a Aerotrópolis Empreendimentos, responsável pela obra, informou que as ocorrências no entorno "estão sendo apuradas com rigor técnico e responsabilidade". Sobre a queda do muro, é dito que a estrutura já "apresentava comprometimento” anterior. 

A equipe avaliou que o episódio se deu pelo volume de chuvas registrado no último fim de semana, “patamar capaz de provocar sobrecarga significativa nos sistemas de drenagem, especialmente em regiões que historicamente já apresentam registros de alagamentos”.

"Até o momento, não há evidências de relação direta entre o ocorrido e as intervenções realizadas pela empresa", diz a nota. 

"Medidas emergenciais de drenagem já foram implementadas no local, com o objetivo de reduzir os efeitos do acúmulo de água e minimizar impactos à vizinhança", continua o empreendimento.

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