Chuva derruba muro sobre carro e alaga casas no bairro Aerolândia, em Fortaleza
Casas e ruas ficaram alagadas em diversos bairros.
Um muro desabou sobre um carro estacionado no bairro Aerolândia durante a forte chuva que caiu em Fortaleza na noite desse domingo (12). O caso aconteceu na Vila Gomes, região que também foi atingida por alagamentos nas vias públicas e em residências.
O muro que caiu faz parte de um terreno da Base Aérea de Fortaleza que está em obra de expansão, e motivou um protesto de moradores da vila, que pedem resoluções da Fraport e da empresa responsável pelas intervenções, a Aerotrópolis.
Nesta manhã, o TC Haroldo Gondim, coordenador da Defesa Civil de Fortaleza (DCF) informou que as equipes foram ao local junto com os donos, e disse que eles estão analisando a situação atual "para resolver o transtorno".
Uma casa precisou ser interditada na vila.
A storymaker Natália Oliveira, que mora há 34 anos no local, afirmou em protesto nesta tarde que a população teme maiores prejuízos às casas e veículos dos moradores.
"Inundou casas, prejudicou motos, carros, hacks, geladeiras. Casas que nunca tinham visto isso acontecer foram prejudicadas, e nós queremos uma resposta deles, uma indenização, mas nada acontece", relata.
Mariana Pereira, dona de casa, relata que o desabamento parcial ocorreu por volta de meia-noite desta segunda. Ela comentou que uma espécie de barragem foi construída dentro do terreno para conter água, e esse fato preocupa os moradores.
Segundo a manicure Camila Leidiane, a água "veio arrastando tudo" e fez eles "perderem móveis". "Nenhuma autoridade veio falar com a gente pra saber o que vai ser feito", comenta.
Geiciane Silva, auxiliar administrativa, chamou a ocorrência de "tragédia anunciada" e diz que "nada foi feito". "Dentro dessa barragem tem muita água e ela está querendo ceder. Eles vieram querer reconstruir o muro para esconder", disse.
Empresa diz não haver relação do desabamento com a obra
Em nota, a Aerotrópolis Empreendimentos, responsável pela obra, informou que as ocorrências no entorno "estão sendo apuradas com rigor técnico e responsabilidade". Sobre a queda do muro, é dito que a estrutura já "apresentava comprometimento anterior".
A equipe avaliou que o episódio se deu pelo "volume expressivo de chuvas registrado no último fim de semana, que ultrapassou 120 mm e pode provocar sobrecarga nos sistemas de drenagem, especialmente em áreas que já apresentam histórico de alagamentos na região".
"Até o momento, não há evidências de relação direta entre o ocorrido e as intervenções realizadas pela empresa", afirmou a empresa.
"Medidas emergenciais de drenagem já foram implementadas no local, com o objetivo de reduzir os efeitos do acúmulo de água e minimizar impactos à vizinhança", continuou o empreendimento.
A Aerotrópolis já tomou as providências necessárias junto aos órgãos competentes para viabilizar as intervenções estruturais na área e permanece no aguardo das autorizações cabíveis. Paralelamente, a empresa realiza levantamento técnico das condições no local e segue atuando de forma diligente na redução de eventuais impactos, com base em critérios técnicos e responsabilidade operacional.
Defesa Civil fez balanço de ocorrências
De acordo com a Defesa Civil de Fortaleza (DCFor), entre as 18h desse domingo e as 11h desta segunda-feira (13), dois desabamentos parciais de muro foram registrados, um no bairro Aerolândia e um no Aldeota.
No total, a Capital cearense teve 18 ocorrências atendidas durante e após a forte chuva. O bairro Aerolândia teve 12 alagamentos, e os bairros Amadeu Furtado, Centro, Floresta, Parangaba, Parreão e Vila União tiveram um cada.
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A Defesa Civil de Fortaleza (DCFor) informou ainda que atendeu a uma ocorrência de desabamento parcial de um muro, na Aerolândia. No local, após a vistoria, a equipe interditou parcialmente uma casa. A queda também causou danos em um carro estacionado na área.
Nesta terça-feira (14), pela manhã, haverá uma reunião entre a coordenação da DCFor, representantes da empresa responsável pelo muro e técnicos da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). O objetivo é definir, conjuntamente, o que poderá ser feito para solucionar a situação.
Defesa Civil monitora chuvas
Segundo a DCFor, os danos se concentram mais na região central da cidade. As estações meteorológicas monitoradas pelo órgão apontaram chuvas acima de 70 milímetros (mm).
A Defesa Civil informou que segue monitorando as ocorrências e alertou para cuidado redobrado em dias de precipitações intensas.
Veja os registros por bairro:
- Benfica: 102.2 mm
- Guararapes: 91.2 mm
- Montese: 90.2 mm
- Mucuripe: 82.8 mm
- Centro: 82.7 mm
- Vila Velha: 77.3 mm
- Granja Lisboa: 39.7 mm
- Messejana: 26.1 mm
- Conjunto Esperança: 23.9 mm
- Jangurussu: 21.2 mm
Fonte: Estações da Defesa Civil